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Uma das maiores e mais importantes obras de engenharia
da Europa nos últimos anos, o novo Pólo Feira
de Milão se destaca por sua estrutura colossal,
coberturas emblemáticas - que remetem às formas
de um vulcão e um véu - e concentração
de tecnologias de ponta.
A excelência das instalações do complexo
estabelece um novo parâmetro de qualidade mundial
para os espaços expositivos e conquista para a Fundação
Feira de Milão a liderança no restrito grupo
das maiores operadoras de mostras internacionais. Além
das vantagens econômicas e comerciais para Milão
e toda a região da Lombardia - cuja tradição
na promoção de grandes feiras remonta ao início
do século passado -, o gigantesco conjunto tem
importância urbanística, uma vez que recupera
uma vasta área abandonada do subúrbio, ocupada
durante muitos anos por uma refinaria de petróleo.
Ela “deixa de ser apenas periferia para tornar-se paisagem”,
segundo o arquiteto Massimiliano Fuksas, autor do projeto.
A ocupação de um quarteirão de mais de
2 milhões de metros quadrados, com área construída
em 1 milhão de metros quadrados, certamente será
ponto de partida das transformações em
toda a região de Rho Pero, onde o novo conjunto foi
instalado. O complexo expositivo está em local estratégico,
a poucos quilômetros do centro da cidade e da antiga
sede da feira, em meio aos principais cruzamentos rodoferroviários
e ao longo do eixo entre Milão e o aeroporto
internacional de Malpensa. Para a interligação
direta entre o pólo e a cidade, foi inaugurada a linha
de metrô Rho Fiera.
O projeto de Fuksas, escolhido em concurso internacional
realizado em 2000, cria espaços flexíveis e
funcionais, harmonizando uma arquitetura de vanguarda com
alta tecnologia construtiva.
O projeto
Para o novo Pólo Feira de Milão, Fuksas criou
dois símbolos: uma estrutura de aço e vidro,
com 37 metros de altura (chamada de Vulcão Fuksas,
pelos operários, mas batizada de Logo, porque seu desenho
foi incorporado ao logotipo da feira), e uma longa cobertura
ondulada, de 1,3 mil metros de extensão (a Vela, ou
Véu, como prefere Fu ksas). O Vulcão
cobre a entrada nobre do complexo, na porta sul, e a sala
de conferências do centro de serviços. O Véu,
também de aço e vidro, estende-se sobre o grande
eixo de circulação que corta longitudinalmente
o complexo, entre os pavilhões expositivos, unindo
as portas leste e oeste. Além desses acessos, existem
outras dez portas, que servem diretamente os oito pavilhões.
O complexo reúne centros de serviços
(sala de imprensa, secretaria lingüística, banco,
correio, guarda-malas, farmácia, agência de viagens,
centro de fotocópias e fax) e de convenções
(nove salas modulares em dois pavimentos e auditório),
oito gigantescos pavilhões, 64 salas de reuniões,
20 restaurantes, 57 bares, lanchonetes e cafés,
espaços para banquete e áreas para showrooms.
Externamente, há espaço de 60 mil metros quadrados
para exibições ao ar livre, estacionamento
para mais de 20 mil visitantes, além de garagens especiais
(para expositores e caminhões) e heliporto. Ao projeto
estão sendo acrescentados dois hotéis, uma galeria
comercial com 200 lojas e setores de recreação
e cultura.
Um moderno sistema de telecontrole foi implantado:
a vigilância a distância é assegurada
por 18 câmeras em cada pavilhão, gerenciadas
a partir da sala de controle do centro de serviços.
Todos os estandes contam com serviços de telefonia
e informática conduzidos por fibras óticas.
Principal gerador de conexões e espinha dorsal
de toda a estrutura do complexo, o eixo longitudinal
de 1,3 mil metros de extensão, cobrindo superfície
total de 47,5 mil metros quadrados, é, por excelência,
local de passagem, mas, ao mesmo tempo, de atividades diversificadas
e de informações. Segundo Fuksas, esse conceito
foi desenvolvido com o posicionamento de uma série
de edifícios ao longo desse caminho, que tem
ligações nos níveis 0 (usada preferencialmente
pelos expositores) e + 6,50 (para expositores, visitantes
e público em geral), através de percurso em
passarela. O deslocamento nas duas direções
dessa via elevada é facilitado por escadas e esteiras
rolantes. Os prédios laterais ao eixo - de tipos e
funções diversos - estão suspensos
sobre áreas que receberam tratamento paisagístico,
com jardins e espelhos d’água. O brilho do aço
inoxidável nos revestimentos das fachadas e das grandes
aberturas envidraçadas das edificações
propicia vida às imagens refletidas da passarela e
confere ao ambiente um aspecto dinâmico e cenográfico.
Leve e ondulada
A grande cobertura transparente é o elemento
arquitetônico integrador e identificador do Pólo
Feira de Milão. Com sua estrutura ondulada e leve,
como o tecido fino de um véu, ela protege os ambientes
posicionados ao longo do eixo central. Sua forma sinuosa
reflete as variações de altura das fachadas
dos edifícios laterais. A largura de 31,57 metros aumenta,
nas entradas leste e oeste, para 40,59 metros. A altura, que
varia entre 16 e 23 metros, desce em mergulho até o
solo, em alguns pontos formando crateras.
O desenho geométrico livre, que concede ao visitante
uma perspectiva continuamente variada, é derivado
de diferenças altimétricas constantes e reproduz
formas semelhantes às encontradas na paisagem alpina,
ao fundo.
A cobertura tem estrutura de perfis de aço em malha
reticulada (grelha), que forma losangos com 1,8 metro
de lado. As conexões dessa malha são feitas
por nós esféricos. Chapas de vidro duplo
laminado são fixadas por baixo da malha, com prendedores
de perfis de aço. Em pontos da estrutura onde as curvas
são mais fechadas, os losangos receberam reforços
diagonais, formando triângulos que aumentam a resistência
da grelha e garantem a sustentação das placas
de vidro. A malha estrutural utiliza módulos de 2,7
x 2,25 metros, a fim de garantir à cobertura a largura
constante de 31,57 metros ao longo de todo o eixo central.
O grande Véu fica apoiado sobre 183 colunas
de aço com 50 centímetros de diâmetro,
que, no alto, dividem-se em braços que chegam à
cobertura. Essas ramificações ocultam o sistema
de drenagem, projetado de maneira a dispensar tubulações
e calhas.
Sistema construtivo semelhante foi utilizado para o
Vulcão - cúpula que cobre uma superfície
de 4,3 mil metros quadrados. Ela recebeu 57% de painéis
de vidro duplo e 43% de painéis de alumínio.
Essa redução de área envidraçada
facilitou o condicionamento térmico dos ambientes
protegidos pela cobertura.
No fechamento do Vulcão sobre o hall principal,
foi utilizado vidro duplo com revestimento de alto desempenho,
para limitar o aquecimento solar no verão e
reduzir a perda de energia no inverno. Em 40% dessa cobertura
foram aplicados painéis de alumínio protegidos
com material isolante, realçando suas propriedades
físicas e favorecendo a eficiência energética
da edificação.
Para o Véu, realizaram-se estudos de proteção
contra relâmpagos e de escape de fumaça.
Foram analisadas as condições de temperatura
sob a grande cobertura no verão e efetuados testes
de curvatura e de compressão.
Pavilhões
O primeiro dos oito pavilhões do complexo foi inaugurado
em fins de março de 2005, enquanto os demais só
foram abertos ao público no final daquele ano. A área
da implantação, marcada por três
níveis distintos, resultou em quatro pavilhões
térreos com 12 metros de altura, dois outros idênticos,
porém com dois níveis (térreo com 12
metros e pavimento superior com dez metros). De formato retangular
(quase todos com 164 x 224 metros) e com área expositiva
bruta de 345 mil metros quadrados, esses pavilhões
estão organizados ao longo do eixo central. Autônomos,
cada um está ligado a um edifício de quatro
pavimentos, que abriga seus próprios serviços,
recepção e infra-estrutura.
Internamente, os pavilhões têm grandes
áreas livres, uma vez que a estrutura se apóia
em apenas 12 colunas, dispostas no centro, para não
dificultar a visibilidade e a acessibilidade. Nessas construções,
dois domos no teto, a 25 metros de altura e com 40
metros de diâmetro, proporcionam iluminação
natural. Essas aberturas elípticas estão
revestidas lateralmente por placas delgadas de alumínio
em forma de trapézio e recobertas de vidro em cima.
O teto dos pavilhões foi executado com as mesmas placas
de alumínio e o piso tem base de concreto com acabamento
de pó de quartzo.
A escolha do aço como material de construção
dos pavilhões foi conseqüência lógica
da necessidade de criar, em pouco tempo, imensos espaços
livres e com
grandes aberturas. As paredes são de chapas de aço
inoxidável e vidro, ou de concreto armado pré-fabricado.
Grande parte do complexo do Pólo Feira de Milão
(cerca de 55%) foi produzida em oficinas italianas e de outros
países europeus, e depois montada no imenso canteiro
que se formou em Rho Pero.
Desde o final do ano passado, a nova Feira de Milão
passou a abrigar, progressivamente, grande parte das exposições
realizadas na cidade, particularmente as de maiores dimensões
e que exigem logística mais complexa. As manifestações
menores, sobretudo aquelas que estão em simbiose com
a localidade, como as mostras de moda, serão mantidas
na Feira de Milão City, parte mais moderna e
funcional do tradicional e “histórico” bairro expositivo
da cidade, que atuará como espaço complementar
do pólo. Com 115 mil metros quadrados, a Feira de Milão
City foi projetada por Mario Bellini e construída no
início dos anos 1990. A parte mais antiga, do começo
do século passado, será demolida e, em seu lugar,
se erguerão três modernas torres, projetadas
pelo grupo CityLife (formado pelos arquitetos Daniel Libeskind,
Zaha Hadid, Arata Isozaki e Pierpaolo Maggiora), escolhido
em concurso internacional em 2005. quatro metros mais altos,
e os demais
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 45 Abril de 2006
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