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Depois de passar por testes no Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec), a caixilharia basculante especificada originalmente para a vedação da fachada do bloco A do pátio de manobras da estação Vila Sônia, da linha 4 (amarela) do metrô, foi substituída pela tipologia maxim-ar. A decisão foi tomada em função de esta apresentar melhor desempenho em ensaios de estanqueidade ao ar e à água, pressão de ventos e resistência às operações de manuseio.
Para a obra, o fabricante de esquadrias Epros utilizou 24 toneladas de alumínio anodizado e vidros laminados de seis milímetros nas duas fachadas do edifício, compostas por caixilhos entre vãos. Segundo César Augusto Martos, diretor da Epros, foram estabelecidas as dimensões ideais do protótipo para o teste, de forma que o relatório garantisse o resultado para todo o conjunto de esquadrias. O bloco A é uma área que exige boas condições de iluminação e ventilação, pois os trens estacionam em vias suspensas sobre valetas, onde se posicionam os funcionários para a manutenção.
Primeiro teste
Inicialmente, foi realizado teste da tipologia basculante em protótipo de 12 metros e três metros de largura, composto por oito vidros, com os dois inferiores fixos e os superiores móveis. Ele contava com acionamento central e simultâneo das seis folhas basculantes, com uma alavanca para cada jogo de dois varões. A alavanca foi fixada no montante central do módulo, na altura do quadro fixo ou do peitoril. O conjunto se completava com outros dois varões laterais para guiar as folhas na abertura e fechamento. Considerando o vidro de seis milímetros, o peso do protótipo era elevado. O acionamento de arranque tinha que vencer cerca de 40 quilos. E por trabalhar com pivô, no momento do fechamento, a pressão em cada folha se mostrou instável.
“Em geral, o sistema apresentou fechamento ótimo nas folhas inferiores e folga nas superiores. Na repetição do manuseio durante os ensaios, em algumas situações o desempenho melhorou e em outras piorou, levando à alteração do dimensionamento das vedações, tanto das escovas como das borrachas de EPDM. Foi tudo o que consideramos tecnicamente viável”, lembra Martos. Depois de pré-testes e dois ensaios oficiais, a empresa apresentou ao cliente o relatório comprovando que a utilização de esquadria basculante era inviável. Ao longo desse processo comprovou-se que a solução seria mudar para maxim-ar, decisão que teve o apoio da área de arquitetura.
Tipologia maxim-ar
O novo projeto apresentado pela Epros especificava maxim-ar com acionamentos individuais para cada janela. São caixilhos fabricados com vidros laminados de seis milímetros, encaixilhados com gaxetas de EPDM em perfis de alumínio da linha 30, com bitola de 30 milímetros, coluna e requadração de 125 milímetros. Os perfis receberam acabamento anodizado natural fosco, com camada anódica mínima de 18 micra. O novo protótipo, testado na Câmara Verde, tinha 2.300 milímetros de largura e 3.000 milímetros de altura. Os módulos com 1.200 milímetros de largura são compostos por caixilhos móveis com ou sem peitoril fixo. Para o acionamento foram adotados dois fechos na folha próxima ao peitoril, braços e uma haste para movimentação das folhas superiores.
Considerando a região 3 - Classe Melhorada, conforme norma da ABNT, foram realizados os ensaios de estanqueidade ao ar, à água e comportamento sob cargas uniformemente distribuídas. Os protótipos foram submetidos a cargas de ventos de 1,2 mil pascals para pressão e 960 pascals para sucção. No primeiro teste, o novo sistema mostrou ser preciso o recálculo da fixação desses montantes, para obtenção da pressão que garantisse total estanqueidade. A Epros empregou componentes de mercado, tendo apenas que desenvolver a barra chata, com furações independentes. “Tivemos o cuidado de evitar ferramentas específicas, o que tornaria o projeto caro e fechado para uso exclusivo do metrô”, diz Martos.
Todo o processo de avaliação do novo projeto durou cerca de 40 dias. A coordenadora técnica do Itec, engenheira Michele Gleice, destaca que um dos diferenciais do laboratório é permitir o acompanhamento dos ensaios em caixilho pelos clientes e profissionais convidados.
“Em ensaios qualitativos, a presença dos envolvidos é fundamental para que visualizem as ocorrências que poderiam se reproduzir na obra. Ao monitorar o desempenho das duas tipologias ensaiadas, o fabricante e os representantes do Consórcio Linha Amarela tiveram a oportunidade de desenvolver a melhor solução para o projeto”, ela conclui.
Apesar de a fachada ter um brise-soleil de concreto eqüidistante 0,70 metro do edifício, para atenuar a pressão de ventos sobre as esquadrias, ele não foi considerado, após estudos realizados juntamente com os técnicos do Instituto Tecnológico da Construção Civil. “Os ensaios foram realizados dentro das condições máximas de pressão de ventos previstas pela norma técnica, sem o brise, para que os resultados chegassem o mais próximo da situação real. Na prática, esse brise é uma barreira que vai atenuar cerca de 60% da velocidade da chuva e permitir o isolamento térmico”, explica o engenheiro Mário Fagundes, do consórcio para a linha 4.
Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 49 Junho de 2007
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