| O mercado oferece
grande variedade de revestimentos para pisos de escritórios. A escolha
do melhor produto vai além dos padrões estéticos, devendo
levar em conta as características técnicas de cada um deles. Entre
as alternativas encontradas no mercado, destacam-se os carpetes, os pisos vinílicos,
os laminados e as opções em madeira, como tacos, parquê e
assoalhos. A praticidade do vinil Uma boa escolha
para pisos de escritórios são os produtos vinílicos, encontrados
na forma de mantas ou placas de diferentes formatos. A matéria-prima
para sua fabricação é o policloreto de vinila (PVC),
resina de aspecto semelhante à areia que é misturada a aditivos
para dar origem, entre outros, a embalagens, tubos e conexões, perfis,
portas, esquadrias e pisos. Nestes, entre os aditivos usados estão plastificantes
e modificadores de impacto, cujas funções são, respectivamente,
conferir maleabilidade e aumentar a resistência do material. De
acordo com Miguel Bahiense, diretor do Instituto do PVC, as características
dos pisos vinílicos os tornam apropriados para os mais diversos
ambientes internos, incluindo escritórios. Ele destaca a natural resistência
ao atrito, que aumenta se o material receber aditivos que conferem texturas antiderrapantes.
Boa capacidade de isolamento termoacústico e grande variedade de cores
e padrões, que permitem composições personalizadas, são
outras qualidades citadas por Bahiense - às quais se acrescentam a facilidade
de conservação, que requer apenas aspirador de pó, vassoura
macia e pano úmido, e a resistência aos produtos de limpeza encontrados
no mercado. Devido a sua composição (57% da matéria-prima
tem origem no sal marinho e 43% no petróleo), o PVC impede a propagação
de chamas. Isso significa que o piso vinílico não entrará
em combustão caso nele caia uma ponta de cigarro. “Se houver exposição
ao fogo, basta retirar a fonte para que ele se apague. A presença do cloro
dá essa característica antichama, que também pode ser melhorada
com o uso de aditivos para essa finalidade”, detalha Bahiense. Como a composição
do piso não inclui aditivos contra raios UV, não se recomenda o
uso em áreas externas ou expostas ao sol. As versões em
placas podem ser encontradas em diferentes medidas e formatos e
são assentadas com adesivo acrílico, à base de água,
ou betuminoso, de composição asfáltica. Uma de suas principais
vantagens é a facilidade de substituir partes danificadas sem afetar
o restante do revestimento. Já os pisos vinílicos em forma
de manta têm larguras que variam de 0,6 a dois metros, conforme o fabricante.
Sua instalação é feita com adesivo acrílico e as mantas
são fixadas a quente por meio de cordão de solda, o que evita
emendas aparentes e dá acabamento monolítico. Uma boa opção
para qualquer projeto é aplicar a manta até a altura do rodapé,
solução bastante empregada em ambientes hospitalares para evitar
acúmulo de sujeira nos cantos. No mercado nacional, tanto a manta como
as placas têm espessuras que variam de dois a 3,5 milímetros, o que
implica elevação máxima de seis milímetros para a
superfície após a aplicação. Os produtos importados
têm até sete milímetros de espessura. A boa instalação
depende de contrapiso completamente curado e base perfeitamente nivelada,
o que pode ser obtido com a ajuda de argamassas ou massas autonivelantes. Se a
base de assentamento for de qualquer outro material que não argamassa,
a superfície precisa receber preparação com produtos à
base de acetato de polivinila (PVA) a fim de garantir a aderência necessária
a sua fixação. O piso vinílico pode ser aplicado sobre
revestimentos preexistentes, mas convém verificar as possibilidades
garantidas pelo fabricante e suas instruções de procedimentos para
preparo da base, uma vez que o vinil pode “fotografar” a textura e as juntas daquilo
que está por baixo, alerta Bahiense. Algumas empresas proíbem a
aplicação sobre tacos ou assoalhos, por exemplo. “A madeira pode
abaular ou apodrecer devido a algum problema de vazamento ou de impermeabilização,
e isso vai comprometer o novo revestimento. Convém lembrar que a umidade
provoca o descolamento dos pisos vinílicos”, ele completa.
O primeiro conjunto de normas técnicas brasileiras sobre pisos vinílicos
deve ser publicado em breve. Até lá, sua especificação
segue as referências contidas na norma EN 685, da União Européia.
Os especialistas recomendam conversar com o fabricante a fim de escolher a classe
de produto mais indicada para cada aplicação. A categoria do revestimento
para pisos de escritórios é a 34, mais resistente aos rodízios
de cadeiras, móveis pesados e à circulação constante.
O conforto do carpete A reunião de diversas qualidades
tem mantido o carpete, ao longo dos anos, como uma das principais alternativas
para o revestimento de pisos de escritórios. Segundo Roberto di Fonzo,
presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Carpete
(Abric), dentre elas destacam-se a variedade de cores, a possibilidade de criar
produtos personalizados, o resultado estético e o conforto, traduzido
por suas boas características termoacústicas. “O carpete é
aconchegante no inverno, mais que qualquer outro material, e muito agradável
no verão, pois não transmite calor”, garante ele. Os carpetes
estão disponíveis nas versões rolo ou em placas com
medidas médias em torno de 50 x 50 centímetros. Essas placas podem
ser do tipo tuft, base com fio entrelaçado a ela e camada superior em buclê,
a mais indicada para alto tráfego. Também são encontradas
nos tipos pêlo cortado e agulhado (chamado grão de arroz), com superfície
de buclê, explica Fonzo. O uso das placas é especialmente indicado
para revestir o piso elevado, cuja função é deixar um
vão para a passagem das instalações. “A vantagem é
permitir a fácil substituição de partes danificadas”, afirma
Fonzo. Tanto as versões em rolo como em placas podem ser fabricadas
a partir de diferentes fibras. As opções mais comuns são
os fios de poliamida (náilon), usados na confecção de carpetes
de pêlo cortado ou buclê, e os de polipropileno, indicados apenas
para os do tipo buclê, detalha Fonzo. A poliamida tem melhor resiliência
(propriedade da fibra de voltar a sua posição natural após
compressão), enquanto o polipropileno apresenta maior resistência
à ação solar. Ambos impedem a propagação de
chamas e não emitem gases tóxicos quando em combustão.
Os carpetes em rolo possuem bases compostas por polipropileno e
resinas. Em placas, podem ter base betuminosa ou vinílica,
ambas de bom desempenho. A principal diferença entre elas está na
flexibilidade: a betuminosa é mais maleável e a vinílica
confere mais rigidez ao produto. Segundo Richard Pahl, chefe do Laboratório
de Têxteis e Confecções do Instituto de Pesquisas Tecnológicas
de São Paulo (IPT), não há no Brasil normas para a especificação
de carpetes. Os critérios disponíveis são os resultados
de testes, que devem atender às necessidades de cada projeto. “O arquiteto
pode pedir os laudos do produto ao fabricante, ou ainda eleger um carpete que
considera adequado, submetê-lo a ensaios e usar os resultados como ferramenta
de comparação em todas as compras que vier a fazer”, sugere Pahl.
Entre os itens examinados incluem-se determinação da massa, resistência
à abrasão e à limpeza profissional, alteração
dimensional após exposição à umidade. Para resolver
o problema, a Abric está dando início a um trabalho de normatização
de carpetes que, a princípio, deve estabelecer categorias em acordo
com a intensidade de tráfego, substituindo critérios estrangeiros.
Para avaliar a resistência nesse aspecto, uma referência usada no
mercado é a relação massa por metro quadrado. Ambientes com
grandes solicitações requerem produtos que tenham a partir de 500
g/m2. Em qualquer caso, a colocação de carpetes requer
superfícies planas, sem ondulações ou desníveis.
As placas são fixadas com colas não-secativas, isto é, podem
ser removidas e coladas novamente como um adesivo - característica que
viabiliza trabalhos de manutenção sob o piso elevado. Por sua vez,
o carpete em rolo pode ser aplicado com cola de neoprene ou ainda pregado
em ripas de madeira instaladas no rodapé. Nesse caso, o piso recebe
revestimento prévio com feltro, o que dá um toque mais suave ao
acabamento e possibilita o reaproveitamento do material em caso de mudança.
O carpete a ser instalado deve pertencer ao mesmo lote de fabricação,
cuidado que evita pequenas diferenças de tonalidade. A instalação
das placas pode ou não coincidir com as juntas do piso elevado,
porém alguns arquitetos consideram mais confortável quando isso
não ocorre. Outra possibilidade é instalar o revestimento em
sentido contrário ao do piso. As duas soluções evitam
que o carpete marque as juntas ou que a emenda apareça quando a superfície
se movimenta em função do peso sobre ela. A manutenção
do carpete é bastante simples, bastando aspiração freqüente
para evitar o acúmulo de pó. Limpezas mais profundas devem ser feitas
por empresas especializadas. A nobreza da madeira As qualidades
da madeira fazem com que assoalhos, tacos e parquês também
sejam considerados boas opções para o revestimento de pisos em áreas
especiais do escritório. Segundo Takashi Yojo, engenheiro pesquisador da
Divisão de Produtos Florestais do IPT, o desempenho desses itens
depende da escolha de fornecedores confiáveis, atentos especialmente
à importância do tratamento contra organismos xilófagos (cupins
e fungos que atacam a madeira) e da secagem das peças que serão
utilizadas. De acordo com Yojo, os processos de secagem devem levar
em conta a umidade relativa do ar média da cidade onde o material será
aplicado - em São Paulo, ela oscila entre 11% e 15%. Como esse indicador
varia bastante, convém evitar produtos que tenham sido processados em outras
localidades. Ainda segundo o engenheiro, se o teor de umidade da madeira for
inferior às médias da umidade do ar, o material tenderá a
retrair; se for superior, inclina-se à expansão. Por
isso, o índice de umidade ideal da madeira a ser usada na capital paulista
está em torno dos 13%. “A maioria dos problemas observados na madeira está
ligada a produtos com teor de umidade errado, e isso vale para qualquer item,
incluindo portas e janelas”, alerta o pesquisador. Outro cuidado importante
está ligado à fase de execução. Além
de perfeitamente plano, o contrapiso deve estar completamente curado antes
de receber o revestimento. Isso evita que a umidade perdida no processo de cura
venha a danificar o acabamento. Quanto maior o intervalo entre essas duas etapas,
menores serão as chances de problemas. “Os profissionais devem programar
as obras de modo que o contrapiso seja executado o quanto antes, deixando-se a
colocação da madeira para o último instante”, sugere
Yojo. A escolha da madeira para piso deve levar em conta características
do material, entre as quais estabilidade dimensional, interação
com o contrapiso e com o verniz de acabamento, dureza e taxa de abrasão,
além de fatores ambientais, tais como exposição ao sol e
ao ar-condicionado. Segundo Yojo, o ideal é optar por madeiras duras, tomando-se
como referência a peroba-rosa. “Se a dureza for equivalente ou superior,
é uma boa opção”, detalha. O pesquisador destaca o ipê,
mas também aponta pau-marfim, cumaru e jatobá como espécies
bastante adequadas para aplicação em pisos. As madeiras mais
duras são menos suscetíveis à passagem da água,
mas isso também dificulta a penetração do verniz. A que melhor
aceita esse acabamento, a peroba-rosa, é também a mais sujeita,
dentre as cinco, ao ataque de organismos xilófagos. A fixação
de tacos e parquês prevê sua imersão em água, seguida
por colagem com fina camada de adesivo próprio. Já os assoalhos
dispensam o processo de imersão, pois são presos por fixadores mecânicos
(pregos ou parafusos). Quanto mais larga a tábua, mais visíveis
se tornam as deformações da madeira, material que contrai no
sentido da largura. Por essa razão, Yojo recomenda o uso de peças
mais estreitas alinhadas com a maior dimensão do ambiente, medidas que
tornam as deformações naturais menos perceptíveis. “A madeira
tem características que devemos conhecer para poder usá-la sempre
a nosso favor”, ele avalia. Ao escolher revestimentos em madeira, deve-se
verificar a procedência do material e ter certeza de estar adquirindo espécies
certificadas. A versatilidade dos laminados O profissional
deve estar atento para não confundir os pisos laminados com
os carpetes de madeira, produtos de constituição bastante
semelhante e que se diferenciam pelo tratamento dado às superfícies.
Os laminados possuem miolo em MDF ou aglomerado e acabamento das faces
superior e inferior com papel com resina melamínica de alta resistência
(lâmina decorativa protegida por filme transparente). Os carpetes de
madeira também podem apresentar miolo em MDF e aglomerado, ou ainda
em compensado, e recebem como acabamento uma finíssima folha de madeira
natural com verniz apenas na face superior. Essa diferença resulta
em produtos com grande disparidade de vida útil. De acordo com Takashi
Yojo, o laminado dura seis a dez vezes mais. “O problema do carpete de
madeira está no verniz, que se desgasta muito rapidamente, e na falta de
tratamento da face inferior, o que deixa o produto desprotegido contra a umidade
do piso”, resume. Os carpetes de madeira não são indicados para
áreas de alto tráfego ou sujeitas à abrasão, ao
deslocamento de móveis ou a rodízios de cadeiras. “É um piso
de baixo custo que encontra mercado no segmento residencial. Dependendo do tipo
de verniz usado ele pode ser riscado até mesmo com a unha”, alerta.
O laminado é o único tipo de piso que possui normas técnicas
brasileiras. O setor é normatizado pela NBR 14.833/2002 - Parte 1:
Requisitos, Características, Classe e Métodos de Ensaio e pela NBR
14.833/2003 - Parte 2: Procedimentos de Aplicação e Manutenção.
Entre outros aspectos, a parte 1 da norma define o tipo de produto adequado ao
uso conforme a resistência necessária a impactos, abrasão
ou manchas e ainda indica os materiais de limpeza que podem ser utilizados. Para
escritórios de baixo tráfego, a classe de produto indicada é
a 31; de médio tráfego, 32; e de alto tráfego, 33. Segundo
Yojo, um dos pontos mais elogiáveis da norma é a divisão
em cinco categorias de abrasão, correspondentes à classificação
PEI das cerâmicas. “Isso permite que o profissional compare diferentes materiais
em função desse aspecto”, destaca. Outras vantagens do laminado
são a variedade de padrões e a facilidade de limpeza, bastando
pano úmido. Da mesma forma que outros revestimentos para piso, deve ser
aplicado sobre superfícies planas e curadas. Apesar das boas
características dos laminados, Yojo aponta a falta de proteção
nas bordas como o ponto fraco do produto. Da mesma forma que o carpete de
madeira, o laminado ficará inutilizado se a umidade atingir o miolo.
“Se houver dano à resina e penetração de água, o piso
estará comprometido”, afirma. Segundo o pesquisador, essa falta de proteção
nas bordas levou o setor a desenvolver a parte 2 da norma, que transfere a responsabilidade
aos aplicadores e aos usuários. “Se as bordas recebessem proteção
não haveria risco de as lâminas centrais serem atingidas por umidade”,
ressalta. Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 308 Outubro de 2005 |