Piso elevado
Piso elevado, ainda a melhor solução para os cabos e dutos incômodos
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Aço e concreto celular
Policarbonato
Monolítico
A favor da flexibilidade
A escolha do revestimento
 
Surgidos na segunda metade do século 20, os pisos elevados foram conquistando espaço nos edifícios de escritórios à medida que cresciam
o volume de instalações e a necessidade de flexibilização dos ambientes de trabalho. Atualmente, eles são considerados peças fundamentais em qualquer área operacional a partir de 100 m2, embora seus benefícios sejam significativos até mesmo em espaços menores, afirma a arquiteta Cláudia Miranda de Andrade, da Saturno Planejamento, Arquitetura e Consultoria.

O mercado oferece diferentes tipos de piso elevado. Chapa metálica com concreto celular, policarbonato e monolítico são os mais usados em escritórios, mas há também os de aço, gesso e aglomerado. Todos têm idêntica função e seguem os mesmos princípios; a diferença está na modulação, na capacidade de carga concentrada ou distribuída e nas possibilidades de regulagem.

Entre os produtos é possível encontrar opções que oferecem leito (vazio entre a laje e o piso elevado) com alturas variando de 7 cm a 1,20 m,
o que permite atender diferentes demandas de cabeamento ótico, de elétrica, telefonia, informática, ar condicionado, detectores de fumaça e tubulações hidráulicas, entre outras instalações.

“Uma central de processamento de dados exige vãos bem maiores que os de escritórios”, exemplifica Cláudia. O leito maior também pode servir a call centers, que costumam ter supervisores em posição mais elevada que a dos atendentes. “Basta ter duas alturas de piso elevado para resolver esse problema”, afirma a arquiteta.

Segundo o arquiteto Sílvio Heilbut, do escritório
S. Heilbut Arquitetura e Planejamento, bom senso na hora da especificação é um ponto decisivo para o desempenho do projeto, independentemente do tipo escolhido. “O usuário precisa ter a sensação de firmeza, de estabilidade. O ideal é que ele nem perceba estar caminhando sobre um piso elevado”, explica. Por essa razão, a superfície não pode balançar, desnivelar, nem fazer ruídos. A melhor forma de certificar-se quanto às condições de conforto oferecidas por um produto é testá-lo caminhando sobre ele, completa Heilbut.

De modo geral, os pisos elevados devem absorver as mesmas cargas que a laje onde estão instalados, mas podem precisar de reforço em áreas sujeitas a grandes cargas puntiformes, como cofres ou equipamentos pesados, explica o arquiteto Ilvo Patat, da Proinstal. Patat destaca ainda a possibilidade de usar o leito para o sistema de ar condicionado.

Segundo o engenheiro Paulo César de Mauro, diretor de uma empresa que trabalha com pisos elevados monolíticos, o ar condicionado insuflado pelo piso proporciona mais conforto aos usuários ao evitar a formação de zonas extremamente frias, situação comum quando o insuflamento é feito por cima. “Isso porque o ar sai em baixa velocidade e em temperaturas mais elevadas. Aquecido, ele sobe por convecção, tornando o ambiente mais confortável”, explica.

Há duas opções para incorporar o leito ao sistema de ar condicionado. A primeira é instalar dutos no vão; a segunda, transformar o vazio em um grande colchão de ar pressurizado. Neste caso, a altura livre exigida depende da vazão de ar desejada, mas está em torno dos 40 cm. O mercado oferece difusores com grelhas próprios para essa finalidade, mas também é possível encontrar pisos com placas de aço perfuradas para dar vazão ao insuflamento de ar.
 
Variedade no mercado
 

Aço e concreto celular
O piso elevado mais tradicional é o de chapas de aço com miolo de concreto celular. Com massa por metro quadrado variando de 30 kg a 45 kg, conforme o tipo de placa, esse produto requer a verificação da capacidade de carga da estrutura que o suportará.

Em geral, ele apresenta modulação de 60 x 60 cm, regulagens de altura por sistema de macaquinhos e sustentação por pedestais de aço galvanizado que asseguram também o ajuste milimétrico do nivelamento, compensando possíveis imperfeições da laje. Segundo a arquiteta Cláudia Andrade, o sistema de travamento das placas do piso metálico assegura estabilidade ao conjunto.

De acordo com José Carlos Carvalho Júnior, gerente comercial de uma empresa fornecedora desse tipo de piso, o fato de o produto ser revestido por chapas de aço não implica nenhum cuidado especial com aterramento, além daquele que já deve ser previsto pelas instalações elétricas. Carvalho também destaca a grande capacidade de cargas concentrada e distribuída, o que permite maiores densidades de ocupação nos escritórios. “As opções de revestimento são carpete, placas vinílicas ou laminado melamínico, "dependendo da resistência e da qualidade do acabamento” desejados.

Policarbonato

Outra opção bastante difundida são os pisos fabricados com policarbonato, material auto-extinguível que não emite gases tóxicos quando em contato direto com a chama. Sua massa é de aproximadamente 8 kg/m2 e a modulação, de
50 x 50 cm. Segundo Edegar Ondei, gerente de marketing e vendas de uma empresa que fabrica pisos elevados de policarbonato, o produto plástico não tem macaquinho para regular a altura e requer a regularização da laje antes de sua instalação.
“Mas ele não desnivela com o passar do tempo, como acontece com outros tipos de piso elevado, que precisam ser renivelados constantemente”, compara.

O piso plástico é instalado sobre perfis de apoio,
com 4,4 cm de altura. Eles podem ser sobrepostos até atingir a medida desejada para o leito - o mínimo é 6,7 cm. De acordo com Ondei, as placas podem ser cortadas com facilidade. “Tanto que o ajuste das peças que encostam nas paredes é feito na própria obra”, ele exemplifica.

Ainda segundo o gerente, o produto é compatível com a instalação de dutos para ar condicionado. “Não recomendamos o colchão de ar porque pode haver condensação de água e conseqüentes danos aos sistemas elétrico e de transferência de dados”, avisa. Entre os materiais de revestimento sugeridos pela empresa encontram-se carpete, granito, laminado melamínico, placas vinílicas e de borracha.

Monolítico
O piso monolítico é outra opção para escritórios, em especial em áreas que não exijam constantes mudanças de layout ou nas que precisam de maior resistência à carga, explica a arquiteta Cláudia Andrade. Segundo o engenheiro Paulo de Mauro, o piso monolítico produzido por sua empresa tem capacidade para suportar 5.096 kg/m2, o que o torna capaz de receber cofres, arquivos deslizantes e paredes de gesso ou painéis de gesso acartonado sem necessidade de reforço pontual.

O monolítico é moldado in loco a partir de fôrmas de PVC preenchidas por massa mineral autonivelante, o que dá à superfície a aparência e a estabilidade de uma laje convencional. A "malha cavernosa" sob a superfície dispensa eletrocalhas e oferece caminhos livres em todas as direções a cada 15º . O produto pode ter nove alturas entre 7 e 15 cm, com variações de um em um centímetro. A menor delas já é suficiente para comportar as instalações elétricas; a maior é usada para o colchão de ar pressurizado do sistema de climatização.

Considerado boa opção para retrofit, o piso monolítico pode ser feito simultaneamente a outras obras. Uma equipe de quatro pessoas consegue executar 1000 m2 de piso monolítico em uma semana, segundo dados do fabricante.

Caixas de inspeção facilitam o acesso à infra-estrutura instalada e um equipamento próprio permite a abertura e o fechamento de pontos conforme a necessidade de mudanças de layout.
De acordo com o engenheiro Paulo de Mauro, o produto admite qualquer acabamento, inclusive pintura com resina, carpete em rolo, laminados, cerâmica ou porcelanato. “Quando necessário, o acabamento pode ser removido e depois assentado novamente, sem deixar marcas”, ele garante.

A favor da flexibilidade
A intercambialidade das placas do piso elevado e a possibilidade de remover e reinstalar todo o conjunto caso a empresa mude de endereço são fatores a serem considerados na especificação, pondera Cláudia Andrade. “Se houver algum acidente, é importante poder substituir somente as placas danificadas”, explica. As instalações que correm sob o piso também exigem flexibilidade.

O sistema mais usado atualmente é o zone waring, composto por dutos flexíveis que podem ser movidos dentro de determinado raio de abrangência. “Com isso, não é preciso abrir todo o piso para reordenar os pontos. Basta mexer em três ou quatros placas”, explica o arquiteto Maurício Patrinicola, sócio do escritório Pileggi Arquitetura. Segundo Sílvio Heilbut, outro cuidado importante é evitar o cruzamento das instalações para que não ocorram interferências entre os sistemas.

“O ideal é que o leito seja loteado e as instalações corram em alturas diferentes”, explica. Para que o leito seja mantido limpo e organizado, os arquitetos sugerem, além de pintar a laje de branco, descartar todo o material que não estiver mais em uso. “Se houver acúmulo, pode-se chegar ao ponto de ninguém mais entender o que está sob o piso”, alerta Heilbut. Também é importante haver uma planta documentando as instalações.

Em prédios prontos, a escolha do piso elevado deve levar em conta prioritariamente o pé-direito dos ambientes - em áreas de permanência com ar condicionado, por exemplo, o mínimo exigido é de
2,5 m. Outro ponto importante são as passagens entre o piso elevado e as áreas fixas, como copas e banheiros. “Esses espaços também devem ser levantados ou então receber rampas de acesso”, lembra Heilbut.

 
Normas da ABNT para pisos elevados
NBR
11802
Pisos elevados - Especificação
NBR
12544
Pisos elevados - Terminologia
NBR
12516
Pisos elevados - Simbologia
NBR
12050
Determinação de resistência ao impacto de corpo duro - Método de Ensaio
NBR
12047
Verificação da resistência à carga horizontal concentrada - Método de Ensaio
NBR
12048
Determinação da resistência
às cargas verticais concentradas - Método de Ensaio
NBR
12049
Determinação da resistência à carga vertical uniformemente distribuída - Método de Ensaio
Fonte: ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
 
Piso de chapa metálica: exigência de revestimento
 
Piso elevado revestido com carpete em placas. As juntas
do piso elevado e do carpete não devem coincidir
 
Piso de policarbonato com acabamento em laminado melamínico: opção resistente e durável, de fácil manutenção
 
Os pedestais permitem ajustes do nivelamento,
mas a laje deve estar livre de imperfeições
 
 
Piso elevado monolítico, com acabamento em pintura
com resina e difusores para insuflamento de ar condicionado
 
Fôrmas de PVC moldam o piso monolítico,
que tem rotas para instalações a cada 15 graus
 
Carpetes de alto tráfego para escritórios:
densidade deve estar acima de 500 g/m2
 
A escolha do revestimento
A função dos pisos elevados é criar um canal para a passagem das instalações, proporcionando máxima flexibilidade no uso do espaço e fácil acesso à infra-estrutura instalada. O revestimento escolhido deve preservar essas características.

“Não faz sentido cobrir um piso elevado com carpete em rolo”, exemplifica Heilbut. Há vários revestimentos em placas, como laminados melamínicos, pisos vinílicos, emborrachados, carpete e até mesmo pedras.

“A escolha depende da função do ambiente. Um hall de elevador não requer flexibilidade e, como é um local nobre, pode receber placas de granito. Já uma área de equipamento técnico pode usar o piso vinílico, que é prático, antiestático e de fácil manuntenção, mas deixa juntas visíveis”, diz o arquiteto. Nas áreas de escritórios, o revestimento mais comum é o carpete.

De acordo com Arlete Melo, gerente técnica e comercial de uma empresa que oferece carpete em placas, esse tipo de produto divide-se basicamente em dois segmentos: os que têm fio de polipropileno e os que possuem fio de náilon.

Ambos são auto-extinguíveis e não emitem gases tóxicos quando em combustão, qualidades que os diferenciam dos tapetes e carpetes feitos com outros tipos de fios.

Segundo Arlete, as semelhanças entre os dois ficam por aí. “O polipropileno não tem ‘memória’, ou seja, as marcas do peso do mobiliário disposto sobre ele não desaparecem após a remoção da peça. Já o náilon volta ao normal após uma simples aspiração ou em até dois dias, dependendo da intensidade da marca”, afirma.

A característica que indica se o carpete é ou não apropriado para alto tráfego é a massa por metro quadrado. “O número de pontos por polegada é importante para avaliar produtos artesanais ou residenciais. Para escritórios, que exigem resistência ao alto tráfego, deve-se ter carpetes a partir de 500 g/m2.

Daí para mais são produtos top e de preço maior”, explica Arlete. Outro detalhe importante é que o carpete para escritórios deve ser sempre do tipo bouclê. “O fio cortado não tem resistência para alto tráfego”, ela alerta.

Também as características da base e da pré-base devem ser consideradas na especificação. “Encontramos no mercado produtos com base de betume ou vinílica, com PVC. Porém, a única aprovada pelo corpo de bombeiros de Nova York
é a vinílica, que é auto-extinguível”, afirma a gerente técnica. A pré-base pode ser de PVC, látex ou EVA, um material plástico semelhante ao látex. Segundo Arlete, a melhor delas é a de PVC.

“É feito um sanduíche com uma camada de fibra de vidro, para dar estabilidade dimensional, entre duas de componentes vinílicos. O conjunto é fundido a quente, formando uma camada única que garante 100% de impermeabilidade”, explica. Essa impermeabilidade também oferece melhores condições de manutenção, pois permite limpeza com líquidos e evita o reaparecimento das manchas, o que é comum nos outros tipos.

Outra vantagem dessa pré-base é que o pó não é absorvido nem passa para baixo do revestimento, facilitando a manutenção. A espessura do conjunto deve ser de até 10 mm, sendo 3 mm de base e de 6 a 7 mm para a superfície, variando conforme a marca. O próprio fio de náilon deve ter características especiais. O tipo mais indicado é o 6.6, mais fino que um fio de cabelo. O tingimento deve ser realizado na própria construção do fio.

“Se a tintura é superficial, a probabilidade de o produto manchar e desbotar é muito grande”, afirma Arlete. Também o tratamento químico antimicrobial, que torna o carpete antialérgico, deve ser aplicado durante a construção do fio.

“Esse processo dá garantia de cinco anos ao produto. Se o tratamento é realizado depois de o fio estar construído, o produto antimicrobial é removi-do a cada limpeza profunda e, portanto, deve ser reaplicado em seguida”, ela completa.
Exceto no caso de pedras ou cerâmicas, o melhor resultado visual é quando as placas de revestimento têm medidas inferiores à modulação do piso.

“Fica mais confortável quando as juntas não coincidem”, diz Heilbut. Outra possibilidade é instalar o revestimento em sentido contrário ao do piso. “Ambas as soluções evitam que o material ‘fotografe’ a junta ou que a emenda apareça quando o piso se movimenta em função do peso”, conclui Arlete. Todos os revestimentos exigem que o piso elevado esteja bem nivelado e não haja ondulações na base
   
  Texto resumido a partir de reportagem de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN Edição 272 Outubro 2002
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