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Modalidade construtiva muito utilizada
nos EUA, de onde veio a inspiração para sua introdução
aqui, a construção seca propõe aplicar às obras residenciais
a rapidez e a precisão de setores industriais mais avançados:
trata o canteiro como uma linha de montagem, juntando
diversos sistemas ou produtos industrializados, compatíveis
entre si, já existentes no Brasil.
É mais uma opção - entre tantos
sistemas construtivos, tradicionais ou não - posta à
disposição de arquitetos e construtores, e não necessariamente
representa pura e simples importação de modelos. Com
a construção seca, em tese, pode haver ganhos no
prazo, na diminuição (drástica, se bem executada)
de desperdícios e na qualidade, mas não no custo
nominal. Haveria, também conceitualmente, espaço para
um trabalho mais livre do arquiteto, mesmo com as limitações
impostas pelos pré-fabricados (modulação rígida, principalmente).
“Todo sistema tem suas limitações, mas a construção
seca pode recorrer a painéis de gesso curvos, por exemplo,
para fugir das linhas retas”, exemplifica o arquiteto
Ignácio Mesquita, do escritório BP Arquitetura, que
participou das versões anteriores da Casa Contemporânea.
A Casa Contemporânea Brasileira, conceito
desenvolvido pelas empresas Soma e Frigieri
& Szlak, contabiliza sua quarta aparição nos últimos
12 meses em feiras no Brasil (Fehab 99, Construir RJ,
Feicon e Fehab 2000), com grande interesse do público
especializado, demonstrando que, a despeito de sua ainda
diminuta participação no total de m2 residenciais erguidos
no Brasil, a proposta tem futuro. A versão apresentada
na Fehab 2000 (realizada entre 11 e 15 de junho, no
Expo Center Norte, em São Paulo) foi um pouco menor
e mais simples do que suas congêneres anteriores.
Térrea, teve 60 m2 de área útil, enquanto
a casa erguida na feira Construir, no Rio de Janeiro,
tinha pouco mais de 100 m2 de área construída. Baseada
estruturalmente em um sistema de painéis portantes
denominados Platform Framing, a casa é montada na obra
com esses painéis (podem ser de madeira ou aço), usando-se
apenas parafusadeiras e algumas ferramentas. Os painéis
da última versão eram de aço e vieram com os vãos prontos
das esquadrias e portas.
Na opinião do engenheiro Bruno Szlak,
da Frigieri & Szlak, os painéis estruturados em metal
são mais resistentes e oferecem confiabilidade maior
do que os perfis de madeira, utilizados na versão anterior.
“Há grandes empresas, como a Companhia Siderúrgica Nacional,
interessadas em ingressar nesse mercado, o que deve
facilitar ainda mais a montagem de casas desse tipo”,
revela Szlak.
Para o engenheiro Hélcio Hernandes,
da Steel Frame, empresa que desenvolveu o projeto estrutural
da Casa Contemporânea, essas novas possibilidades de
fornecedores de perfis é bastante interessante para
a difusão do conceito. Ele explica que, no Brasil, ainda
não havia projetos em steel frame, desenvolvidos até
agora de acordo com as normas do Instituto Americano
do Aço. A Casa Contemporânea, explica Hernandes, tem
uma estrutura que atua de forma monolítica - os perfis
e painéis estruturais trabalham em conjunto, dando rigidez
à residência.
As esquadrias de alumínio são
colocadas posteriormente apenas com parafuso e vedação
com espuma de poliuretano, que, além de isolante, corrige
eventuais imperfeições dos painéis estruturais. As portas
também são montadas facilmente, pois vêm com as ferragens
pré-colocadas. Com isso, elimina-se o trabalho artesanal
do marceneiro e do serralheiro na montagem de esquadrias
e portas.
Montada a estrutura da casa, as vedações
foram feitas internamente com o uso de um sistema de
gesso acartonado, o dry wall, composto por duas placas
de gesso acartonado preenchidas internamente com
lã de vidro, formando um conjunto com isolamento
termoacústico adequado. As placas isolantes são colocadas
também entre o forro e a cobertura, visando melhorar
o desempenho termoacústico da edificação. Além disso,
uma membrana impermeável em seu lado superior e permeável
no interior é inserida entre o forro e o telhado, aumentando
a estanqueidade à água externa e permitindo, ao mesmo
tempo, a troca de ar da residência.
Segredos aparentes
Os visitantes da última Fehab puderam
observar, como nas outras ocasiões, os segredos desse
e dos principais sistemas utilizados, com parte da parede
sem vedação. Perfis, placas e isolamento termoacústico
ficaram à mostra, desvendando suas características.
Isso também ocorreu com as instalações hidráulicas,
com a exibição, em parte das paredes, do sistema de
tubos reticulados de polietileno e da caixa de
encaixes metálicos onde ocorre a junção dos tubos à
rede hidráulica.
A vedação externa recorreu este
ano às placas cimentícias, que podem receber
qualquer tipo de revestimento - na versão mais recente
foi escolhida a tinta acrílica, em vez do siding (tipo
de revestimento) vinílico de edições passadas. As eventuais
trincas e fissuras que poderiam surgir em virtude da
movimentação das paredes são evitadas com a aplicação
de telas plásticas sobre as juntas.
O melhor revestimento para essas
placas, porém, são as argamassas texturizadas,
por serem mais “integradas” ao material e oferecerem
uma estética mais agradável, de acordo com o fabricante
dos painéis de cimento. Os idealizadores da Casa Contemporânea
confirmam a provável entrada de uma grande multinacional
também nesse segmento de placas cimentícias, o que deve
elevar a oferta disponível e, talvez, diminuir custos.
As instalações hidráulicas adotaram
um sistema flexível em polietileno reticulado,
com engates metálicos nos pontos principais de conexão.
As vantagens apregoadas para esse sistema em comparação
aos convencionais são a maior resistência que apresenta,
devido a sua flexibilidade, e a facilidade de instalação
e manutenção. Furou ou quebrou em um ponto? Basta desconectar
a mangueira do ponto de engate e substituí-la, sem que
seja necessário quebrar paredes, com o trabalho e os
custos decorrentes. As instalações elétricas da CCB
2000 são convencionais, porém com um toque de modernidade.
Um controle informatizado, batizado
de home automation, permitia controlar desde
os sensores de presença até a iluminação de ambientes,
ar-condicionado e calefação, entre outros. Na cobertura,
outro diferencial: a casa recentemente apresentada teve
telhas metálicas zipadas, importadas, que - segundo
os fornecedores - permitem total estanqueidade.
A montagem da casa ficou a cargo da
construtora paulistana Seqüência, que praticamente abandonou
as obras pelo sistema convencional para especializar-se
nessa modalidade da construção (veja o quadro), e consumiu
cinco dias para sua finalização. Em condições normais,
porém, uma casa desse tipo, com cerca de 200 m2, exige
pelo menos cem dias para sua montagem, explica o arquiteto
Alexandre Mariutti, diretor da Seqüência. Devido à escala
ainda bastante diminuta de produção dos componentes,
residências montadas com esse sistema têm custo semelhante
ao de construções convencionais, de acordo com Mariutti.
“A vantagem é o prazo, muito mais rápido, e a qualidade
dos materiais empregados”, compara.
A Casa Contemporânea Brasileira, tal
como apresentada na Fehab, teve ainda um núcleo temático,
com a história de alguns dos principais sistemas
construtivos utilizados no Brasil, ao longo de 500
anos.
(Edição 245 - julho 2000)
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