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Padronização, modulação e industrialização
são elementos fundamentais para o desenvolvimento de um processo integrado
em produção de perfis tubulares estruturais, como mostra este artigo
de Fernanda de Sousa Gerken.* Na execução de obras com
estruturas metálicas, um dos pontos essenciais é a padronização
das peças a serem fabricadas. Quanto menor o número de componentes,
mais fácil será produzir determinada montagem. A modulação
também é um dos aspectos a serem considerados, uma vez que, quanto
maior o número de vãos ou de peças em determinada medida,
melhores serão o desempenho e a rapidez de execução de uma
obra. Já no caso da industrialização, bons exemplos são
encontrados nos setores automobilístico e naval. A empresa Hyundai constrói
navios em tempo recorde, utilizando peças iguais na montagem de diferentes
modelos. Na indústria automobilística, observa-se o mesmo processo:
alto grau de repetição, mesmo com componentes diferentes,
que são colocados em uma linha de montagem onde quase tudo é automatizado,
o que torna o processo rápido, preciso e, por conseqüência,
altamente eficiente. A padronização talvez sugira que formas
arrojadas e diferentes não poderão ser desenvolvidas. Mas não
é isso o que ocorre. A criatividade não tem limites. Uma boa inspiração
pode ser buscada na natureza, onde existe uma repetição de
estruturas ou de suas partes. O espanhol Santiago Calatrava, arquiteto-engenheiro
e artista, cria as formas e padroniza-as, fazendo estruturas de extrema beleza
arquitetônica e arrojo. A estrutura se desenvolve através de pilares
que se abrem como galhos de uma árvore e se curvam, formando um
arco em seu ápice. O projeto utiliza-se da modulação, da
repetição e de muita criatividade. Quando se trabalha com
a padronização, é preciso analisar e administrar, de forma
criteriosa, a questão do dimensionamento. Se forem considerados,
para efeito de cálculo, apenas os maiores esforços, as peças
com menor solicitação estarão sendo superdimensionadas, o
que elevará o peso da estrutura. O arquiteto, o projetista e o engenheiro
devem estar sempre atentos a esse ponto: uma estrutura pesada demais pode ser
um ponto fraco de um projeto e até inviabilizá-lo. Para
alcançar resultados tão bons quanto, por exemplo, os das
indústrias automobilística e naval, a construção civil,
que utiliza o aço como matéria-prima e, em especial, os perfis tubulares,
deve considerar os conceitos de padronização, modulação
e alto grau de industrialização. Para o desenvolvimento desse
novo modo de construir, os fabricantes de tubos devem se colocar como um elo no
processo, participando da concepção global da obra e informando
os profissionais envolvidos no processo sobre a tecnologia de aplicação,
o que exige conhecimento de seu produto e dos meios de produção.
Norma A tecnologia nacional para a execução
de obras com perfis tubulares ainda é relativamente recente. Há
apenas cinco anos esse tipo de perfil entrou no mercado nacional, visando a utilização
na construção civil. Embora se observe evolução
nas técnicas construtivas, as ligações, que são
os pontos de união entre as peças da estrutura (perfis), ainda constituem
foco de atenção entre os projetistas. Elas podem ser soldadas, parafusadas,
diretas tubo/tubo ou com chapas de ligação. Inúmeras podem
ser as combinações. Tudo dependerá da concepção
de projeto. Para colocar o Brasil em igualdade com os países que fazem
uso intensivo dos perfis tubulares, é fundamental discutir as concepções
arquitetônicas decorrentes dessa nova maneira de construir e o conceito
de projeto, bem como os aspectos relativos à produção industrializada
dos componentes estruturais. Os detalhes de ligação entre
os perfis tubulares são um bom exemplo da necessidade de integração.
Se não forem bem planejados e executados, podem comprometer ou mesmo
inviabilizar um bom projeto. Informações sobre edificações
com estruturas tubulares, surgidas nos últimos anos, com raras exceções,
são pouco detalhadas, incompletas, escassamente divulgadas e de difícil
acesso a arquitetos, engenheiros e fabricantes de perfis tubulares. Além
disso, ainda não foram suficientemente enfatizadas as características
plásticas das estruturas em perfis tubulares, tais como leveza,
esbeltez e harmonia de formas. Mas é de se esperar que, com o
aumento da utilização e o aprofundamento dos estudos, o tema seja
incluído de modo apropriado na NBR 8.800/86, resultando na elaboração
de norma específica para o dimensionamento das estruturas com perfis tubulares.
Atualmente, a norma existente, utilizada para o dimensionamento de estruturas
metálicas, trata o assunto de maneira superficial, especialmente no que
se refere às ligações das estruturas tubulares. O dimensionamento
de elementos estruturais tubulares é feito, em geral, por similaridade
com o comportamento dos perfis soldados ou laminados. Pesquisas
Em países da Europa, no Sudeste asiático, na América
do Norte e na Austrália, a construção civil faz uso intensivo
de estruturas tubulares e conta com uma produção corrente, industrializada
e contínua, dispondo de alto grau de desenvolvimento tecnológico.
No Brasil, porém, o emprego desses perfis ainda é limitado,
restringindo-se, praticamente, aos projetos de estruturas espaciais para cobertura.
O desenvolvimento de trabalhos nas universidades Federal de Ouro Preto (Ufop)
e Estadual de Campinas (Unicamp), em convênio com a empresa V&M
do Brasil, começa a suprir a falta de informações sobre as
vantagens construtivas dos perfis tubulares. A tecnologia atualmente utilizada
pela V&M do Brasil consiste na produção de perfis tubulares
estruturais de aço sem costura, por processo de laminação
a quente, a partir de bloco de aço maciço de seção
transversal redonda. Esses blocos são perfurados por mandril e resfriados
em leito de resfriamento até a temperatura ambiente. Os tubos sem costura
apresentam distribuição uniforme de massa em torno de seu centro
e baixo nível de tensões residuais, característica
que os distingue dos tubos de aço com costura, produzidos a partir de chapas
calandradas e soldadas. Os detalhes das ligações
devem ser cuidadosamente projetados e executados, uma vez que contribuem de forma
significativa na estética, resistência e funcionalidade da estrutura.
Os aços estruturais, sejam eles patináveis ou não,
podem ser encontrados com facilidade, atendendo às mais diversas especificações
técnicas. Uma ampla gama de seções transversais - circulares,
quadradas e retangulares - e bitolas está à disposição
do mercado nacional, o que libera a criatividade dos arquitetos, calculistas e
projetistas. As bitolas podem ser circulares, de 26,7 a 355,6 milímetros;
quadradas, provenientes dos tubos sem costura de 75 a 290 milímetros; e
retangulares, também provenientes dos tubos sem costura de 60 x 70 a 225
x 360 milímetros. Aplicações
Além da estética atrativa, as seções tubulares,
por sua forma geométrica, são as mais indicadas para resistir,
de maneira econômica, às altas solicitações de cargas
axiais, torção e efeitos combinados, tendo elevada eficiência
estrutural. Esse desempenho é responsável por sua ampla utilização
em países da Europa e de outros continentes. Entre suas vantagens estão:
- criação de vãos livres de maiores dimensões,
com significativa redução do número de pilares;
- redução de prazos de construção, devido à
alta velocidade do processo construtivo; - montagem industrial com alta
precisão, eliminando os desperdícios decorrentes de improvisações,
correções e adequações; - facilidade
de utilização de materiais complementares pré-fabricados;
- utilização de estruturas mistas
(tubos preenchidos com concreto), principalmente no caso de colunas;
- resistência adicional e boa proteção
contra fogo em peças comprimidas com seções tubulares mistas;
- menor área de superfície,
se comparadas com as seções abertas; - menor área
de superfície a ser protegida contra fogo,
quando comparadas às seções abertas. |