Alexandre Castro e Silva
Empresarial ACS, Recife
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  Placas de granito cinza revestem as grelhas de concreto
 
Fachada de granito e vidro
Grelhas de concreto, revestidas com granito, emolduram quadros compostos por quatro painéis de vidro, definindo a fachada do bloco de escritórios e do edifício-garagem deste conjunto empresarial, localizado a cerca de 200 metros da praia de Boa Viagem, no Recife.

O edifício Empresarial Alexandre Castro e Silva, com 15 mil metros quadrados de área construída, leva o nome do arquiteto que o desenhou, falecido antes da construção. Segundo o arquiteto Paulo Porto, que assumiu o projeto executivo, a proposta dos empreendedores era a concepção de um complexo com flexibilidade de layout, para atender às mais diferentes necessidades de ocupação, o que ainda é pouco usual no Recife.

A solução foi criar uma estrutura com pilares nas extremidades das lajes de concreto protendido, projetados para suportar sobrecarga de até 500 kg/m2. Cada um dos 11 andares, com 608 metros quadrados de área útil, pode ser dividido em até quatro salas de cerca de 150 metros quadrados. Para atender a cada uma, foram planejados três banheiros sociais, uma copa e uma casa de máquinas destinada ao ar-condicionado, além de saídas de aspiração de pó e seis vagas de garagem.

A partir do sétimo piso, o usuário tem também a opção de interligar os andares. “Basta, para isso, instalar, em um espaço previamente preparado, uma escada interna”, explica o engenheiro João Carlos Amorim, diretor da Empresarial Atlântico, empresa responsável pela obra.

 
O conjunto é composto pela torre de escritórios e pelo bloco horizontal, destinado às garagens
 
  As grelhas unem visualmente os dois blocos
 

Perfis na cor azul

O conjunto é composto por um bloco vertical, com fachadas frontal e posterior curvas, e um volume horizontal. Como elemento de integração visual, o desenho da fachada destaca o sistema de grelhas. Nos vãos formados por elas foram instalados os caixilhos, compostos por perfis de alumínio pintados de azul e vidros na mesma cor. As grelhas de concreto são revestidas por placas de granito cinza, cuja instalação utilizou inserts metálicos de aço inoxidável 316, que garante maior durabilidade e menor custo de conservação.

A fachada deveria ressaltar a arquitetura, aliando desempenho térmico e acústico a qualidade, durabilidade e fácil manutenção. Segundo Gustavo Pinto Coelho, diretor técnico da Squadra Engenharia em Esquadrias, empresa responsável pela execução do projeto de caixilharia, as soluções atenderam às necessidades técnicas e à proposta arquitetônica, sem ultrapassar o orçamento previsto pela construtora.

As fachadas-cortina - que se configuram a partir de quadros fixos e móveis alternados - foram executadas no sistema stick, com vidros colados por silicone estrutural. As colunas foram dimensionadas para resistir às cargas de vento da região, mas, por não se tratar de um prédio corporativo, há abertura de janelas em cada unidade. No total, utilizaram-se 3,4 mil metros quadrados de vidro laminado refletivo azul de dez milímetros, com transmissão luminosa de 14%, reflexão luminosa de 41%, fator solar de 11%, coeficiente de sombreamento de 0,31 e valor U de 6,20 w/m2k (coeficiente global de transferência de calor por condução). De acordo com a arquiteta Cláudia Mitne, gerente de marketing da Glassec, a escolha do vidro de alta performance conferiu beleza e inovação tecnológica ao edifício.

Os perfis de alumínio da linha Cittá Due, com 55 milímetros de bitola, receberam como acabamento pintura eletrostática na cor azul RAL 5013, com camada mínima de 60 micra. Eles foram escolhidos em função da otimização do alumínio empregado nas colunas e travessas e da característica de tripla vedação. Outra vantagem da linha é dispor de soluções para pavimentos com pé-direito elevado, como o hall de acesso ao edifício, “além de permitir manutenção de forma pontual, quadro a quadro, já que as gaxetas de vedação estão todas no quadro, dispensando vedação nas colunas”, completa Coelho.

O volume correspondente aos escritórios foi concebido a partir de uma fachada curva que se eleva até a cobertura, protegendo a frente do terraço panorâmico de 150 metros quadrados. Grelhas de concreto emolduram um conjunto composto por quatro painéis de vidro - dois deles fixos -, enquanto as laterais do terraço receberam guarda-corpos de vidro laminado.

Para fechar os 300 metros quadrados de área de fachada na cobertura, optou-se pela pele de vidro, solução usada também para compor as duas faixas laterais que vão do solo ao topo da edificação. São soluções arquitetônicas que interrompem a linguagem da fachada curva em grelhas, retomada, em linhas retas, no bloco contíguo, onde se localizam os pavimentos de garagem.

A geometria diferenciada do Empresarial ACS representou um grande desafio para a execução dos caixilhos. Os trechos curvilíneos dificultaram a execução e a padronização das soluções. “Inicialmente foi avaliada a proposta de utilizar caixilhos e vidros curvos, abandonada em função dos custos. Assim, todos os caixilhos são retos, com trechos facetados”, explica o consultor de fachadas Igor Alvim, da QMD. As fachadas curvas foram construídas com a utilização de colunas articuladas da linha Cittá Due.

Projetada em função das medidas dos vãos, a modulação - que varia em 1.100 milímetros conforme a fachada - sofreu pequenas alterações em virtude das fachadas entre vãos. No total foram utilizadas aproximadamente 35 toneladas de alumínio para a execução das fachadas e grelhas de ventilação.

Texto resumido a partir de reportagem
de Gisele Cichinelli
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 50 Setembro de 2007

 
Foram usadas cerca de 35 toneladas de alumínio para a execução das fachadas
 
Os caixilhos são retos e têm trechos facetados
 
Imagem digital do terraço panorâmico
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