Heloísa Oleari
Edifício residencial, Curitiba
 
  A base da cobertura é uma estrutura metálica de aço com inclinação de 26 graus
 
Cobertura com sistema retrátil
Com desenho curvo em planta, a cobertura projetada para uma piscina em edifício residencial de Curitiba tem dois módulos retráteis, de 18 metros quadrados cada um, que permitem a abertura de 50% do vão. O acionamento é feito por controle remoto.

O teto retrátil instalado sobre a piscina da cobertura de um edifício residencial em Curitiba possibilitou aos moradores do apartamento desfrutar a área de lazer com mais comodidade. Antes, o espaço era pouco visitado por estar submetido à alta incidência de luz solar no verão e às baixas temperaturas de inverno. Para atender à solicitação da moradora, de ampliar a utilização do deque e da piscina, a arquiteta Heloísa Oleari substituiu o antigo toldo por uma cobertura envidraçada inclinada e retrátil, com acionamento automático.

 
Os caixilhos, que vedam a grelha estrutural, têm vidros laminados refletivos de dez milímetros
 
  A inclinação permitiu ampliar o espaço e dar melhor escoamento para a água da chuva
 

Responsável pelo projeto executivo, a Engevidros empregou o sistema Skylight com dois módulos retráteis de 18 metros quadrados cada um, que permitem abertura de 50% do vão. A base da cobertura é uma estrutura metálica de aço com inclinação de 26 graus. Segundo o engenheiro Ricardo Macedo, da Engevidros, o projeto estrutural do edifício foi avaliado e revelou ser desnecessário um reforço para a implantação da cobertura.

Calhas

Dois fatores determinaram a posição inclinada da cobertura: a altura máxima da edificação e a altura da parede limite do edifício. A inclinação permitiu ampliar o espaço e dar melhor escoamento para a água da chuva, que cai diretamente numa calha de aço instalada em todo o perímetro da cobertura, entre o final do telhado e a parede existente. Encaixada pelo lado interno desta, a calha recebeu, na parte externa, acabamento com chapas de alumínio composto na cor branca.

Equivalente a 50% da área total da cobertura, a parte retrátil é composta por dois módulos com 4.422 x 4.350 milímetros cada um. Através de acionamento por controle remoto, eles deslizam em dois trilhos longitudinais, instalados na estrutura metálica, recolhendo-se em direções opostas. Com apenas um motor instalado em um dos trilhos é possível acionar os dois módulos, à velocidade de 0,23 m/s. Seu tempo total de locomoção, tanto para abrir como para fechar, é de aproximadamente 18 segundos.

A vedação da cobertura foi construída com base no sistema Skylight, composto por quadros de vidro fixados na estrutura metálica. Esta, projetada pela Andrade Rezende Engenharia, é uma grelha rígida em ambas as direções, composta por vigas e terças de seção retangular, fabricadas com aço SAC 41. As peças receberam tratamento anticorrosão e acabamento com pintura eletrostática na cor branca.

Segundo o engenheiro Jeferson Luiz Andrade, diretor técnico da Andrade Rezende, essa solução se deu em função da limitação do pé-direito e da pequena inclinação. Com isso, as vigas tiveram sua altura reduzida. Já a rigidez da estrutura foi estabelecida para evitar deformações incompatíveis com o funcionamento dos equipamentos de movimentação. As cargas de vento foram definidas de acordo com a NBR 6.123 e com a velocidade de 150 km/h.

Acompanhando o desenho da fachada do edifício, a planta da cobertura é curva. Para vencer essa curvatura, a estrutura metálica foi construída com perfis metálicos de medidas diferentes. Os caibros que compõem a grelha estrutural, por exemplo, tiveram o comprimento reduzido, sem interferir na inclinação da cobertura, que tem seu ponto mais alto com 4,30 metros e o mais baixo, na linha da fachada frontal, com 2,40 metros. No trecho curvo, os vidros foram modelados conforme o desenho.

Conceito Skylight

O engenheiro Ricardo Macedo explica que os caixilhos que vedam a grelha estrutural foram produzidos com vidros laminados refletivos de dez milímetros, prata neutro, encaixados em perfis de alumínio pintados eletrostaticamente na cor branca. Para oferecer um ambiente agradável, com baixa carga térmica, os vidros utilizados possuem transmissão luminosa de 13,65, reflexão luminosa de 41,5%, absorção de 55,7%, coeficiente de sombreamento de 0,31 e fator de 26,55. Este último índice indica que o vidro rejeita 73,5% da luz.

Todos os caixilhos são fixos e foram executados conforme o sistema de cobertura Skylight. Tanto no sentido longitudinal como no transversal, o vidro é totalmente apoiado sobre gaxetas de EPDM, encaixadas em ranhuras apropriadas dos perfis de alumínio. A total estanqueidade da cobertura foi garantida com a aplicação de silicone de cura neutra em todo o perímetro dos quadros de vidro. Para impedir a ruptura do silicone, o sistema dispõe de travessas com apoio para os vidros, o que bloqueia o deslizamento deles. Os caixilhos de alumínio são fixados na estrutura metálica com parafusos de aço inoxidável. Uma fita protetora da 3M foi aplicada na interface dos metais, para impedir que o contato entre a estrutura e a caixilharia provocasse corrosão bimetálica.

Um sistema de borrachas instalado no encontro dos módulos assegura a estanqueidade quando eles estão fechados. Projetado especialmente para esta cobertura, o sistema precisava ser flexível, para que no encontro dos módulos houvesse um encaixe perfeito.

Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 49 Junho de 2007

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Para garantir a estanqueidade, foi aplicado silicone de cura neutra em todo o perímetro dos quadros de vidro
 
Um sistema de borrachas instalado no encontro dos módulos retráteis assegura a estanqueidade quando eles estão fechados
 
A área retrátil equivale a 50% do total da cobertura
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