Normas para janelas
Dez anos de trabalho
Revisão das normas para janelas traz parâmetros de avaliação em acordo com o clima, hábitos culturais e necessidades brasileiras. Mas, como sempre, os novos documentos já nascem com defasagens tecnológicas
 

Anote: estão em vigor as normas (revisadas) de janelas: NBR 10821 (Caixilhos para edificação - Janelas); NBR 6485 (Caixilhos para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação da penetração de ar); NBR 6486 (Caixilhos para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação da estanqueidade à água) e NBR 6487 (Caixilhos para edificação - Janela, fachada-cortina e porta externa - Verificação do comportamento quando submetido a cargas uniformemente distribuídas).

Oficialmente, as revisões entraram em vigência no ano passado (outubro de 2000) e consumiram dez anos de trabalho de técnicos e pesquisadores. As normas revistas não representam o estado-da-arte em esquadrias nem trouxeram ainda benefícios visíveis, mas significam um passo em direção a produtos que atendam às necessidades básicas de conforto e funcionalidade, dentro da realidade econômica brasileira e, principalmente, conforme as condições climáticas locais.

A engenheira Vera Fernandes Hachich, membro da Comissão Nacional de Estudos - Esquadrias para Construção Civil do Comitê Brasileiro da Construção Civil (Cobracon-ABNT), entidade que coordenou o trabalho de revisão, acredita que as normas evitam a concorrência predatória dos produtos importados, quase sempre muito mais requintados para atender às rígidas condições climáticas de seus países de origem e evitar a perda do calor interno durante os meses mais frios.

"As normas de janelas no Brasil devem atender às nossas condições climáticas, que já são bastante variadas. O produto estrangeiro é bonito, robusto, mas também é, geralmente, superdimensionado para nossas necessidades", ela afirma. A engenheira diz que um caixilho com alto nível de estanqueidade ao ar é muito caro e não traz vantagens para a maioria das construções brasileiras. "Seu uso se justifica em casos especiais, como em ambientes com condicionamento de ar, que exigem total estanqueidade do ar."

Para Vera, a principal mudança introduzida pela revisão normativa é a obrigatoriedade da informação do número da norma a que os produtos atendem, a especificação do uso a que se destinam e a classe de utilização por região do país, as condições de permeabilidade ao ar e à água, as pressões máxima de carga de vento e se o produto é próprio para ambientes com ar-condicionado.

Para Lage Mourão Gozzi, presidente executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), a lentidão no cumprimento da norma pode ser causada por três fatores principais: a dificuldade de levar a informação aos milhares de pequenos fornecedores e construtores do país; a mentalidade de muitos empresários, que não investem em mudanças, uma vez que a clientela continua fiel; e até mesmo a falta de hábito do usuário final de reclamar seus direitos.

Na opinião de Vera, o problema também pode ser atribuído ao desconhecimento técnico dos fabricantes. O mercado é compartilhado por milhares de pequenas empresas espalhadas pelo país e ninguém sabe dizer qual a porcentagem que cada setor domina no universo das esquadrias. Aço e madeira, com linhas de produtos mais populares e de preços mais acessíveis, detêm as maiores fatias, acredita Vera. Os mais organizados são os setores de PVC e de alumínio. O primeiro reúne apenas oito empresas que atualmente concentram menos de 1% do volume total de negócios.

No setor de alumínio, que segundo algumas avaliações dominaria cerca de 20% do mercado, é impossível dizer o número de empresas existentes. "Essa é a grande incógnita", afirma Claudinei Florencio, secretário-executivo da Afeal. Segundo estimativas, cerca de 50% das empresas que trabalham com esquadrias de alumínio são pequenos serralheiros, boa parte deles alheios às discussões sobre qualidade e normas técnicas.

"Para combater os que não cumprem as normas, pretendemos implantar entre as associadas ainda este ano o Programa Brasileiro Qualidade e Produtividade - Habitação, o PBQP-H, que avalia qualidade e desempenho de toda a ´cesta básica´ de materiais para construção", diz Gozzi. Segundo o engenheiro Orestes Marracini Gonçalves, um dos coordenadores do PBQP-H, o programa já atinge 11 setores, avaliando a produção de materiais e componentes e combatendo a não-conformidade a partir do poder de compra do Estado, entre outras formas. Informações sobre o programa estão disponíveis no site www.pbqp-h.gov.br.

Além da exigência de identificação do produto, padronizado ou feito sob encomenda, as normas trazem outras mudanças que o especificador precisa considerar. Elas referem-se à resistência a cargas uniformemente distribuídas, às operações de manuseio, à estanqueidade à agua e à permeabilidade ao ar, considerando as diferentes condições climáticas. Entre essas mudanças está a criação da classe de uso por região do país, que indica o tipo de edificação em que o caixilho pode ser aplicado (leia o quadro e veja o mapa). Também foram estabelecidos parâmetros para a avaliação do desempenho dos caixilhos quando submetidos a pressões de sucção.

Os métodos de ensaio agora incluem as janelas maxim-ar ou a resistência do travamento da folha para as janelas do tipo guilhotina e sanfona vertical. Quanto à estanqueidade à água, a revisão estabeleceu parâmetros para avaliação do desempenho em função da pressão de vento, uma vez que a entrada de água depende da velocidade dos ventos, diferente nas várias regiões do país. A permeabilidade ao ar inclui agora parâmetros específicos para avaliação em função do clima e do ambiente, além de estabelecer medidas de desempenho quanto a conforto ambiental.

Há 11 anos investindo em programas de qualidade, as indústrias que trabalham com o PVC estão em estágio mais avançado que os demais setores. No momento, estão desenvolvendo textos básicos de normalização adicional para a garantia da qualidade dos componentes das janelas de PVC, incluindo ensaios para qualificação da matéria-prima e da fabricação dos perfis, inclusive itens como aspecto, massa dos perfis por metro de comprimento, resistência a impacto, soldabilidade
e estabilidade de cor.

Texto resumido de Nanci Corbioli
Publicado originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 março 2001

 
Tecnologia de ponta para executar a porta curva em alumínio
da Eurocentro que fecha o vão de 25 m2 na casa de praia projetada pela arquiteta Monica Drucker
 
Esquadrias italianas da Eurocentro com alumínio na parte externa, madeira na interna e vitrais alternadoscom os vidros. Projeto de Roberto Kodama Ota e Elisa Emi para residência
em Barueri-SP
 
 
 
Diferentes exemplos de aplicação das esquadrias em PVC
da Tigre. Segundo dados do Instituto do PVC, o uso desse
tipo de janelas está concentrado nas classes sociais
de maior poder aquisitivo
 
Condições de permeabilidade ao ar
Tipo de ambiente Localização (estado do país) Classe de utilização Exigência de permeabilidade
ao ar
Condicionado
ou climatizado
Qualquer Estado
Normal ou melhorada
Resistência térmica mínima 0,15 m2 K/W - Vazão Máxima
5 m3/h.metro linear de juntas abertas, sob uma pressão
de 30 Pa
Refoçada ou excepcional
Resistência térmica mínima 0,15 m2 K/W - Vazão Máxima de 5 m3/h x metro linear de juntas abertas, sob uma pressão
de 50 Pa
Não condicionado
ou não climatizado
São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Normal ou melhorada
Velocidade do ar £ 0,5 m/s, a uma distância de 2 cm da janela quando submetida a uma pressão de 30 Pa
Refoçada ou excepcional
Velocidade do ar £ 0,5 m/s, a uma distância de 2 cm da janela quando submetida a uma pressão de 50 Pa
Outros Estados
Qualquer classe de utilização
Não há exigência
 
Condições de estanqueidade à água
Classe de
utilização
Região do país Pressão de ensaio de estanqueidade à água
Pressão de projeto de vento
Pp x 0,15, em Pa
Residencial
unifamiliar
ou comercial
simples, até dois
pavimentos
Normal
I
II
III
IV
V
45
60
80
100
125
Residencial
ou comercial
até quatro
pavimentos
ou 12 metros
Melhorada
I
II
III
IV
V
65
90
120
150
180
Comercial pesada
ou edifícios
residenciais com
mais de cinco
pavimentos
Reforçada
todas as regiões
Pressões de ensaio = o maior dos dois valores: 0,15 x Pp (pressão de projeto das cargas de vento) e os valores das pressões da carga da classe Melhorada
Arquiteturas
especiais (shopping
centers, indústrias,
hospitais etc.)
Excepcional
todas as
regiões
Pressões de ensaio = o maior dos dois valores: 0,15 x Pp (pressão de projeto das cargas de vento) e os valores das pressões da carga da classe Melhorada
NBR 10821/1989 (Não há divisão por classe de utilização)

I
II
III
IV
V
70
90
110
140
180
 
Pressões de ensaio de vento
da NBR 10821/2000
Classe Região do país Pressão de
projeto (Pa)

Pressão de sucção(Pa)
Pe x 0,8

Pressão de ensaio (Pa)
Pe=Pp x1,5
Residencial
unifamiliar
ou comercial
simples, até dois
pavimentos
Normal
I
II
III
IV
V
300
400
550
650
850
350
500
650
800
1000
450
600
800
950
1250
Residencial
ou comercial
até quatro
pavimentos
ou 12 metros
Melhorada
I
II
III
IV
V
450
600
800
1000
1200
550
700
950
1200
1450
650
900
1200
1500
1800
Comercial pesada
ou edifícios
residenciais com
mais de cinco
pavimentos
Reforçada
todas as regiões

Calcular conforme NBR 6123 (ver nota1)

Calcular conforme NBR 6123 (ver nota1)

Calcular conforme NBR 6123 (ver nota1)

Arquiteturas
especiais (shopping
centers, indústrias,
hospitais etc.)
Excepcional
todas as
regiões
Calcular conforme NBR 6123 (ver nota2) Calcular conforme NBR 6123 (ver nota2) Calcular conforme NBR 6123 (ver nota2)
Nota 1: Na classe Reforçada, os valores de pressão (cf. NBR 6123) deverão ser pelo menos iguais aos valores das pressões de ensaio da classe Melhorada.

Nota 2: Nos casos de arquiteturas especiais da classe Excepcional, os valores de pressão de ensaio (cf. NBR 6123), quando inferiores aos valores da classe Melhorada deverão ser justificados por meio de ensaios em túneis de vento ou planilhas de cálculo e assumidos por um responsável técnico
 
Gráfico das isopletas da velocidade básica
do vento(Vo em m/s no Brasil)
 
Comparativo das pressões de ensaio
prescritas pela NBR 10 821 versão
2000 e pela versão de 1989
Norma NBR
Classe
Região
do pais
Pressão
de ensaio
(em Pa)
Pe=Pp x1,5
Limite de
deformação
 
Residencial unifamiliar ou comercial simples, até dois pavimentos
Normal
I
II
III
IV
V
450
600
800
950
1250











1/175
do vão














10821
(versão 2000)















Residencial ou comercial até quatro pavimentos ou 12 m
Melhorada
I
II
III
IV
V
650
900
1200
1500
1800
Comercial pesada ou edifícios residenciais com mais de cinco pavimentps
Reforçada
todas as regiões
Calcular conforme NBR 6123
Arquiteturas especiais(shopping centers , indústriais, hospitais etc.)
Excepcional
todas as regiões
Calcular conforme NBR 6123
10821
(versão 1989)
Edifícios até 10 m de altura em relação ao solo
I
II
III
IV
V
650
900
1200
1500
1800
1/150
do vão
 

Primeira NBR para guarda-corpos e novo manual de padronização de vãos
Foi aprovada em 14 de fevereiro e entra em vigor entre o final de março e o início de abril a primeira norma técnica brasileira que regulamenta o uso de guarda-corpos em edificações. Pela nova NBR, ainda sem a numeração de referência, os perfis superiores não podem mais ser planos. O objetivo é evitar que o perfil sirva de base a vasos
ou outros objetos que podem cair, provocando acidentes. A altura do guarda-corpo, do chão ao ponto mais alto, ficou estabelecida em no mínimo 1,10 metro. As grades não podem formar degraus ou outros desenhos que ermitam sua escalada por crianças, que também ficam protegidos pela medida máxima de 11 cm para vãos
verticais ou horizontais. O uso de vidro como fechamento fica restrito aos tipos aramado e laminado em espessuras adequadas ao tamanho do vão, conforme as normas específicas para vidros. Nada além do que uma simples dose de bom-senso já não recomende. Outra novidade fica por conta do lançamento, previsto para 29 de março em São Paulo, do Manual de padronização de vãos, um trabalho desenvolvido pela Afeal, pela Asbea e pelo Sinduscon/SP visando orientar construtoras e especificadores na redução de perdas e na racionalização dos custos. O manual
trata de projeto, fabricação e instalação de esquadrias durante a execução de uma obra, definindo fluxo
de procedimentos e as responsabilidades que cabem a cada um dos integrantes da cadeia construtiva.

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