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O conforto térmico no interior das edificações
depende de aspectos como insolação,
ventos dominantes e características do entorno,
além do posicionamento do edifício no lote,
tipo de fachada, espessura de paredes, dimensão
das aberturas e materiais empregados.
O sistema de ar condicionado é recurso complementar
que, quando bem planejado, ajuda a garantir o bem-estar
com custos reduzidos de operação e
manutenção.
Segundo Simon Levy, consultor técnico da Associação
Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado,
Ventilação e Aquecimento (Abrava),
o ideal é que o sistema de refrigeração
seja desenvolvido juntamente com o projeto da edificação,
independentemente de seu porte.
Dessa forma é possível adotar opções
mais eficientes, reduzir interferências com
outros sistemas, prever necessidades elétricas e
escolher equipamentos que garantam a melhor relação
custo/benefício para cada empreendimento.
Se o projeto de arquitetura for desenvolvido previamente,
dificilmente o projeto de ar condicionado poderá
contemplar todos esses aspectos. Isso implica a necessidade
de adaptação às condições
impostas, o que nem sempre garante bons resultados. Além
disso, o projetista prevê os recursos adequados para
renovação e filtragem do ar, além de
dar tratamento diferenciado a ambientes que apresentam demandas
especiais, como hospitais, teatros, salas de reuniões
ou CPDs.
“O arquiteto precisa do respaldo da engenharia para alcançar
as melhores soluções e os menores custos”,
afirma Levy. No caso dos aparelhos de janela, convém
ao menos buscar orientação para a escolha
do modelo junto da equipe técnica do fabricante.
É importante destacar que qualquer relação
entre a capacidade do sistema e a área a ser atendida
serve exclusivamente como referência inicial, uma
vez que a especificação correta depende da
configuração física do espaço
e de sua carga térmica, dado que varia em função
da incidência solar e do calor gerado por pessoas
e equipamentos. Considerando uma carga térmica média,
pode-se dizer que uma tonelada de refrigeração
é o suficiente para áreas entre 18 e 20 metros
quadrados.
O engenheiro Carlos Kayano, diretor da Thermoplan, empresa
de projetos e consultoria, chama a atenção
para a importância de ouvir o autor do projeto
de ar condicionado em duas situações.
A primeira é na ocupação do espaço
em prédios novos. “Geralmente os projetos são
feitos considerando pavimentos abertos; portanto, precisa
haver adaptações em acordo com a distribuição
de salas fechadas e divisórias, para que o zoneamento
do ar leve em conta as variadas cargas térmicas”,
diz.
O mesmo vale sempre que forem realizadas mudanças
de layout em escritórios, uma vez que a remoção
e a colocação de divisórias, mesmo
que pequenas, interferem no funcionamento do sistema. “O
profissional redistribuirá as bocas de saída
de ar e fará adaptações para atender
à nova ocupação e evitar a formação
de bolsões quentes ou frios”, ele detalha.
Opções no mercado
De acordo com Levy, o princípio de funcionamento
dos sistemas de ar condicionado é o mesmo que o da
geladeira. Ambos são compostos por compressor
e condensador (partes ruidosas do equipamento) e também
pelo evaporador (silencioso). Os sistemas dividem-se em
duas modalidades de expansão do ar frio.
Os de expansão direta são aqueles em
que o gás refrigerante é o responsável
pelo resfriamento do ar injetado no ambiente, como ocorre
nos aparelhos de janela e nos equipamentos do tipo split.
Os de expansão indireta são aqueles
em que o gás refrigerante resfria a água que
circula pelo sistema, sendo esta a responsável pelo
resfriamento do ar. Esse é o funcionamento das centrais
de água gelada.
Independentemente da opção feita, o bom ar-condicionado
é aquele que promove o conforto térmico, passando
despercebido.
O sistema mais simples disponível no mercado é
o chamado aparelho de janela, que tem todos os seus
componentes instalados num único volume. Sua potência
é medida pela unidade inglesa British Thermal Unit
(BTU/hora). Os modelos compactos encontrados atualmente
nas lojas de eletrodomésticos já apresentam
consumo de energia elétrica bastante inferior, em
comparação com as versões antigas.
Porém, como trabalham com baixas capacidades, seus
níveis de perda são os maiores dentre todos
os tipos.
Em projetos que empregam apenas duas ou três unidades,
a diferença no consumo de energia tem menor impacto,
também relacionado ao número de horas de uso
diário e às temperaturas médias da
região. “De modo geral, é uma solução
simples e barata para situações em que um
investimento maior não compensa ou quando não
é possível usar outro sistema”, entende
Levy.
Os aparelhos compactos estão disponíveis em
versões de menor potência, na faixa de 7 mil
BTUs, até os de grande capacidade, com 30 mil BTUs.
Os primeiros são indicados para ambientes de dez
a 15 metros quadrados. Os mais potentes atendem a áreas
de até 60 metros quadrados, porém seu uso
deve considerar a distribuição desigual do
ar pelo ambiente e a formação de bolsões
quentes, alerta Kayano. Os equipamentos de capacidade intermediária,
na faixa dos 18 mil BTUs, são próprios para
espaços com cerca de 30 metros quadrados.
De acordo com Kayano, a instalação do aparelho
de janela é simples, mas requer atenção
para alguns pontos importantes, como a existência
de uma parede externa e de estrutura que suporte o peso
do equipamento, inclinação correta para a
drenagem da água pelo lado externo, disponibilidade
de circuito elétrico independente e uso de disjuntor
de capacidade compatível com a máquina. Também
é importante prestar atenção às
informações do selo Procel, que indica o consumo
do aparelho.
Sistemas do tipo split
A potência dos aparelhos do tipo split é medida
em BTUs/hora ou por tonelada de refrigeração
(TR) - 1 TR equivale a 12 mil BTUs/hora. A principal
característica desse sistema é a instalação
das partes ruidosas do equipamento em áreas externas,
deixando apenas a unidade evaporadora no interior dos ambientes,
instalada no forro ou em paredes. Segundo Levy, outras vantagens
estão na possibilidade de controle individual e nos
compressores de alta eficiência.
De acordo com Kayano, existem splits em que uma máquina
externa atende uma, duas ou três evaporadoras. O sistema
multisplit é o que apresenta uma máquina
externa para até 30 ou 40 unidades internas, dependendo
da capacidade necessária em cada ponto. Esse tipo
possui uma central que distribui o gás refrigerante
em volumes individuais para cada espaço.
Kayano informa que, em sistemas multisplit, o projeto permite
dispor as unidades até cem metros lineares distante
uma da outra; também se pode trabalhar com uma diferença
de 50 metros de altura entre as unidades condensadora e
evaporadora.
A ligação entre as partes interna e externa
é feita por meio de dutos e quanto maior a distância,
maiores serão as perdas do sistema.
Segundo Levy, os equipamentos do tipo split estão
substituindo rapidamente os aparelhos de janela e também
já disputam mercado com os sistemas centrais. “Dentro
de algum tempo, o custo dos splits de grandes capacidades
se tornará mais acessível e esse tipo de sistema
ganhará mais espaço ainda”, prevê.
A explicação está no conforto que ele
proporciona e na grande oferta de produtos, o que requer
atenção para as diferentes capacidades e procedências.
Essa popularidade, no entanto, tem levado alguns arquitetos
a cometer o engano de acreditar que o split é a resposta
para todas as necessidades. Como acontece com qualquer
equipamento, as condições gerais é
que definirão se seu uso é adequado à
edificação.
“São muitas variáveis a considerar. Por isso,
não existe uma solução única
que sirva para qualquer tipo de projeto”, alerta Kayano.
De acordo com o engenheiro, o sistema split requer espaço
para a instalação de equipamentos internos
e externos e infra-estrutura elétrica coerente
com a potência das várias máquinas,
itens nem sempre disponíveis nas edificações.
Outra questão importante a observar é que
a maioria dos splits não prevê a troca do ar
nos ambientes. “Somente modelos especiais renovam o ar”,
afirma Levy.
Nos demais casos, essa operação requer um
sistema à parte e também demanda espaço
e infra-estrutura, completa Kayano. Quando o sistema de
ar condicionado é previsto para atender o edifício
integralmente, as instalações centrais têm
custo inferior ao do split. Além disso, quando o
sistema é concentrado, evita-se o superdimensionamento
necessário para que os aparelhos unitários
atendam às diferentes condições térmicas
de cada fachada ao longo do dia: o sistema central já
prevê essa compensação sem que isso
implique maior capacidade operacional.
O split é considerado uma boa opção
para edifícios de escritórios ou consultórios.
“Se há muitos donos, é melhor partir para
soluções individuais, pois o sistema central
causa problemas no rateamento das despesas”, completa Kayano.
Centrais de água gelada
As centrais de água gelada também evoluíram
nos últimos anos. O desenvolvimento de novos componentes,
como os compressores rotativos, levou a uma significativa
redução no consumo de energia elétrica.
Os equipamentos disponíveis no mercado em 1990 tinham
consumo médio de 1,2 KW/TR; dez anos depois, essa
média já estava em 0,55 KW/TR. Entre as vantagens
do sistema central está a concentração
da grande carga elétrica junto do chiller, o que
dispensa tomadas especiais em outros pontos da edificação.
O ar-condicionado central é o mais adequado para
projetos que prevêem o insuflamento de ar pelo piso
ou o chamado “teto frio”, um novo sistema, ainda pouco
usado no Brasil, em que a difusão do ar é
feita por meio de forro metálico com serpentinas.
A água gelada corre por esses pequenos canais, promovendo
o resfriamento do ar por irradiação.
“É uma espécie de calefação
ao contrário”,
resume Kayano.
Nos sistemas centrais, a água é resfriada
no chiller, instalado na casa de máquinas, e
dali segue para os andares por meio de dutos isolados
termicamente. A água utilizada retorna à central
e é novamente resfriada. Esse sistema pode ou não
ser combinado a tanques de termoacumulação,
complemento que permite a fabricação e o armazenamento
de gelo nos horários em que as tarifas de energia
são menores e sua utilização nos horários
de pico, quando a eletricidade é mais cara. A termoacumulação
é indicada para projetos a partir de 500 TR por hora.
O investimento inicial nesse sistema é mais alto,
porém seu custo operacional é o mais vantajoso.
Devido ao tamanho dos equipamentos, deve-se reservar espaço
para sua acomodação, operação
e manutenção; o peso das máquinas e
dos tanques também deve ser considerado, pois é
dado importante para o projeto estrutural da edificação.
Isso significa que o sistema central deve ser previsto na
fase inicial do projeto de arquitetura.
Com ou sem termoacumulação, os sistemas centrais
tornam-se mais econômicos quando empregam as válvulas
de volume de ar variável (VAV) dotadas de
sensores que captam as variações de temperatura.
“Se ela está mais alta, a VAV abre automaticamente;
se está mais baixa, ela fecha”, finaliza Kayano.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 297 Novembro de 2004
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