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Projetado para atender às demandas da florescente economia de Guangdong,
o novo aeroporto internacional de Guangzhou, capital da província,
inaugurou seu primeiro terminal de passageiros, com estruturas metálicas
e vidro, que garantem leveza e transparência à megaconstrução.
O acordo de cooperação técnica entre a China e os Estados
Unidos para projetar e construir um grande terminal aeroviário mostrou
seus primeiros resultados com a entrada em operação do Aeroporto
Internacional Guangzhou Baiyun, localizado na cidade de Guangzhou. Considerado
um dos mais arrojados e modernos do mundo, o novo equipa mento é
cinco vezes maior que o antigo: ocupa extensão de 13,5 quilômetros
e tem capacidade para atender 25 milhões de passageiros e abrigar
186 mil operações aéreas anualmente. A primeira etapa do
complexo, já concluída, inclui terminais de embarque e desembarque,
estacionamentos e um hotel. O cuidadoso desenho estrutural
- concebido para a construção metálica - e a composição
de planos inclinados e curvos em coberturas e fachadas suspensas são algumas
das características do aeroporto. Vidro e aço foram os principais
materiais utilizados na estrutura e nos fechamentos do conjunto de edifícios,
no terminal e nas pontes de embarque. O prédio principal apresenta fachada
com inclinação positiva, enquanto as pontes de embarque têm
desenho curvo, que se desenvolve da cobertura ao piso. Pouco comum na paisagem
chinesa, esse tipo de partido arquitetônico despertou a atenção,
tanto pela leveza como pela transparência. Essas soluções
são complementadas por coberturas curvas, que consumiram
cerca de 60 mil metros quadrados de membrana de fiberglass. Elas se distribuem
ao longo dos blocos retangulares, compondo corpos de forma trapezoidal, e também
cortam longitudinalmente o corpo principal do conjunto de edifícios.
Formas estruturais O sistema de fachada-cortina escolhido
tem vidros suspensos, sem caixilhos nem silicone estrutural. Para a ancoragem
foram previstas estruturas produzidas com perfis tubulares de aço que,
em algumas faces, assumem formas em arco e, em outras, servem para a fixação
de tirantes do mesmo material. A instalação dos vidros é
feita com aranhas de aço com quatro patas. Vidros laminados
de alta performance, fabricados com película de PVB, conferem a necessária
transparência, exigida pelo projeto, e ao mesmo tempo colaboram com
o desempenho termoacústico no interior das edificações.
No total, foram utilizados 20 mil metros quadrados da película Vanceva
Solar, na cor verde, em vidros das fachadas e coberturas zenitais. A cobertura
curva foi construída com estrutura metálica espacial e telhas termoacústicas,
também metálicas - brancas no lado voltado para o interior da edificação
e prata na face externa. O complexo deverá consumir cerca de 520
milhões de dólares. O Departamento de Administração
da Aviação Civil da China e a Comissão Estatal de Desenvolvimento
e Planejamento aprovaram o projeto nos anos 1990. A obra é parte de um
plano de aumento da capacidade dos sistemas aeroportuários
que inclui empreendimentos de engenharia em grande escala, para acompanhar o crescimento
econômico e a rápida expansão populacional chinesa. A grande
demanda do segmento de viagens no país resultou na inclusão, no
plano qüinqüenal, de propostas de renovação ou construção
de 41 aeroportos. Infra-estrutura A primeira etapa
de obras do aeroporto incluiu a construção do terminal principal,
do edifício de conexão leste-oeste, quatro pátios abertos,
estacionamento no nível térreo com tratamento paisagístico,
edifício-garagem, complexo hoteleiro e torre de controle do tráfego
aéreo - a mais alta entre as existentes no país. As características
operacionais e a tecnologia proposta para a construção do Aeroporto
Internacional Guangzhou Baiyun atraíram a atenção
de empresários e de companhias internacionais, interessados em participar
do crescente incremento do mercado chinês. A infra-estrutura aeroportuária,
nessa primeira fase, ganhou setores de equipamentos para manutenção
de aeronaves e carregamento aéreo, e cerca de 65 hangares (até
2010 serão 192), além de via expressa e ferrovia servindo o aeroporto.
Dois sistemas de pistas marginais, na área do terminal, facilitarão
o f luxo de veículos, reduzindo congestionamentos. Sob a edificação,
uma estação metroviária atenderá quem desejar se dirigir
ao centro de Guangzhou. Para as obras da primeira etapa, o escritório
Parsons, dos Estados Unidos, em parceria com a subempreiteira URS
Greiner e institutos chineses de design, desenvolveu os estudos de conceituação
do desenho de todo o terminal de passageiros, incluindo atividades e serviços
terrestres. A equipe norte-americana começou a projetar o aeroporto em
1999. A experiência do escritório em planejamento avançado
e coordenação colaborou para enfrentar o desafio de trabalhar com
a burocracia governamental chinesa, na finalização da primeira fase
do megaprojeto. A etapa de desenho, desenvolvida nos EUA, foi
concluída em três anos. Nesse período, o escritório
coordenou a documentação para a construção, em parceria
com escritórios de arquitetura locais, como o Instituto de Desenho Arquitetônico
da Província de Guangdong. Capital da província
de Guangdong, Guangzhou tem 7,1 milhões de habitantes e fica no centro
da região do delta do rio Pérola, fronteira com Hong Kong. Historicamente
de vocação agrícola, é hoje um centro industrial,
responsável pela produção de cerca de um terço das
exportações chinesas. O novo aeroporto deverá tornar-se uma
das principais portas de entrada na China. O segundo maior em fluxo de
passageiros e o terceiro em movimento de cargas, ele competirá com cinco
terminais aéreos regionais e internacionais, entre eles os de Hong Kong
e Macau. Quando as obras estiverem totalmente concluídas, haverá
junto ao terminal um centro de convenções de padrão
internacional. Assim, o visitante poderá desembarcar, registrar-se no hotel
(com mais de 800 unidades de hospedagem), alimentar-se, fazer compras (área
de 200 mil metros quadrados foi destinada a um shopping center) e participar
de eventos sem sair das dependências do aeroporto. A segunda
etapa do conjunto está na fase de desenvolvimento de estudos de planejamento
e projetos. Ela compreende mais uma pista de pouso e decolagem e a expansão
do terminal, que terá sua capacidade anual aumentada para 80 milhões
de passageiros e 360 mil operações aéreas. Na terceira fase,
que deverá estar concluída em 2010, serão construídos
mais um terminal de emissão de passagens e outros 50 portões de
embarque. Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva Publicada originalmente em FINESTRA Edição
44 Janeiro de 2006 |