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Todos os quatro segmentos em
que se divide o setor - alumínio, PVC,
aço e madeira - têm investido,
em maior ou menor grau, em qualidade. O de PVC, que
passou por etapas difíceis quando de sua implantação
no Brasil, no início da década de 70,
é atualmente bem organizado e o mais avançado
em matéria de normalização. Os
produtores, por intermédio da Associação
Brasileira de Fabricantes de Perfis de PVC (Afap-PVC),
têm programa de garantia de qualidade desenvolvido
desde 1989, envolvendo nove empresas, e normas abrangentes,
que englobam desde a matéria-prima utilizada
e o controle do processo de fabricação
até a instalação.
A Afeal
também vem discutindo a normalização
das esquadrias de alumínio e há dois
anos estuda, com a Asbea
e o Sinduscon-SP, formas de padronizar as dimensões
do produto. As empresas de esquadrias de aço,
por sua vez, estão saindo em busca de certificados
de qualidade. E até o discreto segmento de esquadrias
de madeira, o menor de todos, vem dedicando esforços
à capacitação tecnológica.
"A volta dos investimentos imobiliários
e a chegada de muitos escritórios e empresas
estrangeiros, que não aceitavam a qualidade
das esquadrias brasileiras, em geral mais baixa que
a de seus países, foram as causas imediatas da
retomada do setor", explica o arquiteto Paulo Duarte,
que também atua como consultor de obras na área
de esquadrias. De fato, escritórios de arquitetura
como Skidmore, Owings & Merrill (SOM), fábricas
de vidro como a Guardian, grandes consultorias, como
a Tyshmann, a Hynes e a Cushmann & Wakefield, também
chegaram ao Brasil nos anos 90, conquistando obras e
projetos de empresas igualmente multinacionais. Com
padrões próprios de projeto, elas passaram
a exigir mais "engenharia de caixilho", e
os fabricantes tiveram que se adaptar.
As mais afetadas pela pressão
estrangeira foram as esquadrias de alumínio,
até por ser este o material mais usado em prédios
e grandes edificações, como shopping centers.
Dominando praticamente todo o mercado de edifícios
e parte do de residências e fábricas, o
segmento é também um dos mais avançados
na busca de aperfeiçoamento. Seu porte é
grande: em 1999, a construção civil consumiu
119 mil toneladas de alumínio (de um total de
704 mil toneladas produzidas) e as esquadrias ficaram
com o maior quinhão.
O trabalho de aperfeiçoamento
começou com um olhar sobre o que se fazia em
esquadrias de alumínio no exterior, principalmente
na Europa e nos EUA. A produção, antes
com linhas muito simples e desenhos pouco criativos,
evoluiu para projetos mais modernos e com maior leque
de opções - hoje a indústria
produz centenas de variedades de portas e janelas, de
venezianas e vitrôs, portas-balcão e janelas
maxim-ar, de teto e com pintura eletrostática,
entre outros modelos e tecnologias de produção.
Com inovações técnicas, começaram
a ser fabricadas esquadrias mais robustas e mais aptas
a conferir conforto termoacústico e estanqueidade
à água e ao ar - uma queixa comum dos
construtores. A anodização foi melhorada:
os caixilhos ficaram mais foscos, o que indica a presença
de mais mícrons e maior proteção
contra descoramento, por exemplo.
Mas o avanço principal parece
mesmo ser o da padronização - fundamental
por facilitar não só a vida dos arquitetos,
mas também o trabalho de fabricação
e execução, até agora feito "sob
medida" para cada vão de um prédio.
Uma comissão formada pela Asbea, Afeal e Sinduscon-SP
vem discutindo a padronização há
dois anos. O trabalho adotou como referência as
dimensões dos blocos de concreto e cerâmicos
(20 cm de altura por 30 ou 40 cm de comprimento), buscando
a chamada coordenação modular.
Analisadas as interfaces e definidas
as margens de tolerância em 2 cm para defeitos
de fabricação de esquadrias, execução
de contramarcos e prumo, também foram caracterizadas
as tipologias e dimensões mais usuais para as
áreas residencial e comercial, segundo o arquiteto
Henrique Cambiaghi, vice-presidente da Asbea e coordenador
pela entidade desse trabalho. O estudo já está
pronto e depende agora da definição das
associadas da Afeal para gerar uma publicação
que orientará fabricantes, especificadores e
construtoras. "Isso facilitará a vida de
todo mundo e diminuirá custos, pois os fabricantes
ganharão escala", segundo Cambiaghi.
Isso é essencial, porque a maior
parte das esquadrias ainda é produzida por empresas
que trabalham sob encomenda. Elas dividem o mercado
com os fabricantes de esquadrias padronizadas, mais
usadas em residências, e onde estão as
grandes empresas. A Afeal também tem feito ensaios
com esquadrias de até 8 m, em uma câmara
de ensaios construída especificamente com essa
finalidade há cerca de dois anos na sede da entidade,
no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Ela permite
ensaiar peças de grande porte, em escala natural,
algo que não ocorria no país.
Essas iniciativas permitiram avanços
em prédios com rigoroso controle da qualidade
executiva, como o edifício Faria Lima Premium,
em São Paulo. Ali, esquadrias de alumínio
empregaram tecnologia da indústria automotiva
para atender às belas formas curvas da arquitetura
e garantir a qualidade construtiva (estanqueidade, isolamento
termoacústico etc.) do prédio. Ou então
como o Shopping Cultural Fnac, que recebeu esquadrias
com pintura eletrostática a pó, aumentando
consideravelmente sua resistência. Com isso, o
mercado de esquadrias de alumínio vai crescendo,
a ponto de atrair empresas de outros segmentos, como
a Papaiz (tradicional fabricante de fechaduras) e a
Sasazaki, maior produtora de esquadrias de ferro.
Os produtores de esquadrias de PVC,
de seu lado, adotaram como política adaptar
o produto cada vez mais às condições
brasileiras, para superar erros cometidos quando
da implantação desse material no país,
nos anos 70. Os fabricantes começaram imitando
o alumínio e com modelos muito finos, que entortavam
e deformavam - nos países frios, onde são
mais usados, os caixilhos de PVC têm massa considerável,
apresentando, em alguns casos, alma de aço. No
Brasil já existe ampla gama de produtos; o problema
é que o preço aumenta quanto mais robusta
for a peça. De qualquer forma, esse é
um dos segmentos que mais se desenvolve, técnica
e gerencialmente.
A vantagem do alumínio
reside no preço e no bom tratamento da matéria-prima.
O ferro, por exemplo, apesar de mais resistente, custa
caro, não admite reaproveitamento das sobras
de produção e é mais difícil
de extrudar. O caixilho feito com este material é
moldado em uma fôrma, e precisa de perfis prontos
ou chapa dobrada. Não admite a colocação
de gaxetas. No caso do alumínio, os tarugos (as
sobras da produção) são todos reaproveitados
e, além disso, o perfil extrudado admite qualquer
tipo de desenho.
Requintados e resistentes, os caixilhos
de madeira são usados hoje em casas de veraneio
e restaurantes, por exemplo. Por outro lado, as versões
mais baratas não têm a qualidade necessária,
segundo os técnicos. Em países como Canadá
e Finlândia eles podem ser facilmente substituídos,
providência que no Brasil é dificultada
pela ausência de padronização. "Os
fabricantes de caixilhos de madeira são muito
dispersos", diz a engenheira e pesquisadora Vera
Fernandes. "Não têm nem mesmo entidade
setorial que os unifique em termos de padronização,
normalização e qualidade.
(Edição 244 - junho 2000)
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