PROTEÇÃO ANÓDICA
Novas tecnologias e novos processos de trabalho fazem do Brasil um dos países com melhor padrão de anodização do mundo
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  Perfis anodizados da Companhia Brasileira de Alumínio
 
Anodização ganha mercado
Com novos processos, a indústria passou a oferecer, além de ampla cartela de cores - que vai dos intensos vermelho e azul a tons mais suaves, como o grafite e o champanhe -, opções de acabamento fosco, brilhante, jateado e com padrão que lembra o aço inoxidável escovado.

A evolução tecnológica que a anodização alcançou nos últimos dez anos se reflete no desenvolvimento de processos para colorir os perfis de alumínio, na utilização de produtos que não agridem o meio ambiente nem o ser humano e, principalmente, na normatização. A anodização consiste em tratar os perfis através de um processo eletroquímico que permite preservar todas as qualidades do alumínio, criando uma película protetora de óxido em sua superfície.

 
O fenol, antes utilizado na anodização, foi substituído por aditivos e ácidos orgânicos não danosos ao meio ambiente
 
  O processo consiste em aumentar a espessura da camada superficial de óxido de alumínio, fazendo crescer, assim, sua resistência à corrosão
 

Uma das grandes conquistas do setor, a norma NBR 12.609 - Tratamento de Superfície do Alumínio e suas Ligas entrou em vigor em 1992, apesar de o processo de anodização ter se originado nos Estados Unidos na década de 1930 e no Brasil nos anos 1960. “Hoje a camada anódica deve ter, no mínimo, 11 micra para uma região menos agressiva”, afirma o engenheiro Adeval Meneghesso, presidente da comissão técnica de acabamento de anodização e pintura da ABNT e diretor-superintendente da Italtecno do Brasil, empresa que oferece produtos e tecnologias para esse procedimento. Antes da vigência das normas, a camada anódica, independentemente da região onde o perfil seria instalado, tinha, no máximo, espessura de sete micra.

Outra grande mudança foi a substituição do fenol - mais perigoso - por aditivos e ácidos orgânicos, que formam a nova geração de coloração não danosa ao meio ambiente. Também houve avanço tecnológico nos equipamentos - máquinas elétricas, retificadores e alimentadores para eletrocoloração -, que ajudaram a reduzir o consumo de energia.

Novas cores

Se antes imperavam as cores escuras - preto e tons de bronze -, devido às limitações do processo de anodização, atualmente a variedade de acabamento anodizado aguça a criatividade dos arquitetos. Nos últimos anos, a indústria passou a oferecer, além de ampla cartela de cores - que vai dos intensos vermelho e azul a tons mais suaves, como o grafite e o champanhe -, as opções fosco, brilhante, jateado e com padrão que lembra o aço inoxidável escovado.

Os novos processos permitiram colorir perfis de alumínio com resistência aos raios ultravioleta. Além de embelezar, a anodização protege a superfície. “Ela tem grandes vantagens em relação a outros procedimentos, porque é uma camada transparente, que permite visualizar todo o processo mecânico feito na superfície do alumínio”, explica Meneghesso.

Exemplo disso é a anodização com padrão de aço inoxidável. “Para ter esse tipo de acabamento, o perfil primeiramente é lixado, para, depois, passar por todas as etapas do processo. No entanto, o efeito de perfil escovado é perceptível ao final”, acrescenta o engenheiro. Segundo ele, as características do metal são mantidas, e essa é uma grande vantagem da anodização.

Basicamente, o processo consiste em aumentar a espessura da camada superficial de óxido de alumínio, fazendo crescer, assim, sua resistência à corrosão. A camada anódica é formada por milhares de células hexagonais, tendo cada uma um poro central, que recebe o metal colorante - no caso, o estanho. O procedimento de anodização é sempre o mesmo, o que muda é a forma de colorir o alumínio, observa Meneghesso.

Processos

O perfil pode ser colorido através dos processos eletrolítico, por imersão ou absorção, ou ainda por modificação da base dos poros da camada anódica. Quando a anodização é feita pela forma eletrolítica, o íon metálico é depositado dentro do poro por diferença de potencial. A intensidade de cor desejada determina o tempo que o perfil ficará no tanque de coloração.

Na absorção ou imersão, o perfil é submerso num tanque com corante da cor desejada, que é absorvido pela camada anódica. Como esta possui estrutura molecular similar à da fibra do algodão, apresenta um nível de porosidade que favorece a absorção do corante.

 
A camada anódica deve ter, no mínimo, 11 micra para uma região menos agressiva
 
Acabamento anodizado com padrão do aço inoxidável escovado
 
Perfis de alumínio com anodização natural fosca
 
Espessura da camada anódica em função da região onde o alumínio será utilizado
Aplicação Classe de anodização Espessura em
micrômetros (micra)
Nível de agressividade
do meio ambiente
Zona rural/urbana A13 de 11 a 15 baixa/média
Zona litorânea A18 de 16 a 20 alta
Zona industrial/marítima A23 de 21 a 25 excessiva
 

Mas esse tipo de anodização não pode ser aplicado em perfis que serão utilizados pela construção civil, pois os corantes são orgânicos e a maioria das cores não resiste aos raios ultravioleta, sofrendo alterações após pequeno período de exposição. Cores como dourado e preto são as únicas que resistem, nesse caso.

Novidades no mercado

Em breve, outra opção para anodização de perfis de alumínio estará disponível no mercado brasileiro. Para aumentar a gama de cores em perfis anodizados para a construção civil, há oito anos foi desenvolvido na Europa o método de modificação da base dos poros da camada anódica pelo processo Multicolor. Ele torna a camada mais resistente aos raios ultravioleta. Ainda não é utilizado no país, mas a Italtecno vem negociando duas obras para o início do próximo ano.

No processo Multicolor, a formação da cor depende da modificação do fundo do poro, da quantidade de estanho nele bombardeado e da incidência da luz. Assim como no método eletrolítico, a coloração é feita com o depósito de sais metálicos no poro da camada. Antes de o perfil ir para o tanque de coloração, no entanto, o formato dos poros da camada anódica, originalmente redondo, é modificado conforme a cor. Essa mudança é feita através de um sistema computadorizado que deforma cada poro repetidamente até todos terem a mesma forma.

Após a modificação dos poros, o perfil vai para o tanque de coloração, onde o estanho é depositado para a obtenção da cor desejada. A incidência da luz sobre a camada anódica modificada provoca um efeito ótico que permite a visualização da tonalidade programada. Para cada tom existe um programa computadorizado que muda o poro, a quantidade de metal bombardeado, e o efeito ótico da incidência da luz mostra a cor escolhida. “A coloração é garantida por 30 anos. A grande vantagem do Multicolor é obter variedade de cores em perfis anodizados, com elevada resistência aos raios ultravioleta”, observa Meneghesso.

Mais eficiente

Antes de haver uma norma para o tratamento de superfícies de alumínio por anodização, o trabalho executado era de baixa qualidade, principalmente na selagem. “Como o sal de níquel utilizado é muito caro, muitas empresas não cumpriam essa etapa do processo e o cliente comprava sem saber”, afirma Meneghesso. A normatização e o controle melhoraram a eficiência. “Hoje o produto anodizado é garantido por 30 anos sem problemas. Basta fazer corretamente a manutenção normal de limpeza”, diz.

Com a aprovação da NBR 12.609 - que estabelece parâmetros para a espessura e a resistência da camada anódica -, o Brasil tornou-se um dos países com a melhor anodização do mundo. Os produtos utilizados no tratamento não são normatizados porque os processos podem ser feitos com produtos diferentes e com a mesma qualidade.

A selagem, por exemplo, pode ser feita a frio, a quente ou a média temperatura, e existem ainda empresas que pesquisam e desenvolvem outros processos. Se a selagem passar pelo teste e apresentar as características exigidas pela norma, o produto está aprovado. Dessa forma, há uma normatização indireta, pois, a partir do momento em que o perfil anodizado passa pelos ensaios, o produto químico utilizado é, conseqüentemente, bom. “O importante é utilizar produtos que não agridam o meio ambiente nem a saúde das pessoas”, diz Meneghesso.

Tomando por base as características da região onde será utilizado o perfil de alumínio anodizado, a norma estabelece a espessura da camada anódica e a freqüência de limpeza da esquadria (veja tabela acima).

Para verificar a qualidade da anodização, os perfis passam pelos testes de qualidade da selagem, espessura da camada, resistência a raios ultravioleta e à abrasão. Os dois primeiros podem ser feitos pelo serralheiro. Já o de resistência a raios ultravioleta é realizado por institutos especializados, como Falcão Bauer e IPT. Para fazer a prova de descoloração acelerada, o perfil é colocado em uma câmara, onde é emitido um feixe de raio ultravioleta por determinado tempo; se o perfil descolorir, está reprovado. “Seria muito importante que um maior número de empresas atuantes na área de anodização de perfis para a construção civil fosse certificado e apresentasse os seus produtos com o selo de qualidade do Inmetro”, afirma Meneghesso.

Apesar de a abrasão do vento corroer cerca de 0,5 mícron da camada anódica por ano, existem alguns cuidados para ajudar a preservar o tratamento feito na superfície. A limpeza do alumínio deve ser regular, conforme a tabela da norma, para evitar que se criem, pela deposição de materiais particulados, tensões superficiais, que darão início ao processo de corrosão localizado.

O perfil anodizado não aceita produtos ácidos, como muriático ou sulfúrico, nem produtos alcalinos, como cal, cimento e outros. Todos esses elementos degradam a camada anódica. O silicone utilizado em perfil anodizado deve ser o neutro; não pode ser usado o acético. Em hipótese alguma deve-se usar vaselina para proteger a camada anódica. Para a manutenção, é recomendado detergente neutro.

Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 51 Dezembro de 2007

 
Novos processos permitem colorir perfis de alumínio com resistência aos raios ultravioleta
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