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Células de trabalho
Antes da etapa de construção do edifício,
todas as operações de revisão, logística
e administração foram repensadas. As diferentes
linhas de produtos - hidráulicos, pneumáticos,
de aviação etc. - foram organizadas em unidades
chamadas de células, agrupando os recursos material
e humano necessários a cada atividade. A proposta de
aproximar o ferramental e construir armazéns dentro
das próprias células pretendia evitar a interrupção
nos fluxos físicos e, assim, otimizar a cadeia de trabalho.
Desse modo, componentes a serem revisados ou consertados
chegariam diretamente à célula onde essas atividades
são desenvolvidas, a partir de um circuito que deveria
ser o menor possível. Para eliminar períodos
de espera, todas as práticas necessárias se
concentrariam no interior da unidade. Assim, qualquer problema
que surgisse durante a revisão poderia ser resolvido
com rapidez. Para evitar interrupções nos fluxos
de informações, os escritórios técnicos,
de controle de qualidade, de planejamento e de fornecimento
foram agrupados dentro de uma única célula,
próxima das estações de trabalho da produção.
Programa industrial
O projeto Eole foi idealizado em 2002 pela equipe de projeto
da Air France Industries, junto com um grupo de arquitetos
comandados por Jacques Ferrier, com a ajuda de mais de 500
agentes, técnicos e gerentes da AFI envolvidos no estudo
do programa.
Definido seu conceito, o Eole foi apresentado aos arquitetos,
para que fosse desenvolvido um projeto de edificação
que atendesse à organização proposta,
centrada na performance industrial. Desde o início
ficou claro que não se tratava apenas de erguer um
prédio convencional e nele instalar uma série
de máquinas. Era preciso criar um edifício que
atendesse a um projeto industrial, estudado, discutido e aprovado
pela alta direção da Air France. Para sua implantação,
engenheiros e técnicos deram suporte aos arquitetos,
fornecendo as exigências relacionadas às prioridades
operacionais. Todas essas informações transformaram-se
em subsídios que orientaram o desenvolvimento do projeto
arquitetônico e o layout da construção.
Outro grande desafio do escritório de Jacques Ferrier
foi conceber a construção em pavimento único,
no qual áreas com demandas conflitivas estariam adjacentes.
Assim, setores de trabalho ruidosos deveriam estar ao lado
de outros em que as atividades requerem silêncio; máquinas
que produzem pó deveriam operar em circunstâncias
que exigem rigoroso asseio; e ainda seria colocada em atividade
uma “fábrica limpa”, apesar do uso de produtos perigosos.
Inaugurado em março de 2005, o edifício foi
construído e equipado entre fevereiro de 2003 e junho
de 2004 - tempo recorde entre o desenvolvimento do projeto
e a conclusão da obra, considerando a complexidade
do programa.
O projeto foi desenhado de modo a atender integralmente às
exigências ambientais, sociais e econômicas. Criou
elementos para que o edifício apresentasse reduções
significativas no consumo de água e de energia, no
desperdício e nos níveis de ruído e de
poluição. Também abriu possibilidades
para que a edificação absorva as solicitações
das novas tecnologias de aviação e estabeleceu
critérios rigorosos quanto à ergonomia das estações
de trabalho e de segurança, que vão além
daqueles exigidos por lei.
Soluções para fachadas
A complexidade do programa apresentado pela Air France para
a implantação do projeto Eole se estendeu da
planta industrial para o envoltório do edifício.
Para os vários blocos do conjunto industrial, os arquitetos
conceberam diferentes sistemas de fechamento, em função
das solicitações ambientais dos níveis
de incidência solar e sombreamento, de acordo com as
atividades desenvolvidas em cada célula.
Predominam as faces de vidro com brises verticais. Em áreas
onde as atividades exigem maior controle de luminosidade,
foram criadas fachadas seladas, com revestimento de chapas
metálicas. Os materiais escolhidos conferem ao complexo
um visual high tech, futurista, e, ao mesmo tempo, dinâmico,
bem de acordo com a imagem da indústria de transportes
aéreos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 46 Setembro de 2006
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