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Executar obras em locais de grande adensamento urbano sempre foi um desafio. Por isso, a Afonso França Engenharia redobrou os cuidados ao escavar as fundações dos novos prédios do Instituto de Gastroenterologia de São Paulo (Igesp), na rua Sílvia, bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. Além da localização em área sujeita a restrições de trânsito, a algumas quadras da avenida Paulista, o terreno tem traçado irregular, que exigiu logística sofisticada para atender às diversas frentes de trabalho. Além disso, era necessário fazer a interligação física e a interface com o prédio atual do hospital, em pleno funcionamento.
O projeto desenvolvido pela Bross Consultoria e Arquitetura propôs uma torre de 20 pavimentos (já em construção), ligada ao edifício existente por um prédio de 13 andares. A interligação ocorrerá do segundo ao sexto andar, através de corredores de circulação e rampas de correção de desnível no segundo pavimento. Juntos, os dois prédios vão somar 11.300 metros quadrados. Projetado na década de 1940 por Rino Levi, o prédio antigo, ampliado e reformado em 2002, possui atualmente 6,5 mil metros quadrados, distribuídos em sete pavimentos. Com a ampliação, a capacidade instalada passará de 93 para 191 leitos.
Pórtico
Na torre, o jogo de rampas dá movimentação aos andares inferiores, onde foi criado um muro revestido com pedra canjiquinha. Na rampa de acesso de pedestres ao pronto-atendimento (segundo pavimento) será instalado um pórtico. Além de demarcar a entrada, ele tem função estrutural, apoiando as lajes do segundo e do terceiro pisos. No terceiro andar, no acesso dos setores de internação e alta, uma parede de vidro curvo dará maior amplitude à recepção, uma vez que o ambiente tem pé-direito duplo.
Vidro, cerâmica e granito
Em composição com o granito, as peles de vidro vão formar grandes panos nas fachadas, utilizando uma combinação de vidros laminados bronze e prata, de oito milímetros, com painéis de alumínio composto. Os andares mais baixos da face frontal terão revestimento cerâmico de 20 x 20 centímetros, o mesmo utilizado no prédio existente, enquanto o granito será usado, junto com o vidro, nas áreas de internação (do sétimo ao 13º andar) e como moldura no restante da torre.
As fachadas laterais serão evidenciadas pelas peles de vidro contínuas, enquanto a face posterior vai utilizar os mesmos elementos, mas com menos aberturas: grandes panos de granito cortados por caixilho de segurança usado para iluminação natural de escadas, nos halls da circulação vertical, e pequenas peles de vidro entre o 15º e o 20º andar. O prédio de 13 pavimentos, que faz a transição entre as edificações nova e antiga, seguirá a mesma volumetria e linha de acabamento.
Logística
A logística implantada para a construção das edificações em terreno de 3.468,32 metros quadrados incluiu a execução de fundações profundas com sistema de estacas barretes, sendo as contenções dos imóveis vizinhos feitas com parede-diafragma, com espessura de 50 centímetros, segundo Luiz Fernando T. Carreiro, engenheiro responsável pela obra. Utilizou-se guindaste com o sistema Clam-Shell, tecnologia americana de última geração, que emprega lama bentonítica. Esse equipamento produz pouco ruído e baixa vibração, sem permitir abalos no terreno. Conforme se retira a terra, coloca-se a lama bentonítica, sem deixar vazios no solo. Ao ser despejado, o concreto expulsa a lama. A fundação profunda adotada deu-se em função do valor elevado de cargas. O subsolo foi construído abaixo do nível do lençol freático, com o uso de drenagem por bombeamento.
Novo patamar
O programa de necessidades do Igesp se baseou na ampliação do pronto-atendimento e na criação de novos setores, como unidade de células-tronco, medicina nuclear, hemodinâmica, hemodiálise e ressonância magnética, e mais um centro cirúrgico. “Com essa estrutura, o Igesp atinge o patamar de hospital de grande porte e, com tecnologia de ponta, inclui-se entre os mais modernos da cidade”, informa Fernando José Moredo, presidente da entidade.
A obra se encontra em fase adiantada de estrutura e vedação, com prazo de conclusão previsto para maio de 2009. A torre principal e o prédio de interligação estão sendo executados com estrutura de concreto armado moldada in loco. As lajes da torre possuem 400 metros quadrados de área, enquanto as do anexo têm cem metros quadrados.
Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 50 Agosto de 2007
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