Projeto de interiores para hotéis e flats
 
Fernanda Marques
Gisela B. Gonçalves
Nelson Andrade
Do ponto de vista da arquitetura, o que é um bom projeto de hotel ou flat? De modo geral, os projetos são muito parecidos, pois prevalece a arquitetura internacional, e algumas vezes parecem "caixotes"...
Nelson Andrade
 
É possível fazer arquitetura interessante para hotel. Embora o apartamento se repita muitas vezes, numa volumetria relativamente padronizada, há espaço para a criatividade.

Quanto ao bom projeto, a primeira coisa é a realização de um estudo de viabilidade, para perceber qual a localização, o que ela pede, que hotéis concorrentes existem, qual a oferta de serviços que comporta. Isso deve ser feito em comum acordo com a operadora. Depois, é necessário um programa adequado ao local e à viabilidade operacional e econômica.

O passo seguinte é desenvolver o projeto com cuidado necessário em relação a economia, operacionalidade e manutenção, e dar ênfase às instalações, porque o hotel é serviço. Não adianta um apartamento lindo se os botões não funcionam ou se o elevador demora. Quem projeta deve ter conhecimento de onde podem surgir os problemas. Se o arquiteto não for um especialista, deve cercar-se de pessoas que conheçam profundamente cada detalhe.
 
Fernanda Marques
 
Discutir a arquitetura de caixote e a mesmice do skyline de São Paulo seria discutir a arquitetura brasileira, o que é tema para outro debate. Eu gostaria de lembrar que os profissionais de arquitetura e os de interiores têm um ponto comum: o empreendedor, ou o incorporador, que é muito conservador e não quer arriscar nada. Geralmente, recebemos a fórmula a ser seguida. São poucas as oportunidades de escapar disso e raros os exemplos inovadores, como o Unique, do Ruy Ohtake, em São Paulo.
 
Gisela Bento Gonçalves
 
A cada empreendimento aprendemos muitas coisas. Quantos novos modelos de cadeiras ou de luminárias surgem em seis meses? O profissional deve estar sempre se atualizando. Não estou falando de modismo, mas de tecnologia, de conforto.

Se o profissional pode dizer que o projeto está atendendo às necessidades e foi feito o melhor possível dentro da formatação de custos, de fórmulas e outras situações, também pode dizer que aquele é um bom projeto.
A diferença tem de estar na funcionalidade, no serviço e até no sorriso do funcionário. Um botão que não acende será consertado na hora e o hóspede irá embora satisfeito. Mas se o botão não funcionar e o serviço também não, o hóspede nunca mais voltará.
 
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Abertura
 
Quais os principais pontos num projeto
de interiores de hotéis e flats?
O mercado brasileiro dispõe hoje de mobiliário e equipamentos com diversidade e qualidade? Como os senhores vêem a questão produto fabricado especialmente para determinada obra versus produto industrializado?

As exigências mudam conforme
a operadora?
Então os fabricantes brasileiros já estão atentos para essa questão?
A que podemos atribuir essa profissionalização? Ao boom hoteleiro?
Há diferenças entre desenvolver o projeto para uma rede hoteleira, nacional ou internacional, e para um hotel ou flat isolado?
O Normandie e o Pergamon, dois hotéis familiares de São Paulo, foram totalmente reformulados. Isso é um modismo, uma iniciativa arriscada?
Quais são as lacunas e os problemas
para o projeto e a especificação no
setor hoteleiro? Falta normalização?
Falta conhecimento do tema e de
projeto por parte dos contratantes?
Por que isso é perigoso?
Esse não é um problema decorrente da falta de normas técnicas feitas para a realidade brasileira? Aos profissionais de projeto caberia brigar para que houvesse normas adequadas e seguras.
Costuma-se dizer que nos Estados Unidos e no Japão, por exemplo, demora-se dois anos projetando e seis meses executando. Aqui normalmente é o contrário?
Do ponto de vista da arquitetura, o que
é um bom projeto de hotel ou flat? De modo geral, os projetos são muito parecidos,
pois prevalece a arquitetura internacional,
e algumas vezes parecem "caixotes"...
Creio que existe falta de respeito com o projeto que foi contratado e pago pelo empreendedor, com o trabalho do arquiteto que especifica determinado produto e também com o do fabricante que faz o protótipo e desenvolve esse produto. Depois de todo o trabalho, o próprio empreendedor ou a construtora chama alguém que faz uma cópia desse produto e cobra um terço do valor. Não seria o caso de o arquiteto ter mais pulso e não aceitar esse similar?
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