Walfredo Balistieri

Ginásio esportivo - Blumenau/SC

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A nova cobertura tem balanços laterais e revestimento metálico
Cobertura com viga treliçada circular
Conhecido pela população de Blumenau como Galegão, o ginásio esportivo da cidade ganha cobertura com telhas metálicas duplas e acabamentos com painéis de alumínio composto. Para isso foi criada uma estrutura com viga treliçada circular, apoiada nos quatro pilares de concreto da construção, erguida na década de 1960.

Apelidado de Galegão por causa da origem germânica da população de Blumenau, em Santa Catarina, o Ginásio de Esportes Sebastião Cruz teve sua construção iniciada em 1968, mas o projeto (1967) do arquiteto Egon Belz não chegou a ser finalizado na época. Uma cobertura metálica plana, sem estilo arquitetônico definido, foi utilizada durante muito tempo. Nos últimos sete anos, o ginásio ficou abandonado e interditado pelo risco que o fechamento provisório oferecia. A recuperação do ginásio foi determinada pelo titular da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan), Walfredo Balistieri, e culminou, em novembro de 2007, com o projeto de reforma e adequação da proposta original.

A retomada, que faz parte da reurbanização da área onde está localizado o Galegão, contou com a participação dos arquitetos Jonas Eduardo Franz e Marcelo Mannrich, da Seplan, e do próprio Belz, que morreria um mês depois. Ex-atleta, com idade avançada, ele sofreu parada cardíaca quando carregava a tocha do Pan, e assim, pela segunda vez, não teve a oportunidade de ver concluído o trabalho que tanto defendeu. A reforma do Galegão envolveu profissionais de diversas empresas, numa obra que chama a atenção não mais pelo abandono, mas pelo ar futurista das formas circulares, pelos grandes balanços laterais planos e revestimento metálico. "Tínhamos apenas quatro pilares de concreto para apoiar toda a estrutura metálica da cobertura e um projeto arquitetônico que não permitia alterar sua forma ou funcionalidade", observa Edgard Trautwein, diretor técnico da Engetécnica e calculista das estruturas.

ANEL TRELIÇADO

A cobertura sustenta-se sobre uma viga treliçada circular, com diâmetro de 68 metros, e duas vigas em arco, que suportam um anel metálico central. Com dez metros de diâmetro, o anel treliçado recebe a concentração dos esforços de toda a malha da cobertura, com desnível de 1,50 metro, onde uma estrutura tubular apóia placas de policarbonato transparente. Nessa diferença de nível foram instaladas venezianas de alumínio. Telhas metálicas duplas, com isolamento térmico e acústico (EPS), foram fixadas sobre a estrutura metálica.

Foto aérea da antiga cobertura
Instalação dos painéis de alumínio composto no contorno da cobertura
Uma passarela metálica interliga o ginásio, o parque público Ramiro Ruediger e os pavilhões da Vila Germânica, onde é realizada a Oktoberfest
A partir de uma viga-anel de contorno, partem as vigas metálicas treliçadas em forma de arco

Cada um dos quatro pilares da antiga edificação sustenta uma área de cobertura de 1,5 mil metros quadrados e uma carga de aproximadamente 120 toneladas. A partir de uma viga-anel de contorno partem as vigas metálicas treliçadas em forma de arco, projetadas com perfis laminados ASTM A 575, associados a perfis dobrados a frio, de alta resistência. Todas as peças foram pré-fabricadas e aparafusadas na própria obra. Outras oito colunas, com 25 metros de altura, estão fora da área da cobertura, contornando o ginásio.

A limitação da área de trabalho e a necessidade de reaproveitar os quatro pilares principais, as arquibancadas e os pisos existentes foram condicionantes para a estrutura de apoio da cobertura. "Como o ginásio estava parcialmente construído, não foi possível o acesso de equipamentos para a montagem", explica o engenheiro Romano Martini, diretor da Dagnese, que fabricou e montou a estrutura metálica da cobertura. Foram utilizados guindastes com capacidade de 111 toneladas e lanças de 111 metros. A forma circular da cobertura, associada a beirais em todo o contorno, formando uma figura quadrada, precisou vencer vãos livres em balanço de até 20 metros. A construção desses balanços segue o mesmo alinhamento das vigas internas, gerando vigas diferenciadas para cada módulo.

"A estrutura de cobertura foi dimensionada a partir de software tridimensional", observa Martini. Externamente, todo o contorno do ginásio está em balanço, com vigas treliçadas planas, vencendo vãos de até 20 metros, com um pequeno caimento para fora. No contorno do balanço da cobertura, uma platibanda de pequena altura, revestida com painéis de alumínio composto, cobre a calha e proporciona acabamento. No corpo do edifício circular, uma estrutura treliçada tubular assegura a fixação de venezianas com altura de dois metros, totalmente independentes das arquibancadas, vencendo vão livre de dez metros.

As venezianas têm a finalidade de proporcionar conforto térmico, com a entrada do ar externo, mais frio, que empurra o ar quente para cima; este sai pela ventilação, junto ao anel central. Para instalar os painéis de alumínio composto nos beirais do ginásio (580 metros quadrados de painéis), caixa-d’água e colunas e também os brises, foi criada uma plataforma móvel de cerca de 36 metros quadrados. Usada como andaime, ela ganhou um contrapeso para ficar em balanço de três metros no lado externo e permitir o acesso aos beirais, que se projetam para fora da laje, impossibilitando o uso de andaimes comuns. A estrutura auxiliar para a colocação dos painéis de alumínio composto foi pré-fabricada em módulos, com tubos galvanizados. Os beirais têm módulos de 1.220 x 1.600 milímetros; o requadro dos brises é de 500 x 1.200 milímetros, enquanto as colunas tiveram medidas variadas.

A fixação dos painéis foi feita com parafusos autoperfurantes e fitas VHB. Com espessura de três milímetros, as chapas são da cor cinza-prata, sendo as vedações com silicone neutro cinza-claro. Fechado com brises acrílicos leitosos, o lanternim (anel central) permite a saída de ar quente e a entrada da luz natural. Para dimensionar as áreas de brise, para a ventilação cruzada direta e o escape do ar quente pela cobertura, os estudos levaram em conta a capacidade máxima de público do ginásio (3.065 pessoas). Na parte hidráulica, dimensionou-se uma coletora de água e respectivo reservatório, para a captação de água da chuva e seu reaproveitamento para limpeza e irrigação do jardim e do contíguo parque Ramiro Ruediger.

Para a segurança dos usuários, uma passarela metálica, com pilares e laje de piso em concreto, transpõe a rua em direção ao ginásio. Com elevador público, ela interliga o ginásio, o parque Ramiro Ruediger e os pavilhões da Vila Germânica, onde é realizada a tradicional Oktoberfest, entre outros eventos. Com rampas laterais e vigas de perfis soldados, a passarela vence dois vãos livres de 22 metros. Foram usados perfis geométricos robustos, em forma de tubo quadrado, associados a outros redondos, aparentemente leves.

Reinaugurado em maio de 2008, o complexo esportivo de múltiplo uso uso tem três níveis (térreo, esplanada de acesso com 2.820 metros quadrados e arquibancadas). Ele abriga quadra poliesportiva, dependências para shows, vestiários, sala e cabines de imprensa, depósitos, sanitários, espaço para portadores de necessidades especiais, academia, administração e praça de alimentação. Está prevista ainda a implantação do Museu do Esporte.


Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 54 Setembro de 2008
Cada um dos quatro pilares da antiga edificação sustenta uma área de cobertura de 1,5 mil metros quadrados e uma carga de cerca de 120 toneladas
Brises permitem a iluminação...
... e a ventilação no interior do ginásio
Detalhe interno da estrutura