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Sergio Assumpção Arquitetura
Edifício Brigadeiro I, São Paulo |
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| Átrio com brises gera identidade |
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| Construídos com três anos de diferença, mas com o mesmo conceito arquitetônico, os edifícios Brigadeiro I e II têm como destaque o átrio com pé-direito protegido por fachada de vidro e brises metálicos, agora colocados no lado externo da fachada, ancorados em perfis de aço. |
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Os dois edifícios têm características arquitetônicas similares, definidas pela volumetria interna com pés-direitos duplos, distribuição das áreas de escritório separadas das de serviços, porém com total comunicação, e lajes sem interferência, que possibilitam maior flexibilidade na divisão dos andares. Essa composição os tornou atraentes aos olhos do Grupo Ypy - rede de agências de publicidade e de serviços de comunicação idealizada pelo publicitário Nizan Guanaes. Primeiro a ser construído, o Brigadeiro II abriga a DM9DDB, enquanto seu vizinho foi recentemente ocupado
pela MPM.
“As soluções empregadas são artifícios para deixar os dois edifícios mais imponentes, apesar de terem apenas 26 metros de altura, medida permitida pela legislação”, explica o arquiteto Sergio Assumpção, autor dos projetos de arquitetura. Assim como no Brigadeiro II (leia Finestra 33, maio de 2003), o grande destaque do Brigadeiro I é a caixa de vidro ancorada em estrutura metálica, formando o átrio na entrada. Para vencer a altura do vão foram usados perfis esbeltos de aço, que dão sustentação aos vidros e aos brises metálicos.
Átrio envidraçado
Os brises foram utilizados como recurso estético, marcando a fachada do átrio com linhas horizontais, e também como proteção, apesar de a face sudeste ter bom grau de sombreamento. Estão instalados externamente, ao contrário de seu vizinho mais antigo, que os recebeu no lado interno da fachada.
O terreno em forma de L definiu o formato da torre Brigadeiro I, composta por um bloco de estrutura mista - concreto armado e metálica - sobre quatro pilares de concreto. Para aproveitar as melhores vistas, voltadas para a avenida Brigadeiro Luís Antônio e o bairro dos Jardins, as áreas de serviço foram colocadas em ponto menos favorável. As salas de escritórios, com lajes de 404,29 metros quadrados, permitem visão da paisagem e se comunicam com o vazio do átrio através de caixilhos circulares, instalados na empena que separa a caixa de vidro do bloco de concreto. Compondo a estrutura do edifício, a empena, estruturada em vigas de concreto, tem 13 metros de largura e 29 metros de altura, projetando-se três metros para fora da edificação.
A entrada de luz natural ocorre através da fachada de vidros incolores e da clarabóia em forma de pirâmide, inserida na cobertura da caixa envidraçada.
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| A caixa de vidro ancorada em estrutura metálica é o grande destaque do edifício |
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| Brises metálicos foram instalados no lado externo da fachada |
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Apoiada na estrutura do átrio, a estrutura da clarabóia auxilia no sistema de travamento |
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Estrutura
Durante a execução, o projeto de fachadas sofreu modificações. “Seriam usadas três cores de vidro: serigrafados brancos na frente de laje, faixas horizontais pretas e refletivo no vão-luz. Em função de custo, optou-se por um único vidro e marcações horizontais realizadas com os próprios montantes da caixilharia. O invólucro do edifício apresenta quatro soluções: pele de vidro structural glazing, pele de vidro com painéis de alumínio composto, caixa de vidro com brises metálicos e revestimento agregado mineral”, diz o arquiteto.
A caixa de vidro é formada pelo encontro das fachadas frontal e lateral direita. Trata-se de um L com seis metros de largura na face frontal e 11 metros na outra. “Totalmente independente do volume de concreto, a estrutura do átrio foi executada após a conclusão do bloco de lajes”, explica a arquiteta Eliane Kuperman Scherer, do escritório de arquitetura. Desenvolvida pela empresa Grupo Dois Engenharia, a estrutura é formada por pilares e vigas vierendel produzidas com perfis laminados, pilares tubulares e chapas dobradas de aço A36 pintados com esmalte sintético. No total são seis pilares tubulares circulares, dispostos a cada 2,80 metros e travados pelas vigas, as quais também funcionam como brises metálicos. Instaladas do lado externo do edifício, estas foram dispostas a cada 1,20 metro de altura e servem de apoio para a caixilharia do átrio, sendo fixadas através de cantoneiras nos pilares.
Na cobertura, há uma pirâmide de vidro com 4,25 metros de base e três metros de altura. Sua estrutura metálica, apoiada na do átrio, também serve de travamento da estrutura da caixa de vidro. “A execução do átrio demandou detalhado planejamento, tendo em vista o pé-direito extremamente alto e a colocação dos brises externos”, lembra o engenheiro Luiz Carlos Martins, diretor técnico da Construtora Bueno Netto.
A pirâmide permite a entrada de luz natural através de vidros laminados refletivos prata de 11 milímetros com 29,1% de transmissão luminosa e coeficiente de sombreamento de 0,44. Eles foram colados em perfis de alumínio da linha Clarabóia, desenvolvida pela QMD Consultoria e especificada pela empresa Alumínio Brasil, responsável pelo projeto e consultoria de fachadas e cobertura da obra.
Ventilação
A arquiteta Karla Neves de Souza, coordenadora de projeto da Alumínio Brasil, revela que nas laterais da pirâmide existe um detalhe interessante. “Foi desenvolvido um sistema de ventilação simples e discreto com os vidros colados em um perfil de alumínio, que forma um U, fixado junto à estrutura metálica da cobertura. Na parte intermediária do próprio caixilho, os vidros se sobrepõem um ao outro no sentido vertical, deixando um espaçamento entre si, na horizontal, suficiente para atender a área de vazão prevista para a ventilação permanente”, ela explica.
A estrutura do átrio também serve de sustentação para a marquise metálica com vidros laminados incolores de nove milímetros, na entrada do edifício. Em balanço de quatro metros, a marquise, composta por uma estrutura tubular de aço A36 com acabamento de esmalte sintético, tem dois tirantes de aço soldados nos pilaretes do átrio. No forro utilizaram-se réguas de madeira a cada dois centímetros, propiciando um efeito luminotécnico diferenciado.
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| A estrutura metálica do átrio é formada por vigas vierendel, produzidas com perfis laminados, pilares tubulares e chapas dobradas de aço |
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| Entre o corpo do edifício e a caixa de vidro do átrio há uma empena, estruturada em vigas de concreto, com 13 metros de largura e 29 metros de altura |
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Apoiada na estrutura do átrio, a estrutura da clarabóia auxilia no sistema de travamento |
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A fachada de vidro do Brigadeiro I foi executada com a nova linha Évora de perfis de alumínio, desenvolvida pela Alumínio Brasil. Trata-se de um sistema misto stick/unitized, composto por colunas, folhas e ancoragens. Apesar de as fachadas terem composições diferentes, foi possível usar o mesmo sistema, com pequenas variações. Na face principal do edifício, a solução é uma fachada-cortina structural glazing. Na lateral direita e na posterior, a caixilharia silicone glazing é entre vãos. Na lateral esquerda e em parte do plano posterior foram utilizados painéis de alumínio composto prata, na frente de laje, e vidros laminados refletivos, no vão-luz. Em trechos da empena posterior e da lateral direita o acabamento é com agregado mineral combinado com alguns caixilhos.
Para a fachada da caixa de vidro foi usada uma variação do sistema Évora, desenvolvida especificamente para esse tipo de entre vão modular. O caixilho deveria estar apoiado sobre as vigas de aço de onde partiam também os tubos de fixação. “A idéia foi simplificar ao máximo a instalação do caixilho, além de não sobrecarregar a estrutura”, afirma Karla.
A estrutura mista de concreto e metal também interferiu no projeto de fachada. A maior dificuldade na definição dos detalhes de fixação foi justamente no encontro dos dois tipos de estrutura presentes na face frontal, com modulação de 1.250 x 3.650 milímetros. No átrio e nos caixilhos entre vãos, a modulação dos quadros de vidro é de 1.250 x 2.400 milímetros. Para fixação dos vidros na estrutura metálica foi utilizada uma peça de aço auxiliar soldada na viga I, para receber posteriormente a ancoragem da fachada. Já nas outras áreas de fachada, a instalação das esquadrias foi realizada através de ancoragens de alumínio chumbadas na estrutura do edifício.
Quadros fixos
No interior do átrio, os caixilhos circulares receberam vidros laminados incolores de 11 milímetros, colados em perfis circulares. São duas esquadrias por andar, inclusive nos mezaninos, totalizando 12 janelas fixas. “Para os caixilhos circulares de 2,40 metros de diâmetro foi adotada uma solução bastante simples, composta por dois perfis - um tubo retangular e uma barra chata. Ela partiu do princípio de que os perfis precisariam ser calandrados para ficar com o formato circular e, portanto, precisavam ser simples, para não dificultar esse processo”, lembra Karla.
Na fachada frontal só existem quadros fixos. Já nos panos entre vãos foram inseridos dois quadros móveis por andar, com sistema de automação para acionamento, em ocorrência de pane no
ar-condicionado, e controle de fumaça, em caso de incêndio. No térreo também foi utilizado o sistema Évora, mas, para vencer o pé-direito de 4,20 metros, foi necessária uma coluna mais profunda, de 130 milímetros, com fixação no piso e na laje de concreto, atravessando o forro. O limite dos quadros, no entanto, é o forro, junto ao qual existe um arremate também de alumínio em todo o vão.
Métodos construtivos
O empreendimento foi desenvolvido dentro do conceito built to suit, isto é, feito sob medida para atender às necessidades operacionais, de localização, identidade da empresa e necessidades funcionais de espaço, a fim de propiciar condições ideais de flexibilidade e adaptabilidade. Com 3,2 mil metros quadrados de área construída, o Brigadeiro I possui dois subsolos, térreo e três andares com pé-direito duplo de sete metros, que origina um mezanino em cada um deles.
Segundo o engenheiro Martins, um dos maiores desafios da obra foi o curto prazo para execução - 12 meses -, devido ao fato de a locação ter ocorrido antes da conclusão dos projetos executivos. Para atender a esse período e às características arrojadas da proposta arquitetônica, o edifício foi construído com estrutura mista. Pilares, vigas de borda, áreas de serviço, elevadores e escadas são de concreto armado e aço. Na área interna do escritório, a estrutura é de perfilado metálico, com a laje dos pavimentos-tipo em steel deck e a do mezanino em painel wall.
Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 51 Dezembro de 2007 |
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| Átrio visto através de elementos de madeira |
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| Nas faces lateral e posterior, a caixilharia silicone glazing é entre vãos |
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| A fachada de vidro foi executada com sistema misto stick/unitized da linha Évora |
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