Mayerhofer & Toledo APC
Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Brasília
   
 
   
 
   
       
 
COBERTURA UNIFICA EDIFÍCIOS

O antigo edifício do centro de convenções ganhou dois novos blocos - as alas norte e sul. Do projeto original, de autoria do arquiteto Sérgio Bernardes, a ampliação manteve os principais elementos - o desenho em forma de ampulheta, repousando sobre o solo, e as linhas curvas.

Ao ser convidado pela Novacap, em 2000, para elaborar o projeto de ampliação do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Sérgio Bernardes apresentou proposta básica que tinha como espinha dorsal a idéia de cobrir todo o conjunto com uma grande laje arqueada. Na época com 90 anos, o arquiteto preferiu dividir a tarefa com o escritório Mayerhofer & Toledo APC. Poucos meses depois, com seu falecimento, o trabalho passou a ser coordenado por Luiz Cláudio Franco.

A proposta de Bernardes foi sendo adaptada a condicionantes legais, técnicos e financeiros, até adquirir a forma atual. "Do prédio original, foram mantidos as curvas e o desenho em forma de ampulheta - antes de concreto, agora revestida por chapas de aço galvanizado", explica Franco.

O projeto original de Bernardes concebeu o edifício horizontalizado, ladeado por dois blocos perpendiculares ao plano da fachada, sustentados por pórticos de concreto armado. Partindo do chão, cabos de aço tensionados, somente até os pórticos, formavam entre os volumes laterais a catenária paralela à curvatura do prédio principal. Com a ampliação, foram criadas as alas norte e sul e acrescentada uma cobertura curva, unindo todo o conjunto.

Uma ampla reforma do edifício existente transformou os quatro auditórios em dois cinemas, um teatro e uma sala de concertos e shows. As antigas alas administrativas foram incorporadas aos novos espaços, criando-se dois salões de uso múltiplo com 1.600 metros quadrados cada um.

As novas dimensões do centro de convenções de Brasília o transformaram no maior complexo de eventos e exposições do país. Com área de mais de 54 mil metros quadrados, três vezes superior à do prédio original, o espaço pode receber cerca de 10 mil pessoas ao mesmo tempo.

Perfis especiais
Para criar um edifício, incorporando o existente e mantendo linguagem unificada, desenhou-se uma fachada de vidro que destaca, no centro, o desenho em forma de ampulheta, revestida por chapas de aço. Essa solução confere identidade à nova edificação, ao mesmo tempo que valoriza o desenho original de Bernardes. Devido ao tamanho dos vãos da fachada, foi necessário desenvolver perfis especiais para vencer as modulações de 2,50 x 2,50 metros (para os vidros) e de 1,50 x 1,25 metro (chapas metálicas).

O antigo edifício foi envolvido por estrutura metálica aparente, que serviu de ancoragem para a caixilharia. Um dos grandes desafios foi a redução de volume de materiais, viabilizando a obra com custos otimizados, mas sem perder a qualidade do projeto, aponta Igor Alvim, consultor de fachadas da QMD Consultoria. A parceria entre a QMD, a Belmetal, fornecedora do sistema de fachadas, e a CMA, responsável pela fabricação e instalação, foi decisiva para atender ao cronograma apertado da primeira fase, considerando a relação custos/prazos.

 
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O resultado foi a criação do sistema de fachadas Sky Line - uma fachada-cortina com aspecto de grid, com tampas externas de geometria igual à das colunas, segundo o engenheiro Arimatéia Nonatto, gerente de desenvolvimento de produtos da Belmetal. São perfis de alumínio que fazem a compressão das gaxetas, prensando-as nos vidros. Esse movimento faz com que a caixilharia se torne totalmente estanque, em todo o perímetro do caixilho. A tampa de alumínio também serve de acabamento, pois toda a área envidraçada da fachada possui marcações horizontais e verticais.

Os vidros foram encaixados nos perfis de alumínio, que receberam acabamento anodizado fosco. A vedação foi feita com gaxetas de EPDM, sendo os caixilhos maxim-ar colocados com silicone structural glazing. “Como havia estrutura metálica para sustentar a fachada-cortina, produziram-se perfis com bitolas de 50 x 60 milímetros, consideradas relativamente reduzidas”, explica Nonatto. Para esta obra foram fornecidas cerca de 60 toneladas de alumínio.

Montagem da fachada
Segundo Edson Bastos, diretor da CMA, para a execução da fachada de 15 mil metros quadrados foi desenvolvido dispositivo de içamento dos painéis. Trata-se de um guindaste com ventosas na ponta, que faz o transporte do chão ao vão da fachada, em até 30 metros de altura. Para a pele de vidro, a Glassec forneceu 6.258 metros quadrados de vidros - 2.202 de laminado azul, 2.500 de laminado com PVB azul leitoso e 1.556 de laminado com PVB opaco. A espessura de 14 milímetros foi determinada em função das grandes dimensões dos painéis - 2,90 x 2,40 metros. Cada painel chegava a pesar 270 quilos.

A aplicação da película de polivinil butiral opaca foi um recurso que permitiu ocultar a estrutura metálica interna utilizada para fixação dos caixilhos. Combinados, os vidros conferiram bom desempenho visual aos interiores, devido à alta transmissão luminosa - em torno de 54% para o azul e 35% para o opaco - e à baixa ref lexão interna, em torno de 5%.

Chapas metálicas
Conforme especificações do projeto, foram também utilizadas na fachada chapas de alumínio sólido e de aço galvanizado. As primeiras foram aplicadas em todo o perímetro do edifício e também para fazer uma moldura de acabamento nas extremidades do bloco em forma de ampulheta, que foi revestida com as chapas de aço, fixadas na estrutura metálica. Como estas tinham largura menor que a do outro revestimento, foi feita uma marcação horizontal, que, aliada à superfície com textura diferenciada, destaca o elemento central da fachada. Embora os materiais sejam diferentes, a cor prata das chapas é muito próxima.

Os painéis de alumínio Wallcap foram cortados e colados com fita dupla face em perfis de alumínio da mesma linha utilizada para os painéis de vidro. Os quadros foram fixados nas colunas das fachadas, em processo idêntico ao aplicado aos quadros de vidro. Segundo Bastos, essa requadração permitiu que o acabamento ganhasse em qualidade, proporcionando maior planicidade. As juntas entre chapas foram preenchidas com silicone.

Como foi adotada a colagem, não houve necessidade de utilização de chapas com cantos. Essa solução trouxe benefícios à obra, evitando distorções na planicidade do revestimento e conferindo rapidez à execução da fachada. Para garantir a rigidez das chapas de alumínio, utilizou-se uma travessa de apoio central, normalmente empregado para dimensões superiores a 1,50 metro. Essa solução foi empregada mesmo com as chapas medindo 1,20 x 1,50 metro.

Novo espaço
Localizado no Eixo Monumental, próximo ao setor de hotéis, ao Memorial JK e à torre de TV, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães conta com três auditórios fixos e outros 13 moduláveis com 113 metros quadrados, em média. Um parque de exposições com mais de 12 mil metros quadrados, uma praça de alimentação e um pavilhão de exposições com 6 mil metros quadrados de área locável completam as novas instalações.

A obra foi executada em duas fases, para permitir a adequação de verbas e a utilização parcial do espaço antes da conclusão. Na primeira etapa foi construída toda a área nova destinada às convenções, na ala norte. Ela compreende um auditório com 3,6 mil lugares, hall de entrada exclusivo para autoridades, 13 auditórios modulares menores, zonas de serviço e apoio, locais para a inscrição de convencionais, camarins e setor vip para as autoridades. A segunda etapa prevê a implantação dos espaços destinados à realização de feiras, na ala sul.

Com a ampliação e a renovação do edifício, o paisagismo ganhará atenção especial. O jardim dos Beija-Flores e a praça dos Namorados passarão a funcionar como pólo central de todo o complexo e local de descanso para os usuários. O novo desenho da praça possibilitará a instalação de quatro quiosques, áreas de descanso e sua ligação com o setor de alimentação através de escadas e rampas. O jardim terá mais três quiosques. Na proximidade da praça com o Clube do Choro e o Planetário, incorporará toda essa área não só ao centro de convenções, como à vida da própria cidade.


Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 44 Janeiro de 2006

 
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Ficha técnica

Centro de Convenções Ulysses Guimarães


Cliente:
Novacap
Local:
Brasília, DF
Projeto:
2003
Conclusão da obra:
2005
Área do terreno:
49.770 m²
Área construída:
20.340 m²
Arquitetura: Mayerhofer & Toledo APC - Luiz Cláudio Franco (coordenador); Vera Rocha, Luiz Carlos Toledo, Brunno Sebollela, Ana Lúcia Sales, Emerson Mendes, Raquel Ferreira e Thalita Franco (autores); Karoline Bottino, Lucas Franco, Marcus Fiorito, Luís Felipe Vasconcellos e Camila Giacoia (colaboradores)
Construtora : OAS - Antônio Passos (gerência do contrato), Eduardo Borges (engenharia e planejamento), Paulo Sá (produção) e Antônio Francisco (instalações)
Acústica: Carlos Eugênio Hime Fachada: QMD - Igor Alvim (consultoria); CMA - Edson Bastos (fabricação e instalação das esquadrias e painéis de alumínio)
Estrutura metálica: Enpro - José Luiz Costa Estrutura de concreto: Tecton - Oswaldo Barbosa e Augusto Cláudio

 

Fornecedores

Sistema de fachadas: Belmetal - Vidros: Glassec - Chapas de alumínio: Alcan - Aço: Gerdau - Chapas de aço galvanizado e cobertura: Bemo - Estrutura metálica: CPC - Elevadores: ThyssenKrupp

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