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Nesse contexto,
não é de estranhar a rápida multiplicação
das edificações destinadas a atividades
físicas. Porém, apesar do crescimento
significativo, as instalações existentes
ainda não dão conta da demanda. “Faltam
quadras poliesportivas, espaços recreativos e
centros de treinamento para atletas profissionais
em todas as regiões do país, principalmente
nas áreas mais carentes. Também falta
a definição de políticas para
o esporte, mas essa situação parece
estar evoluindo”, entende o arquiteto Eduardo de
Castro Mello, representante do Brasil na Associação
Internacional de Instalações Esportivas
e Recreativas (entidade que reúne profissionais
especializados em instalações esportivas),
vice-presidente do Panathlon Club São Paulo (órgão
de defesa do esporte e da ética) e sócio
do escritório Castro Mello Arquitetos, sucessor
de Ícaro de Castro Mello Arquitetos Associados.
Um fator que pode incentivar o surgimento de
novas instalações para a prática
de esportes é a pretensão de os estados
de São Paulo e Rio de Janeiro sediarem a Olimpíada
de 2012, o que já motivou o concurso de idéias
para a modernização do conjunto desportivo
do Ibirapuera, afirma Mello. “Ainda serão
necessárias outras instalações,
capazes de atender às exigências de cada
modalidade esportiva. Por exemplo, as federações
de vôlei exigem, em jogos olímpicos, ginásios
com ar condicionado e capacidade para 15 mil pessoas,
e mesmo depois da reformulação, o Ibirapuera
não terá condições de atender
a essa demanda”, afirma ele.
Segundo a arquiteta Patrícia Totaro, responsável
por diversos projetos no segmento esportivo, a principal
dificuldade está na ausência de normas
específicas, que considerem o tipo de uso
da edificação. “As normas de ventilação
não consideram o pé-direito do espaço
e também não há orientação
quanto às instalações de apoio,
como quantidade de banheiros, por exemplo. Para trabalhar
nessa área precisei buscar informações
e exemplos fora do país. A pesquisa é
a base da boa arquitetura”, completa.
Outra lacuna apontada pelos profissionais diz
respeito a pesquisas que orientem sobre a demanda existente
para cada prática esportiva. Isso envolve
desde academias de ginástica até estádios
de futebol. “A falta de dados faz com que esse seja
um mercado difícil de trabalhar”, explica o arquiteto
Sérgio Coelho, diretor do escritório G,
CP Arquitetos. Apesar disso, diversos empreendimentos
de perfil bastante diferenciado entre si foram inaugurados
nos últimos meses em São Paulo.
Um deles é o Unysis
Arena
(leia mais), clube de tênis projetado
pela G, CP Arquitetos. De porte e recursos inéditos
no Brasil, ele soma 9 mil m2 de área construída
e ocupa uma gleba de 32 mil m2 na marginal do rio Pinheiros,
em São Paulo. Já estão em funcionamento
12 quadras de tênis, duas de paddle, restaurante
e loja de artigos esportivos. Além de uma loja
fast food, também está sendo construída
uma compacta academia de ginástica, com sauna
e hidromassagem, que funcionará no mesmo prédio
das quadras fechadas. As quadras de tênis têm
dimensões oficiais (18 m x 36 m, com 9 m
livres acima da rede). Dentre as cobertas, cinco são
de saibro e uma tem revestimento emborrachado no piso.
Entre as descobertas essa relação é
inversa.
A principal quadra, descoberta e com arquibancada
para 2 500 pessoas, tem alto nível de iluminamento
para permitir a transmissão das partidas por
emissoras de TV: jogos recreativos exigem 300 lux na
rede; competições pedem 500 lux; para
transmissão televisiva, o mínimo é
700 lux.
Horizontal, o conjunto foi construído
com estrutura treliçada formando vãos
de 18 m. A cobertura instalada sobre a treliça
é feita com telhas trapezoidais, uma camada de
EPS e painel de aglomerado, onde foi colada uma manta
de polímero flexível. Esse tipo de
fechamento oferece conforto térmico, sem
a necessidade de equipamentos para ventilação
ou exaustão, e ainda possibilitou a criação
da cobertura curva que dá impacto ao conjunto.
Outro empreendimento de perfil bastante diferenciado
é a Academia Bio Ritmo, no centro velho
de São Paulo. Ela ocupa um edifício geminado
de nove andares cujas fachadas foram projetadas por
Ramos de Azevedo no início do século
20.
Com 4.200 m2 de área total, o prédio foi
reformado e adaptado ao novo uso mediante projeto de
arquitetura de Patrícia Totaro, interiores de
João Armentano, luminotécnica de Neide
Senzi e paisagismo de Gilberto Elkis. As fachadas,
tombadas pelo patrimônio histórico,
foram restauradas pela Companhia de Restauro.
Instalado em região comercial onde o tráfego
de automóveis é restrito, o edifício-academia
também oferece cabeleireiros, lojas e alimentos
naturais, concentrando diversos serviços no mesmo
espaço.
O principal desafio para assegurar o sucesso
do empreendimento estava em evitar nos usuários
a sensação de confinamento, explica
Armentano. Daí surgiu a proposta de criar o átrio
central com jardim vertical e queda d’água que
une os pavimentos do quarto andar para cima. Para
assegurar luz natural, todas as janelas permanecem
livres, exceto as dos vestiários, que são
protegidas por persianas.
A distribuição leva o usuário
diretamente ao 2º piso, onde ficam os vestiários.
A escada de incêndio ganhou proporções
mais generosas e sinalização bem elaborada
para induzir o fluxo de pessoas. Para atrair novos clientes,
uma das salas com bicicletas foi instalada no mezanino
aberto para o lobby e dotada de recursos luminotécnicos
e sonoros que estimulam o transeunte a entrar no prédio.
Segundo Patrícia, o público de academia
busca mais a convivência e o bem-estar do
que os equipamentos oferecidos.
“É a academia substituindo o clube”, avalia.
Por isso, ela defende a criação de espaços
diferenciados para as mesmas atividades dentro de
um único empreendimento.
“É importante prever áreas especiais para
quem está começando ou para quem não
consegue acompanhar as aulas no mesmo ritmo que os demais”,
diz a arquiteta, também autora do projeto da
Vertical Tennis, a primeira academia vertical
de tênis do Brasil, inaugurada no final de 2002.
Esse projeto reúne seis quadras em um edifício
com cerca de 7 mil m2 de área construída.
“Por causa das medidas oficiais das quadras, cada andar
da academia corresponde a três de um prédio
convencional. Mas o cálculo da estrutura
prevê mais um andar ou a mudança de uso,
permitindo a construção de três
pavimentos onde hoje funciona o térreo”, explica
Patrícia.
O projeto verticalizado surgiu porque as dimensões
do terreno permitiriam a implantação de
apenas três quadras, enquanto o objetivo do empreendedor
era ter nove para tênis e duas para squash - cinco
quadras serão construídas na segunda etapa
de obras. O prédio tem estrutura metálica
e fechamento com brises de PVC, o que proporciona ventilação
constante e luminosidade difusa a fim de evitar sombras.
Três quadras são de saibro e as
outras têm piso com revestimento de borracha.
Para jogos ou aulas noturnas, a iluminação
utiliza lâmpadas de vapor metálico com
450 lux na rede.
Outra instalação esportiva de perfil
diferenciado inaugurada em 2002 é o ginásio
de ginástica olímpica do clube A
Hebraica
(leia
mais), projetado pelos arquitetos Marcelo
Barbosa e Jupira Corbucci. Com 800 m2 de
área, o ginásio é provavelmente
o único construído no Brasil especificamente
para aquela modalidade esportiva. Ele foi planejado
para treinos, mas como dispõe de todos os equipamentos
e possui medidas oficiais, pode sediar competições.
O prédio tem estrutura metálica,
sheds que permitem a entrada de luz natural e fechamento
lateral com venezianas de PVC que asseguram ventilação
permanente.
Além das instalações abertas ao
público, há as de uso restrito,
que funcionam, por exemplo, em empresas e escolas, como
a academia de ginástica da Faap-Fundação
Armando Álvares Penteado, destinada apenas a
alunos, professores e funcionários da instituição.
Com reforma planejada pelo arquiteto Antônio
Gomes Jr., ela foi reinaugurada em 2002 e ocupa
um espaço predefinido pela direção
da escola. Apesar da área reduzida (550
m2), oferece todos os equipamentos encontrados nas academias
abertas. De acordo com Gomes, o projeto de uma academia
de uso restrito se diferencia por permitir o pleno conhecimento
dos usuários e da quantidade de equipamentos
necessários.
O mercado também tem espaço para centros
de treinamento, como o projetado pelo escritório
Ícaro de Castro Mello para a Associação
Atlética Bontenesco, em São Carlos-SP.
Destinado ao treino de futebol, o centro terá
campos com medidas oficiais, arquibancadas, alojamentos,
hotel, piscina e centro de lazer, em 7.200 m2 de área
construída.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 276 Fevereiro 2003
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