| Implantação O projeto
do novo edifício tirou partido da topografia do terreno. Assim,
além de respeitar a escala do complexo hospitalar existente - variando
entre um e dois pavimentos -, evitou-se movimentação de terra. Essa
solução também contribuiu para a redução do
custo de obra e a obtenção de melhores resultados estéticos,
uma vez que tornou a edificação mais integrada ao perfil natural
do lote. A configuração original de implantação
do hospital - na horizontal - demandou uma revisão em seus fluxos,
de modo a otimizar a operacionalização e a logística de transporte
de pacientes e materiais e a tornar claros os percursos. Para isso, o projeto
propôs a criação de uma ampla passarela, como principal artéria
de interligação dos blocos. Ela também atua pontualmente
no novo edifício, reunindo todas as áreas sociais numa ampla praça.
Aí se encontram ambientes de espera e descanso de visitantes e acompanhantes,
os sanitários públicos e as caixas de circulação vertical
(elevador e escada). Bioarquitetura Outra característica
do projeto de ampliação do Hospital Bosch é a aplicação
de conceitos de bioarquitetura, com foco na sustentabilidade do
edifício. “Campinas é uma cidade de clima quente e céu claro;
o hospital localiza-se em um bairro-jardim, afastado do centro, com índice
de iluminação muito alto e sem poluição”,
afirma a arquiteta Célia Bertazzoli, do escritório Cabe. “Luz e
ventilação natural são fatores que contribuem para o conforto
e a saúde tanto do usuário quanto da edificação, mas
em abundância podem constituir um problema.” O estudo bioclimático
foi importante para respaldar o projeto com algumas soluções. A
captação da luz natural é feita através de
amplos panos de vidro, tanto nos setores que recebem pouca incidência direta
de sol (a passarela de interligação, por exemplo), quanto naqueles
que recebem insolação direta, como a ala dos quartos. Nesse caso,
a iluminação é controlada por meio de brises horizontais
de alumínio, que se projetam à distância de 60 centímetros
das janelas, contribuindo, também, para o sombreamento no momento
da luz solar frontal. Isso permite que o usuário continue tendo visão
para o exterior, pois não precisa fazer uso de superfícies cegas
na proteção contra excesso de luminosidade e calor. Todas
as aberturas para o exterior são amplas e os sistemas permitem o controle
da ventilação natural, podendo o ar-condicionado ser utilizado
de maneira individualizada, para conforto nos meses de verão. A luz
natural foi também aproveitada para iluminar áreas internas, colaborando
com a redução no consumo de energia elétrica. Com o uso de
telhas translúcidas e forro sombreador, os setores de circulação,
de serviços e de apoio de enfermagem têm seu consumo de iluminação
artificial reduzido em período considerável do dia, resultando em
grande economia durante o ano. A cor escolhida para as fachadas também
atendeu a indicações de estudos bioclimáticos. Uma
vez que o entorno é dotado de muita luz e clima quente, a tonalidade clara
absorve menos radiação solar, com impacto positivo no conforto térmico.
Para a cobertura foi utilizado sistema composto por telha termoacústica
pré-pintada. Fechamento dos vãos A passarela
de interligação dos blocos do complexo forma pátios-jardim
que refletem a luz para dentro do edifício. Além disso, a vegetação
contribui para a diminuição da incidência direta de irradiação
solar. Para favorecer a entrada de luminosidade, a passarela foi concebida com
vãos fechados por painéis de vidro temperado de oito milímetros
de espessura, aplicados em pequenos perfis instalados no peitoril, na lateral
e na parte superior do vão. “O vidro é encaixado nesse perfil, colado
com silicone e vedado. Entre os vidros, a junta recebeu silicone de cura neutra.
Na parte superior da chapa existe uma bandeira com vidro pivotante, também
sem caixilharia. Os quadros pivotantes foram executados com ferramentas específicas
para vidros temperados. O próprio vidro é preparado para receber
os acessórios”, explica o engenheiro responsável pela obra, George
Gamper, da Fundação Centro Médico de Campinas. Janelas
integradas Para os quartos e apartamentos foram concebidas soluções
de fechamento dos vãos que facilitem o manuseio pelos pacientes
ou seus acompanhantes. “As janelas com persianas integradas, nos quartos,
possibilitam controle de luminosidade através de sistema de recolhimento
automático por controle remoto, que pode ser acionado pelo paciente”, explica
Domingos Moreira Cordeiro, diretor da Adalume, empresa responsável pela
execução das janelas integradas e da fachada- cortina do bloco da
pediatria. As janelas integradas são compostas por quatro folhas de vidro
de quatro milímetros,sendo duas fixas e duas de correr. Para proteção
contra insetos, receberam tela mosquiteira. Separado do bloco do
hospital, o setor de pediatria ganhou fachada pele de vidro structural glazing,
produzida com vidros laminados de oito milímetros, colados com silicone
estrutural em perfis de alumínio. No sistema desenvolvido pela Adalume,
estes receberam pintura eletrostática na cor branca. Quando o programa
de ampliação estiver totalmente concluído, o hospital terá
cerca de 16 mil metros quadrados e 200 leitos. Em 2000, antes do início
das obras, havia cem leitos e cerca de 8,5 mil metros quadrados de área
construída. Com a segunda etapa, houve ganho de 2,5 mil metros quadrados
e 55 leitos no setor de internação. Texto
resumido a partir de reportagem de Cida Paiva Publicada originalmente
em FINESTRA Edição 46 Setembro de 2006
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