Divisórias

 
Critérios para especificar
divisórias piso-teto e painel
 

Os profissionais encontram no mercado grande oferta de divisórias, em modelos simples ou com tecnologia de ponta, fabricados com diferentes capacidades técnicas e em inúmeras opções de materiais e acabamentos. Nem sempre é tarefa fácil identificar em meio a esse leque quais os produtos mais indicados para cada caso. A revisão das normas técnicas referentes a móveis de escritórios deu atenção ao problema e estabeleceu novos parâmetros que permitem ao arquiteto especificar o equipamento mais adequado às necessidades do cliente.

“As normas de divisórias foram separadas em duas frentes, que classificam o produto em função de sua altura e unificam a nomenclatura para facilitar o entendimento entre consumidores e fornecedores”, explica Clovis Bucich, professor do Departamento de Engenharia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador da comissão de estudos sobre normas de mobiliário, organizada no âmbito do Comitê Brasileiro do Mobiliário (CB-15) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As divisórias do tipo painel, com alturas a partir de 90 centímetros, são regulamentadas pela NBR 13.964/2003 (Móveis para Escritórios - Divisórias Tipo Painel). Já as do tipo piso-teto passaram a ter normalização específica com a NBR 15.141/2004 (Móveis para Escritórios - Divisórias Tipo Piso-Teto).

Segundo Fernanda de Campos de Andrade, coordenadora de design e normalização da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e secretária técnica do CB-15, a norma estabelece requisitos mínimos de qualidade e segurança para ambos os tipos de divisória, e por isso devem ser observadas. “A adesão é voluntária, mas se elas não forem seguidas a responsabilidade no caso de problemas ou acidentes caberá ao especificador, e não ao fabricante”, alerta.

Divisórias do tipo painel
A NBR 13.964/2003 foi a primeira norma trabalhada no processo de revisão. Foram padronizadas as alturas possíveis com base nas medidas dos armários, por sua vez fundamentadas em critérios ergonômicos (leia o quadro Classificação das divisórias do tipo painel). Quanto aos materiais utilizados em sua fabricação, não se restringiu nenhuma opção, mas foram definidas características básicas para eles, detalha Darione Franco, representante de uma das empresas paulistas que participaram da comissão de revisão das normas. A primeira delas é ser auto-extinguível, qualidade dos produtos que não propagam chamas - entre os quais estão os aglomerados de madeira, chapas MDF, metais, vidros, espumas e plásticos especiais, além de tecidos com tratamento antichama.

A segunda refere-se aos metais empregados e alerta para a necessidade de proteção contra a corrosão galvânica ou para o cuidado de evitar o contato direto entre metais de polaridades diferentes. “Se o perfil é feito com um tipo de metal, os parafusos com outro e a polaridade deles é diferente, vai haver uma reação química nos pontos de contato e isso pode comprometer a estabilidade da divisória”, explica Franco.

Componentes em vidro também foram abordados na norma. Ela determina o uso de vidros especiais de segurança nos casos em que o material é instalado em alturas inferiores a 0,75 metro em relação ao piso ou em panos a qualquer altura, mas com uma das medidas igual ou superior a 1,5 metro. “As especificações do vidro de segurança são definidas em comum acordo entre o fornecedor e o consumidor”, ele completa.

De acordo com Tomás Berlanga, profissional da arquitetura de interiores que atua em São Paulo, o mercado oferece painéis com espessuras que variam de 2,5 a dez centímetros. A escolha depende de fatores como a existência de piso elevado e a capacidade necessária para cada posto de trabalho. “Os de 2,5 centímetros geralmente têm uma placa só e, portanto, não permitem a passagem de cabeamento em seu interior”, detalha Berlanga. Essa modalidade de divisória painel é normalmente indicada para casos em que as redes de elétrica e telecomunicações sejam distribuídas pelo vão do piso elevado ou do forro. Já os modelos com duas placas oferecem diferentes capacidades para a passagem das instalações em seu interior, permitindo complementar a rede que corre horizontalmente ou comportá-la na íntegra.

A estrutura para o alojamento dos cabos também varia e não está necessariamente ligada à espessura. É possível encontrar divisórias do tipo painel menos espessas e com capacidade técnica superior à das mais largas. As opções mais finas resultam no melhor aproveitamento da área e reduzem o desperdício do espaço, cujo preço por metro quadrado representa grande custo para o cliente.

Segundo Berlanga, alguns fabricantes oferecem modelos básicos e comercializam como opcionais os acessórios internos que sustentam os cabos. “Isso permite escolhas mais adequadas às necessidades de cada projeto”, ele destaca. As passagens podem ser internas ao painel ou em dutos independentes atrelados a ele. Em ambos os casos, deve-se garantir fácil acesso às instalações. Itens como calhas, bandejas e tomadas complementam o sistema.

A norma deixa de lado a questão acústica das divisórias do tipo painel. “Não faz sentido falar em isolamento acústico se a divisória não chega até o teto. Nesses casos, a finalidade básica é determinar a privacidade visual”, explica Bucich. “Ainda mais com a tendência de usar painéis com alturas cada vez menores”, completa Berlanga. Embora não tenham a capacidade de isolar sons, as divisórias painel podem ser combinadas a soluções de piso e de forro para resultar num ambiente mais confortável acusticamente.

Num posto de trabalho, o ruído emitido fica na faixa entre 40 e 65 decibéis, o que abrange tarefas como digitação e conversas por telefone em tom de voz normal. Quando a cabeça do usuário fica acima da altura da divisória, a absorção de ruídos pelos painéis abrange somente as tarefas manuais no plano de trabalho, e qualquer conversa em tom de voz um pouco mais elevado interferirá com quem está ao lado. Se melhores condições acústicas são desejáveis, uma boa opção é empregar painéis mais altos, revestidos em tecido até certa altura e com fechamento em vidro na área superior, garantindo a visibilidade da área. “O vidro é um bom isolante e essa combinação vai melhorar o desempenho acústico”, conclui Berlanga.

Convém lembrar que as normas proíbem que os apoios das divisórias não-parafusadas ao piso invadam áreas de circulação e rotas de fuga.

Divisórias piso-teto
A NBR 15.141/2004 abrange o uso das divisórias do tipo piso-teto, até então normalizadas pelo Comitê de Construção Civil da ABNT. “Elas podem ser fornecidas por fabricantes de mobiliário, mas não têm caráter de móvel. Atualmente, o que vemos são prédios com andares livres que têm ambientes construídos com essas divisórias. E muitas vezes elas chegam com a missão de corrigir ou disfarçar problemas construtivos, como desníveis e cantos fora de esquadro”, detalha Bucich.

As divisórias piso-teto devem responder com muito mais responsabilidade que as do tipo painel aos requisitos acústicos, térmicos, lumínicos, de prevenção à propagação de incêndio e na preservação de rotas de fuga. Por essa razão, a NBR 15.141/2004 referencia diversas outras normas existentes e constitui um volume de páginas bem menor que a 13.964/2003. “Cabe ao fabricante providenciar os ensaios devidos com base nessas outras normas e ao especificador escolher produtos que as atendam”, esclarece Bucich.

Além das referências, a norma abrange também características de materiais de fabricação e tecnologias de montagem. As exigências relativas aos materiais são as mesmas que se aplicam às divisórias do tipo painel. Eles devem ser auto-extinguíveis e ter proteção contra corrosão galvânica, além de observar os mesmos cuidados na especificação dos vidros. As tecnologias de montagem são divididas em seis classificações, duas das quais definem aspectos desejáveis em situações de mudanças de endereço ou layout (veja o quadro Tecnologias de montagem das divisórias piso-teto).

As espessuras das divisórias piso-teto variam entre 20 milímetros (seção do menor conduíte disponível no mercado) e cem milímetros. “Quando se usam cabos blindados, o vão entre as faces da divisória pode ser ainda menor, pois eles dispensam condutores”, lembra Franco. Segundo ele, grandes volumes de cabos podem ser acomodados em um shaft acessório, estrutura vertical para passagem, que não interfere com os módulos adjacentes.

Os modelos mais largos são os mais indicados para a passagem de cabos em escritórios onde não exista o recurso do piso elevado ou malha de calhas embutidas no piso. Sob o ponto de vista da acústica, o modelo mais espesso não significa melhor desempenho. “A espessura exagerada às vezes disfarça a falta de tratamento acústico, uma vez que com vão maior obtém-se desempenho melhor. Às vezes, um modelo de 40 milímetros oferece o mesmo resultado acústico que um de cem. Alguns fabricantes desenvolvem tecnologia, outros apenas distanciam uma chapa da outra”, afirma Franco.

O isolamento acústico necessário varia de um projeto para outro e também de acordo com o tipo de ambiente que se pretende isolar. Segundo Franco, uma boa referência para garantir conforto acústico está no livro Ruído - Fundamentos e controle, do professor Samir N. Y. Gerges, da Universidade Federal de Santa Catarina (veja o quadro Atenuação de ruídos - condições de privacidade das divisórias).


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 306 Agosto de 2005

 
A imagem que ilustra a NBR 13.964/2003, da ABNT,
mostra a relação entre as divisórias do tipo painel e o usuário sentado ou de pé
 
Classificação das divisórias do tipo painel
Baixa Até 0,9 metro de altura. Proporciona privacidade visual limitada. Permite que o usuário sentado visualize o colega ao lado
MédiaAté 1,40 metro de altura. Proporciona privacidade visual parcial. A visualização do ambiente só é possível quando o usuário está de pé
AltaAté 1,80 metro de altura. Proporciona privacidade visual total. Normalmente não permite a visualização do ambiente, mesmo que o usuário esteja de pé
Extra-altaQualquer outra divisória do tipo painel com altura superior a 1,80 metro
Fonte:
Abimóvel
 
Tecnologias de montagem
das divisórias piso-teto
Parcialmente reutilizávelAlguns de seus componentes descartáveis nos processos de remanejamento*
Totalmente reutilizávelPrevê o reaproveitamento de todos os componentes nos processos de remanejamento*
Saque frontalPermite a montagem e desmontagem independente de uma face do módulo, sem
interferir nas adjacências, facilitando os processos de manutenção
Divisória com passagem
de fiação
Permite a passagem dos cabos no vão formado
pelas duas faces
Divisória com rodapé
eletrificável
Permite a passagem de cabos pelo rodapé por meio de canaletas com tampas que possam ser removidas sem interferir com outros componentes do conjunto
Divisória
com coluna
eletrificável
Permite a passagem de cabos por uma seção vertical por meio de canaletas com tampas que possam ser removidas sem interferir com outros componentes do conjunto
Fonte:
NBR 15.141/2004
*Não considera os elementos de fixação
das divisórias a paredes, piso e teto
 
Atenuação de ruídos - condições de privacidade das divisórias
AtenuaçãoCondição acústica da parede Classe de (privacidade)Classe de (privacidade) isolamento
<30 dB (A)Conversação normal, 65 dB (A) - facilmente Fraca audível com alto índice de inteligibilidadeFraca
30 - 35 dB (A)Conversação em voz alta, 75 dB (A) - audível Razoável com bom índice de inteligibilidade; conversação normal - 65 dB (A) - razoavel- mente entendida Razoável
35 - 40 dB (A)Conversação em voz alta, 75 dB (A) - audível com baixo índice de inteligibilidade; conversação normal, 65 dB (A) - audível com baixo índice de inteligibilidadeBoa
40 - 45 dB (A)Conversação em voz alta, 75 dB (A) - pouco audível; conversação normal, 65 dB (A) - não pode ser escutadaMuito boa
45 - 50 dB (A)Conversação em voz alta, 75 dB (A) - não é audívelÓtima
> 50 dB (A)Conversação em tom de voz bastante alterado, 85 dB (A) - fracamente audível e com baixo índice de inteligibilidadeExcelente
Fonte:
Livro Ruído - Fundamentos e controle, de Samir N. Y. Gerges
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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