|
Mas esse tipo de anodização não pode ser aplicado em perfis que serão utilizados pela construção civil, pois os corantes são orgânicos e a maioria das cores não resiste aos raios ultravioleta, sofrendo alterações após pequeno período de exposição. Cores como dourado e preto são as únicas que resistem, nesse caso.
Novidades no mercado
Em breve, outra opção para anodização de perfis de alumínio estará disponível no mercado brasileiro. Para aumentar a gama de cores em perfis anodizados para a construção civil, há oito anos foi desenvolvido na Europa o método de modificação da base dos poros da camada anódica pelo processo Multicolor. Ele torna a camada mais resistente aos raios ultravioleta. Ainda não é utilizado no país, mas a Italtecno vem negociando duas obras para o início do próximo ano.
No processo Multicolor, a formação da cor depende da modificação do fundo do poro, da quantidade de estanho nele bombardeado e da incidência da luz. Assim como no método eletrolítico, a coloração é feita com o depósito de sais metálicos no poro da camada. Antes de o perfil ir para o tanque de coloração, no entanto, o formato dos poros da camada anódica, originalmente redondo, é modificado conforme a cor. Essa mudança é feita através de um sistema computadorizado que deforma cada poro repetidamente até todos terem a mesma forma.
Após a modificação dos poros, o perfil vai para o tanque de coloração, onde o estanho é depositado para a obtenção da cor desejada. A incidência da luz sobre a camada anódica modificada provoca um efeito ótico que permite a visualização da tonalidade programada. Para cada tom existe um programa computadorizado que muda o poro, a quantidade de metal bombardeado, e o efeito ótico da incidência da luz mostra a cor escolhida. “A coloração é garantida por 30 anos. A grande vantagem do Multicolor é obter variedade de cores em perfis anodizados, com elevada resistência aos raios ultravioleta”, observa Meneghesso.
Mais eficiente
Antes de haver uma norma para o tratamento de superfícies de alumínio por anodização, o trabalho executado era de baixa qualidade, principalmente na selagem. “Como o sal de níquel utilizado é muito caro, muitas empresas não cumpriam essa etapa do processo e o cliente comprava sem saber”, afirma Meneghesso. A normatização e o controle melhoraram a eficiência. “Hoje o produto anodizado é garantido por 30 anos sem problemas. Basta fazer corretamente a manutenção normal de limpeza”, diz.
Com a aprovação da NBR 12.609 - que estabelece parâmetros para a espessura e a resistência da camada anódica -, o Brasil tornou-se um dos países com a melhor anodização do mundo. Os produtos utilizados no tratamento não são normatizados porque os processos podem ser feitos com produtos diferentes e com a mesma qualidade.
A selagem, por exemplo, pode ser feita a frio, a quente ou a média temperatura, e existem ainda empresas que pesquisam e desenvolvem outros processos. Se a selagem passar pelo teste e apresentar as características exigidas pela norma, o produto está aprovado. Dessa forma, há uma normatização indireta, pois, a partir do momento em que o perfil anodizado passa pelos ensaios, o produto químico utilizado é, conseqüentemente, bom. “O importante é utilizar produtos que não agridam o meio ambiente nem a saúde das pessoas”, diz Meneghesso.
Tomando por base as características da região onde será utilizado o perfil de alumínio anodizado, a norma estabelece a espessura da camada anódica e a freqüência de limpeza da esquadria (veja tabela acima).
Para verificar a qualidade da anodização, os perfis passam pelos testes de qualidade da selagem, espessura da camada, resistência a raios ultravioleta e à abrasão. Os dois primeiros podem ser feitos pelo serralheiro. Já o de resistência a raios ultravioleta é realizado por institutos especializados, como Falcão Bauer e IPT. Para fazer a prova de descoloração acelerada, o perfil é colocado em uma câmara, onde é emitido um feixe de raio ultravioleta por determinado tempo; se o perfil descolorir, está reprovado. “Seria muito importante que um maior número de empresas atuantes na área de anodização de perfis para a construção civil fosse certificado e apresentasse os seus produtos com o selo de qualidade do Inmetro”, afirma Meneghesso.
Apesar de a abrasão do vento corroer cerca de 0,5 mícron da camada anódica por ano, existem alguns cuidados para ajudar a preservar o tratamento feito na superfície. A limpeza do alumínio deve ser regular, conforme a tabela da norma, para evitar que se criem, pela deposição de materiais particulados, tensões superficiais, que darão início ao processo de corrosão localizado.
O perfil anodizado não aceita produtos ácidos, como muriático ou sulfúrico, nem produtos alcalinos, como cal, cimento e outros. Todos esses elementos degradam a camada anódica. O silicone utilizado em perfil anodizado deve ser o neutro; não pode ser usado o acético. Em hipótese alguma deve-se usar vaselina para proteger a camada anódica. Para a manutenção, é recomendado detergente neutro.
Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 51 Dezembro de 2007 |