Ricardo Julião Arquitetura e Urbanismo
Centro de artes da Escola Graduada, São Paulo-SP
 
Vidros especiais e tela solar
 

Projetada com vidros laminados refletivos de
10 milímetros e telas de proteção solar, a fachada do edifício do centro de artes da Escola Graduada assegura o desempenho térmico. Na face interna da fachada do primeiro andar foi utilizado vidros insulados triplos de 71 milimetros para assegurar o desempenho acústico das salas destinadas a cursos, atividades musicais e espetáculos.

Da função para a forma. Essa foi a premissa que o arquiteto Ricardo Julião seguiu para elaborar o projeto do centro de artes da Escola Graduada de São Paulo. Determinada a partir do programa de necessidades, que abrangia os espaços, o tratamento acústico e a luminotecnia, a concepção arquitetônica do Lemann Arts Center começou pela especificação das espessuras das paredes e portas. Na seqüência, foi desenvolvida a proposta das fachadas, com formas decorrentes dos espaços necessários para a realização das atividades artísticas, que vão da pintura à música. A face principal do edifício acompanhou o desenho das salas frontais, originando uma pele de vidro curva com proteção solar.

Com a expansão do número de alunos e das atividades, a Escola Graduada precisava ampliar suas instalações para abrigar, num único lugar, o ensino artístico e suas apresentações. A criação do centro de artes foi um desafio, lembra Julião, porque o terreno não suportava aumento de sua taxa de ocupação. A solução foi verticalizar o prédio do refeitório e cozinha industrial, sem interferir nas atividades.

Com 3 789 metros quadrados de área construída, o edifício do centro de artes possui térreo - onde estão o acesso e a recepção - e mais dois pavimentos. No primeiro andar encontra-se a área musical, com anfiteatro, salas de banda, de coral, de ensaios, escritórios técnicos, laboratórios e estúdios de gravação. E no segundo se situa o setor de artes plásticas: sala de pintura, escultura, cerâmica, desenho e galeria de artes para exposições dos alunos e de artistas convidados.

Controle solar
As primeiras instalações da Escola Graduada foram criadas na década de 1960. O arquiteto Telésforo Cristofani projetou na época uma edificação horizontal, com fachadas revestidas por tijolos cerâmicos, para abrigar a instituição de ensino bilíngüe. Para preservar essas características e harmonizar o novo e o antigo, Julião especificou para as faces laterais e posterior do centro de artes o mesmo revestimento de tijolos à vista. A fachada principal tem pano de vidro protegido por tela de controle de solar e painéis de alumínio composto nas extremidades.

A pele de vidro curva recebeu caixilhos fixos e maxim-ar, produzidos com vidros laminados refletivos, aplicados em perfis de alumínio da linha Cittá Due, com pintura eletrostática na cor branca. Os vidros foram encaixados com gaxetas de EPDM vulcanizadas nos cantos para garantir a estanqueidade da esquadria. A execução da estrutura metálica da tela e da caixilharia foi iniciada simultaneamente, mas a montagem dos caixilhos prosseguiu por mais tempo. A fachada foi realizada pela Instal em aproximadamente 90 dias.

Nas extremidades da fachada principal, duas torres abrigam os banheiros. Externamente, elas têm fechamento com painéis de alumínio composto na cor branca, instalados em uma estrutura de alumínio que se fixou na estrutura metálica do edifício, em alguns trechos, e na alvenaria, em outros. Para a vedação dos painéis, as juntas receberam silicone.

Como no centro de artes várias atividades ocorrem simultaneamente, o projeto de conforto acústico desenvolveu diferentes técnicas para tornar os ambientes estanques a ruídos. As portas chegam a ter 400 milímetros de espessura, as paredes são duplas, de concreto, e revestidas com materiais isolantes. Voltado para espetáculos e atividades musicais, o primeiro andar recebeu na face interna da fachada curva vidros insulados triplos de 71 milímetros (insulado de 27 milímetros + câmara de 20 milímetros + insulado de 24 milímetros). Eles asseguram o desempenho acústico das salas, segundo o engenheiro Marcos Costa, gerente comercial da Sociedade Comercial & Construtora, que executou a obra.

Coeficientes térmicos
Devido à posição da fachada principal - voltada para oeste/noroeste, onde a incidência solar é muito forte -, a pele de vidro recebeu laminado refletivo prata de dez milímetros, com os seguintes fatores: transmissão luminosa de 29,1%; reflexão luminosa de 23,1%; absorção energética de 55,5%; coeficiente de sombreamento de 0,437 e valor U 6,085. Além dos coeficientes térmicos dos vidros, dois outros fatores colaboram com o isolamento térmico do edifício: a tela de proteção solar, instalada na face externa da fachada, e o colchão de ar, formado entre a pele de vidro e o painel de proteção. Essas soluções também auxiliam na redução do consumo de energia do sistema de ar condicionado e controlam a luminosidade, que em excesso prejudicaria os usuários das salas de aulas frontais.

Com a função de quebra-sol, a tela Sunscreen forma um grande painel de 422 metros quadrados que sombreia toda a fachada principal. Composto de 13 módulos com 2,5 metros de largura por 13 de altura cada um, o brise foi instalado em uma estrutura metálica de aço. Para isso, o sistema desenvolvido pela Dinaflex utiliza perfis de alumínio com pintura eletrostática na cor branca, para fixar a tela aos cabos de aço tensionados. Tanto o perfil como o cabo percorrem continuamente toda a altura do painel.

Segundo o diretor da Dinaflex, André Mehes, os perfis de alumínio foram desenvolvidos para atender ao sistema de aplicação de tela externa. Por serem esbeltos, quase não aparecem na fachada, respondendo à estética do projeto arquitetônico. Os perfis são fixados na estrutura metálica através de parafusos de aço inoxidável. Na interface dos metais da estrutura metálica e do sistema de fixação foi utilizada a fita isolante Scotch Rap. “Como em cada módulo havia a impressão de letras que formavam o nome da escola, a montagem do painel deveria ser milimétrica, pois entre um módulo e outro havia o perfil da estrutura metálica de dez centímetros. Cada tela foi identificada com uma marcação horizontal e vertical, nas partes superior e inferior, que permitiu o nivelamento e a formação das letras”, explica Mehes.

Treliça espacial
A estrutura metálica para a instalação da tela foi projetada pela Statura Engenharia, a partir da concepção arquitetônica. Trata-se de uma treliça espacial, produzida com perfis de aço tubulares com pintura epóxi na cor branca. Para obter total estabilidade, os perfis posicionados a cada 2,5 metros foram soldados e parafusados em quatro pontos na estrutura principal do edifício. Conforme o engenheiro Luiz Cholfe, diretor responsável da Statura, essa estrutura espacial suporta a tela de proteção e é um elemento de transição de cargas. A treliça recebe os esforços da fachada e as cargas de vento e os transfere para a estrutura metálica principal da edificação.

Segundo o engenheiro Waldemar Ueda, da Statura, como o bloco do centro de artes foi posicionado sobre o edifício existente, a solução foi criar uma estrutura metálica, com lajes de concreto, e grande vão livre para cobrir o antigo prédio. A estrutura metálica foi a que melhor atendeu às necessidades de curto prazo de execução, grandes vãos, montagens rápidas. O espaço resultante entre a nova construção e a existente funciona como um andar técnico para abrigar o sistema de exaustão de cozinha e equipamentos de ar condicionado. Executada em dez meses, a obra tinha que ser rápida e não ultrapassar o período de férias escolares.

Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 42 Setembro de 2005

 
O bloco destinado ao centro de artes foi construído
sobre edificação já existente
 
Nas extremidades da fachada principal encontram-se duas torres revestidas com painéis de alumínio composto
 
A estrutura metálica para a instalação da tela é uma treliça espacial produzida com perfis de aço tubulares
 
A fachada acompanhou o desenho das salas frontais, originando uma pele de vidro curva protegida por tela de controle solar
 
No vão entre a tela solar e a pele de vidro formou-se um colchão de ar que auxilia no controle térmico do edifício
 
Os perfis metálicos foram soldados e parafusados em quatro pontos, ao longo da altura do painel, na estrutura principal do edifício
  
Elevação da pele de vidro curva e datalhes dos caixilhos fixos e maxim-ar
 
Elevação parcial

Ficha técnica
Obra:

Lemann Arts Center
Cliente:
Escola Graduada
Local:
São Paulo, SP
Projeto:
2002
Conclusão da obra:
2004
Área construída:
3.789 m2

Equipe técnica

Arquitetura:
Ricardo Julião Arquitetura e Urbanismo - Ricardo Julião, Renato Siqueira e Márcia Mourad (autores); Douglas Tolaine (coordenador); Hélio Nakagawa, Cilene Pilone, Suzana Andrade, Walmir Cunha, Erbes Duarte, Frederico Marques, Teresinha Vasconcelos e Ana Paula Berrocal (colaboradores)
Interiores e comunicação visual:
Ricardo Julião, Renato Siqueira e Márcia Mourad (autores); Marina Motin e Renata Belotto (equipe de interiores); Luciana Andrade, Tito Sanches, Górios Miguel Górios e Mariana Cavalcanti (equipe de comunicação visual)
Construtora:
Construção Sociedade Comercial
Estrutura metálica:
Statura
Tela de proteção solar:
Dinaflex (projeto e execução)
Fachadas:
Reinstal (fabricação e montagem)
Painéis de alumínio composto:
Alubond (usinagem)
Ar condicionado:
Arcoplan e Accord
Acústica:
Daltrini Granado
Instalações:
Grau
Fotos:
Maurício Pepê

 

Box 2
Vidros: Quovadis & Arquivetro/Glassec Estrutura metálica: Fam Steel Perfis de alumínio: Alcoa
Painéis de alumínio composto: Alcan Tela de proteção solar: Elubel/Uniflex Impressão na tela: TergoPrint
Fita isolante: 3M

 
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