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Vigas de transição, com aberturas que
abrigam caixilhos circulares, e pilares aparentes, envolvidos
por vidros curvos, no lado interno do edifício, são
elementos estruturais organizados com engenhosidade
para otimizar a área livre das lajes e definir a estética
da fachada.
Voltado para a avenida marginal do Pinheiros e implantado
na rua que faz parte de seu nome, o edifício Quadra
Hungria tem testada de quarteirão. A construção
horizontalizada atende à legislação de
uso e ocupação do solo para aquela zona da cidade,
e forma uma barreira acústica para as casas vizinhas,
na região dos Jardins. Trata-se de edificação
com dispositivos tecnologicamente avançados, locada
recentemente para uma única instituição
financeira - o Banco Santander. São oito pavimentos-tipo
e três subsolos - totalizando 19.945,73 metros quadrados
de área construída -, dois helipontos com sala
vip e cinco elevadores.
Uma das preocupações do arquiteto Miguel
Juliano foi a concepção de um projeto que
desse tratamento semelhante para as fachadas frontal
(avistada da marginal) e posterior (voltada para os Jardins).
Quase idênticas, as duas têm, respectivamente,
12 e 14 pilares circulares aparentes, soltos do pano de vidro.
A diferença nesse número se deve à existência
de uma parede curva na face frontal, que externamente transmite
a idéia de um cilindro no centro do edifício.
Dispostos a cada quatro metros, os pilares foram revestidos
com painéis de alumínio composto na cor
azul, também aplicados na parede curvilínea.
No lado interno da edificação, eles estão
envolvidos por vidros curvos, no formato de meia esfera.
As laterais do edifício receberam caixilhos entre vãos
e as frentes de laje foram revestidas com granito. Após
a locação, a parede curva e os pilares ganharam
película de alta performance, na cor prata.
Mesmo com a altura limitada por lei (35 metros), o
Quadra Hungria tem pavimentos com pés-direitos
generosos, de 3,57 metros de piso a piso. Moduláveis,
as lajes possuem 1.400 metros quadrados cada uma. Espaços
de circulação, banheiros e elevadores estão
localizados na área central, próximo da parede
curva.
Vigas de transição
Na construção foram utilizadas vigas de transição
de concreto, que, associadas aos pilares periféricos,
distribuem as cargas do edifício. São duas vigas
vierendel, uma frontal e outra posterior, colocadas
no segundo pavimento. Segundo o engenheiro Gabriel Junqueira
Filho, da Constrac, empresa responsável pela obra,
elas têm aberturas que, do ponto de vista estrutural,
aliviam as tensões do edifício, enquanto os
pilares periféricos fazem o mesmo com a carga de cada
andar-tipo. Dos pilares periféricos, as cargas são
distribuídas para a viga vierendel. Esta, por sua vez,
distribui o peso para os quatro pilares do térreo,
onde essa solução permitiu criar amplos vãos
livres.
O projeto de arquitetura tirou partido das aberturas
das vigas, transformandoas em vãos circulares,
nos quais foram colocados caixilhos pivotantes e fixos, que
promovem a entrada de luz no interior do andar. Segundo
o engenheiro Dario Ryoiti Hattori, coordenador de obra da
Constrac, com a adoção da viga vierendel foi
possível instalar 15 caixilhos em cada fachada, no
formato de círculos concêntricos - elementos
de 1,20 metro de diâmetro dentro de um círculo
maior, com diâmetro de 2,70 metros. Em cada face há
seis folhas móveis pivotantes centrais de 1,20 metro
de diâmetro; as demais são fixas.
O dimensionamento, contemplando o projeto de execução
de perfis, vedações e comandos, foi desenvolvido
pelo departamento técnico da Itefal, em conjunto
com o escritório AC&D. Tanto nos caixilhos
fixos como nos móveis, os vidros foram colados com
silicone structural glazing em perfis de alumínio curvos.
Os caixilhos estão instalados num recuo de 60 centímetros
em relação à fachada, revestido com placas
de granito circulares, fixadas com inserts metálicos.
Vidros curvos
Enquanto os pilares aparentes definem a verticalidade
das fachadas, duas faixas de granito, entre o quarto e o sexto
andares, estabelecem as linhas horizontais. Essa marcação
forma uma espécie de moldura para os módulos
envidraçados, com pé-direito de 2,36 metros,
divididos em três quadros de vidros com 1,10 metro de
largura cada um. Um deles possui dois caixilhos - um fixo,
inferior, com 1,10 metro de altura, e um maxim-ar, superior,
com 1,26 metro.
Segundo o engenheiro Nelson Firmino, consultor de fachadas
da Aluparts, foram utilizados vidros de dez milímetros.
De frente para a marginal do Pinheiros - que registra diariamente
trânsito pesado de veículos -, o projeto teve
como uma de suas preocupações o desempenho acústico.
Firmino desenvolveu estudo para identificar o ruído
na região, que passa de 70 decibéis. “O vidro
especificado chega a atenuar 35 decibéis do
barulho provocado pelo tráfego constante na marginal
e na rua Hungria”, garante ele.
A Glassec forneceu para a obra cerca de 3.020 metros quadrados
de vidros laminados refletivos azul Lite e 440 metros
quadrados de laminados bronze curvos. As dimensões
e a resistência admitiam peças de oito milímetros,
mas a adoção da espessura de dez milímetros
em todos os vidros, para vãos maiores e menores, evita
diferenças de tonalidade e gera uniformidade, explica
Firmino. Os vidros foram colados com silicone structural glazing
em perfis de alumínio com acabamento anodizado fosco.
Para o caixilho do vidro curvo foi utilizado
um perfil no mesmo formato, fixado através de cantoneiras
de alumínio, com parafusos de aço inoxidável,
nos perfis verticais dos caixilhos da face reta. Estes, por
sua vez, estão ancorados na estrutura de concreto do
edifício. Os caixilhos semicirculares, que cobrem os
pilares, possuem raio de 40 centímetros e 80 centímetros
de largura. Segundo Firmino, procurou-se um raio que não
trouxesse complicação para a
curvatura do vidro e do perfil, que vence vão de 2,36
metros de altura. Na transição do vidro
curvo para o reto, a vedação é feita
com silicone de cura neutra.
As fachadas foram executadas pela Itefal com o sistema
stick, com perfis da linha Cittá Due, e módulos
Unit. O stick, aplicado nas faces frontal e posterior, moduladas
com painéis de 1,25 metro de largura e sete metros
de altura, caracteriza-se pela construção em
três fases distintas: ancoragens, malha estrutural composta
por colunas e travessas, e fixação frontal dos
quadros de vidro. No sistema unitizado, as fachadas
laterais, moduladas com a mesma largura e altura de 3,50 metros,
foram montadas através de guias, ancoragens horizontais
e painéis únicos de alumínio e vidro,
que, unidos entre si, formam o conjunto estrutural do sistema.
Os perfis foram dimensionados para atender às
cargas solicitadas em projeto. No sistema stick, as
colunas possuem 90 milímetros de profundidade; no unitizado,
a profundidade dos montantes é de 120 milímetros,
explica José Sabioni, diretor da Itefal. A obra utilizou
cerca de 35 toneladas de alumínio, cinco delas destinadas
à subestrutura de fixação do painel de
alumínio.
Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 44 Janeiro de 2006
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