ARQUITETURA INDUSTRIAL
Fábricas de fábricas
A arquitetura de edifícios industriais vem sendo renovada muito mais pela introdução de novos materiais e tecnologias do que por formas e estéticas inusitadas
 
De acordo com os arquitetos Conrado J. Garcia Ferrés e Jorge A. Beraldo, da Intarco, empresa paulista de projetos que atua com projetos industriais, os sistemas utilizados hoje no Brasil são muito similares aos da Europa e EUA e, cada vez mais, a execução desses prédios se aproxima de uma montagem de peças.

O cliente, segundo os arquitetos, prefere construções práticas, de formas básicas, que possam ser executadas em prazos mínimos e a custos reduzidos; em geral, quer apenas uma cobertura com proteção lateral para abrigar sua indústria, pois precisa de retorno rápido do capital investido. Daí a repetição de soluções formais básicas, os caixotes, que servem para a maioria dos prédios industriais. A arquitetura mais sofisticada e representativa da empresa fica para o edifício de escritórios, quando ele não está incorporado à área de produção.

As inovações no setor surgem com produtos e técnicas racionais, destinados a coberturas e fechamentos laterais. O uso de produtos metálicos, alumínio ou aço galvanizado (ou zincado, ser vindo o banho de zinco como proteção contra a corrosão das chapas), é cada vez mais difundido. As 340 mil toneladas de chapas de aço laminado consumidas entre 1990 e 1991 saltaram para 800 mil em 1999.

As telhas metálicas são encontradas em perfis ondulados e trapezoidais, com diferentes espessuras e em várias ligas e acabamentos. Apresentam ainda dimensões variadas (podem chegar em bobinas à obra, onde são cortadas e preparadas de acordo com a necessidade do projeto) e cores naturais ou pintadas (pré-pintadas ou pós-pintadas). Por serem leves, as telhas metálicas reduzem o peso das coberturas, com vantagem no dimensionamento de terças e tesouras e no manuseio para transporte e montagem. A elevada resistência à corrosão atmosférica (principalmente das de alumínio) garante ao produto longa vida útil.

Pintadas de cores claras, as telhas metálicas aumentam o poder de reflexão dos raios solares incidentes e reduzem a temperatura dos ambientes onde são utilizadas. E, do ponto de vista estético, conferem aspecto moderno e decorativo. Segundo o engenheiro Jairo Lisbôa, membro da comissão técnica da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), como as ligas de alumínio apresentam grande resistência mecânica, as telhas podem ser fabricadas com chapas finas, o que as torna econômicas e seguras.

Elas são obtidas pelo processo de perfilação contínua, que otimiza os momentos de inércia e módulos de resistência da seção e possibilita o desempenho máximo do material. Devido a essas propriedades, pode-se empregar distância maior entre as terças, resultando em economia de estruturas e de fixadores. Na escolha das telhas, Lisbôa aconselha o uso das onduladas para estruturas em arco e das trapezoidais para telhados planos, por apresentarem maior momento de inércia e de resistência mecânica.

As telhas de fibrocimento, ainda muito adotadas (70% do mercado) devido ao custo reduzido, vêm tendo uma diminuição gradativa de uso nas construções, devido às sérias restrições de especialistas das áreas de saúde e ambiente ao amianto. Como solução, os fabricantes se preparam para o lançamento de novas linhas que substituam o material por reforços de PVA ou fiberglass. A condenação do amianto é, aliás, uma das razões que justificam o crescimento do mercado de telhas metálicas (uma exigência nas unidades industriais estrangeiras), tanto para coberturas quanto para fechamentos laterais.

O engenheiro Márcio Mattoso Guimarães, da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), lembra que, no cálculo do custo final da obra, é importante ter em vista um tipo de telhado que prescinda de manutenção. Nesse aspecto, as telhas metálicas levam vantagem, mas, segundo o engenheiro, só conhecendo o comportamento do material podem-se obter melhores resultados com menor custo. Assim, ele salienta que, para a correta colocação do telhado, é imprescindível o cálculo da força do vento (de sucção) sobre as telhas. Normas da ABNT já fazem algumas especificações e, em dois anos, o governo e as entidades do setor conferirão marca de conformidade para os melhores fabricantes.

Um dos tipos de telhas mais utilizados em edifícios industriais de grandes dimensões são as zipadas (em aço ou alumínio), que garantem estanqueidade e velocidade de execução. O limite de di mensão é o da possibilidade de transporte, em geral em rolos de chapas de 12 m de largura. Elas chegam à obra em bobinas, que podem vir pintadas ou não, e lá são cortadas no tamanho necessário e preparadas com o formato solicitado pelo projeto. Como as telhas são praticamente peças únicas (as junções são zipadas, isto é, unidas, dobradas e apertadas in loco por máquina especial), não há necessidade de serem sobrepostas, como no caso das telhas onduladas, senoidais e trapezoidais. A cumeeira também não precisa ser alta, podendo o caimento do telhado ser de até 0,5%. Isso reduz, inclusive, os custos da estrutura de apoio, seja ela de metal ou de concreto.

Fechamentos
O mesmo sistema de telhas zipadas é usado também para os fechamentos laterais. Caso a proteção termoacústica seja requerida, pode ser feita no local, com o material especificado pelo arquiteto - lã de vidro ou poliuretano -, protegido internamente por uma segunda chapa metálica lisa. A telha autoportante é também usada para cobrir grandes vãos sem necessitar de apoios. Para estruturas menores, há vários outros tipos de telhas metálicas - com isolamento termoacústico, sanduíche com poliuretano injetável, de forma trapezoidal de um lado e liso do outro.

A Roll-On também chega à obra em rolo, mas tem dimensão diferente (1,20 m x 0,80) e é preparada e montada (não zipada) na obra. Ela forma uma calha entre as treliças, todas com 1,20 m de largura, e no local das emendas são colocados rufos. Esse tipo de telha não pode ser usado nos fechamentos. As telhas de PVC, por serem translúcidas, são empregadas apenas para garantir iluminação e ventilação. Colocadas geralmente no alto, junto à cumeeira, permitem a iluminação e as trocas térmicas necessárias aos locais de trabalho. São menores, mais frágeis e apropriadas para pequenas áreas. Com a mesma função, os edifícios industriais utilizam mais comumente os ventiladores zenitais, colocados nas cumeeiras.

Já as coberturas e fechamentos em peças de concreto pré-moldadas (vencem vãos de 12 m a 15 m), mais pesadas, são usados em ambientes ocupados por máquinas de grande porte. Em geral, os pré-moldados são mais utilizados na execução da infra-estrutura e dos mezaninos de prédios industriais. Nos fechamentos e coberturas são empregadas telhas metálicas, por serem mais leves, práticas e reduzirem em 30% o tempo de entrega da obra.

Um tipo mais evoluído de fechamento lateral de concreto pré-moldado in loco já em uso no Brasil é o sistema Tilt-up. Depois de executada, a laje do piso do prédio passa a servir de molde para as peças de fechamento das fachadas. O sistema é econômico por que elimina a necessidade de pilares e vigas.

 
Fábrica Solectron, em S. José dos Campos-SP:
pré-fabricados de concreto da Munte
 
Flextronics, em Sorocaba-SP:
painéis modulares pré-fabricados em concreto, da Reago
 
Cobertura na fábrica das Indústrias Grendene,
em Sobral-CE: telha trapezoidal da Eucatex
 
 
Entresposto alfandegário em Sorocaba-SP:
detalhe de acabamento em pecas curvas da Haironville
 

Sistema de telhas, para cobertura e vedação lateral
 
Fábrica da ANC, em Extrema-MG: cobertura e fechamentos laterais com pefis de aço galvanizado pré-pintado da Haironville. Detalhes dos acabamentos curvos, nas extremidades
 
Unidade da Quartzolit, em Sorocaba-SP: telhas
de aço da Haironville na cobertura e fechamentos
 
Painel isolante Lam: proteção térmica e acústica
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