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O edifício Yervant Kissajikian, em São
Paulo, é a primeira construção comercial
a utilizar um sistema de recuperação de fachadas
que prevê a instalação de perfis
de alumínio sobre a antiga caixilharia,
resgatando sua qualidade estética com custos compensadores.
Caixilhos de edifícios antigos, que possuem boa estrutura
mas superfície desgastada pelo tempo, já podem
ser totalmente renovados. O primeiro exemplo da aplicação
desse novo conceito de recuperação de fachadas
pode ser visto no edifício Yervant Kissajikian, localizado
na esquina das ruas Augusta e Luís Coelho, na região
da avenida Paulista, em São Paulo. Em fase de registro
de patente pela empresa Kiir, o sistema Retrofit é
indicado para fachadas-cortina convencionais, muito
utilizadas em projetos de edifícios comerciais desenvolvidos
até o final dos anos 1980.
A proposta consiste em revestir toda a caixilharia com
novos perfis de alumínio, com espessuras que
podem variar entre 1,2 e 1,8 milímetro. A ancoragem
desses perfis é feita por presilhas de náilon,
fixadas com parafusos de aço inoxidável. Inclui,
também, a troca das vedações e a substituição
dos quadros de janelas maxim-ar e todos os seus componentes.
Com essa espécie de capa sobre os antigos
caixilhos de alumínio, cerca de dois milímetros
das chapas de vidro ficam embutidas nos novos perfis, o
que mantém substancialmente o vão-luz original.
Mas há uma vantagem. “As fachadas dos edifícios
com mais de 20 anos possuem vidros fixados com massa, pois
o uso de gaxetas de EPDM é mais recente”, explica
Amílcar Crosera, diretor da Kiir. “Para esconder
as imperfeições da massa, o trabalho de recuperação
prevê a aplicação de silicone neutro,
que também garante total estanqueidade.”
O sistema criado pela Kiir resulta de estudos desenvolvidos
em parceria com profissionais do Departamento de Patrimônio
da Comercial Empreendimentos Brasil, empresa do grupo Induscred,
contratante da obra. Construído em 1975 pela Adolpho
Lindenberg, o edifício Yervant Kissajikian não
possuía sistema de ar condicionado, sendo a ventilação
feita por janelas maxim-ar. Destinado a dotar o prédio
de tecnologia atual, o projeto de renovação
substituiu os sistemas de telefonia, elétrica e elevadores,
além de instalar equipamentos de condicionamento
de ar. Com isso, foi reduzido o número de
quadros de vidro móveis na fachada.
“Foram deixadas apenas algumas maxim-ar para uma necessidade
eventual, pois o edifício passará a funcionar
com ar-condicionado”, explica o engenheiro Gustavo Loureiro,
coordenador de obra do Departamento de Patrimônio
da AK Realty. Para essas janelas foram fabricadas folhas
totalmente novas, com braços reversíveis,
inexistentes na época da construção,
e puxadores de maior pressão. Essa solução
melhorou a acústica do prédio, pois,
no vão do antigo caixilho, foram instaladas maxim-ar
para structural glazing, que fecham hermeticamente.
Outro ganho é a melhoria dos níveis
de isolamento acústico do prédio, pois
não há vãos por onde o som possa vazar.
“Ao se acrescentar os perfis de alumínio, os caixilhos
ganharam mais massa e originou-se uma câmara
de ar no espaço entre a caixilharia antiga e os novos
perfis”, explica Crosera.
Quando necessário, os vidros podem receber películas
de revestimento, que colaboram no isolamento térmico
e oferecem ganhos estéticos, dependendo das solicitações
do projeto de recuperação. No caso do Yervant
Kissajikian, foram mantidos os vidros originais, de oito
milímetros de espessura, nos 4.485 metros quadrados
da fachada.
Quanto ao acabamento dos perfis, é possível
escolher entre cantos retos e arredondados, com pintura
eletrostática ou anodização. Para Loureiro,
a solução adotada renovou a fachada,
solucionou problemas técnicos e gerou uma
economia de 65%, em comparação com
o custo da substituição total.
Há 15 anos no mercado de esquadrias, a Kiir é
especializada em obras de manutenção e recuperação
de esquadrias de alumínio.
Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 42 Setembro de 2005
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