Projeto de interiores para hotéis e flats
 
Fernanda Marques
Gisela B. Gonçalves
Nelson Andrade
Pergunta da platéia:
Creio que existe falta de respeito com o projeto que foi contratado e pago pelo empreendedor, com o trabalho do arquiteto que especifica determinado produto e também com o do fabricante que faz o protótipo e desenvolve esse produto. Depois de todo o trabalho, o próprio empreendedor ou a construtora chama alguém que faz uma cópia desse produto e cobra um terço do valor. Não seria o caso de o arquiteto ter mais pulso e não aceitar esse similar?
Fernanda Marques
 
O que posso dizer é que sou solidária nesse sentido. Existe todo um trabalho de prospecção e entendimento do produto para que se possa fazer a especificação correta. Porém, o poder de decisão é do empreendedor.
 
Nelson Andrade
 
Nós, arquitetos, podemos até argumentar, mas não temos autoridade para vetar a substituição.
Gisela Bento Gonçalves
 
Atuo muito com implantação, várias vezes de um projeto que não é meu. Por isso, entendo bem a posição dos fornecedores e dos profissionais - entre os quais me incluo -, mas também entendo a dos investidores.

Pela falta de tradição em hotelaria, a maioria dos profissionais hoje envolvidos com projetos de interiores de hotéis veio do segmento residencial e trouxe consigo a praxe da reserva técnica (comissão variável sobre o total gasto na compra dos produtos especificados), que pode ser considerada aceitável em residências, mas num hotel representa um volume bastante considerável.

Os empreendedores escolhem o similar por questão de custo, para tentar reduzir essa reserva técnica. Muitas vezes esse similar não atende ao que foi especificado, mas na maioria das vezes o produto é trocado com resposta total às especificações. Se a qualidade é a mesma, o investidor dispensa o produto de grife, que é mais caro e nem sempre dá retorno.

Na minha intermediação nos projetos de implantação, faço questão de que isso fique muito claro. Estaria em situação constrangedora se alguém pensar que substituo o produto especificado por um colega para ficar com a reserva técnica. Sem a reserva técnica é possível viabilizar um produto simplesmente porque ele chegou ao valor real e não tem outros custos agregados.
 
Nelson Andrade
 
Se a qualidade é a mesma, caberia ao especificador deixar a liberdade de escolha entre os similares. Também considero a reserva técnica uma prática abominável, que deveria ser condenada e abolida do mercado. Ela é uma conseqüência funesta da má remuneração de projetos.
O cliente paga mal pelo projeto e depois fecha os olhos para essa prática deplorável.
 
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Abertura
 
Quais os principais pontos num projeto
de interiores de hotéis e flats?
O mercado brasileiro dispõe hoje de mobiliário e equipamentos com diversidade e qualidade? Como os senhores vêem a questão produto fabricado especialmente para determinada obra versus produto industrializado?

As exigências mudam conforme
a operadora?
Então os fabricantes brasileiros já estão atentos para essa questão?
A que podemos atribuir essa profissionalização? Ao boom hoteleiro?
Há diferenças entre desenvolver o projeto para uma rede hoteleira, nacional ou internacional, e para um hotel ou flat isolado?
O Normandie e o Pergamon, dois hotéis familiares de São Paulo, foram totalmente reformulados. Isso é um modismo, uma iniciativa arriscada?
Quais são as lacunas e os problemas
para o projeto e a especificação no
setor hoteleiro? Falta normalização?
Falta conhecimento do tema e de
projeto por parte dos contratantes?
Por que isso é perigoso?
Esse não é um problema decorrente da falta de normas técnicas feitas para a realidade brasileira? Aos profissionais de projeto caberia brigar para que houvesse normas adequadas e seguras.
Costuma-se dizer que nos Estados Unidos e no Japão, por exemplo, demora-se dois anos projetando e seis meses executando. Aqui normalmente é o contrário?
Do ponto de vista da arquitetura, o que
é um bom projeto de hotel ou flat? De modo geral, os projetos são muito parecidos,
pois prevalece a arquitetura internacional,
e algumas vezes parecem caixotes pré-fabricados.
Pergunta da platéia:
Creio que existe falta de respeito com o projeto que foi contratado e pago pelo empreendedor, com o trabalho do arquiteto que especifica determinado produto e também com o do fabricante que faz o protótipo e desenvolve esse produto. Depois de todo o trabalho, o próprio empreendedor ou a construtora chama alguém que faz uma cópia desse produto e cobra um terço do valor. Não seria o caso de o arquiteto ter mais pulso e não aceitar esse similar?
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