Aflalo & Gasperini: Centro Empresarial Itaúsa, São Paulo

Soluções contemporâneas mantém unidade visual do conjunto de edifícios

Fichas técnicas
Mantendo o mesmo desenho arquitetônico dos edifícios já existentes, a nova
construção foi revestida com materiais contemporâneos, como os painéis de alumínio composto
Soluções contemporâneas
mantém unidade visual
do conjunto de edifícios

A nova construção expressa uma concepção contemporânea. Em vez de concreto aparente, a estrutura foi revestida com painéis de alumínio composto, material inexistente no mercado brasileiro 20 anos atrás, que confere à edificação a estética high-tech. A unidade de sua fachada em relação aos outros três prédios é mantida pela cor e textura do material.
Três áreas - entrada principal, hall com pé-direito duplo de cerca de sete metros e conjunto de elevadores - conferem personalidade à edificação.
Na entrada principal, pela avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, uma grande marquise imprime contemporaneidade e a exigida suntuosidade ao prédio, como era desejo do Itaú.
Em balanço, a marquise é formada por uma grelha metálica - uma retícula apoiada em vigas metálicas, ancoradas nos pilares do edifício. Segundo o engenheiro Ricardo França, responsável pelo projeto de estruturas - deste e dos outros edifícios -, a viga tem vão de 20 metros, de um pilar ao outro. Lâminas de aço apóiam a grelha, coberta por vidro laminado e viabilizada por septos verticais.
“Essa grande viga que recebe a marquise une os dois pilares da fachada”, explica França. Alguns detalhes construtivos permitem que a viga produza a sensação visual de leveza. “A impressão é que ela está solta no ar, mas não gira e nem dá torção à viga. Porém impressiona, pois além dos 20 metros de vão tem mais 10 metros de balanço. Isso foi possível com a utilização de perfis compostos por chapas soldadas, resultando em uma estrutura esteticamente mais leve”, diz França.
Além da entrada monumental, que conduz ao hall protegido por pano de vidro estrutural, o projeto também concedeu tratamento diferenciado para os acessos de veículos. Tanto nos edifícios mais antigos como nesta torre, a área de acesso pelo estacionamento é considerada espaço nobre, um lobby privativo.
Modulação
Outro elemento utilizado para buscar a referência contemporânea da torre Eudoro Villela foi a utilização de painéis de alumínio composto (ACM) no revestimento da estrutura de concreto, de forma a aproximar seu envoltório da estética das três torres e, ao mesmo tempo, distingui-lo.
As dimensões das placas de ACM foram estudadas para formar três módulos de 1,87 metro de largura, gerando maior aproveitamento no uso do material.
A racionalização da obra e todas as etapas que esse processo inclui, para gerar melhores resultados em termos de custos e de qualidade da construção, foram condicionantes apresentadas pela construtora e seguidas pela equipe de arquitetura.
A coordenação modular é uma das ferramentas a serem destacadas para cumprir esses objetivos.
Na época da construção das três torres não foi considerada a coordenação entre caixilhos, forro e outros elementos, pois esse processo ainda não fazia parte do repertório da indústria da construção civil no país. Na torre Eudoro Villela, a modulação resultou em melhor rendimento para os revestimentos de ACM e também para os caixilhos fixos com vidros duplos laminados.
Apesar da diferença de dimensão resultante da modulação, a nova torre e os três antigos edifícios, quando vistos na escala humana, mantêm as proporções e sugerem a percepção de envoltórios idênticos.
Estrutura
A torre foi desenvolvida a partir da laje plana de
1600 metros quadrados do embasamento construído na primeira etapa. As diferenças no projeto estrutural do último edifício do Centro Empresarial Itaúsa podem ser observadas já no subsolo, segundo Ricardo França. Ele afirma que o sistema facilitou também o trânsito das tubulações e utilidades. A torre tem oito grandes pilares externos e vigas com vãos de 20 metros e dez metros de balanço. O núcleo centraliza as circulações verticais.
França explica que a forma interna da estrutura da nova torre é diferente das anteriores, pois teve de considerar a tecnologia hoje utilizada em sistemas de ar-condicionado (nos antigos o ar era central).
Agora, diferentes climatizações podem ser feitas por setores, para acompanhar as diferenças de incidência da luz solar durante o dia, proporcionando maior conforto ambiental aos usuários.
A estrutura também ganhou proporção mais esbelta. Com isso, obteve-se maior velocidade de construção, considerando-se que vigas invertidas e aparentes demandam maiores dificuldades de execução e, conseqüentemente, mais tempo.

Vãos
Para o fechamento dos vãos foi utilizado o sistema unitizado, que também atendeu às exigências de racionalização da construtora. Responsável pela consultoria dos caixilhos, o engenheiro
Mário Newton Leme explica que os quadros com perfis e vidros foram encaixados primeiro na parte superior e depois na parte inferior do vão. Em seguida, foram deslocados horizontalmente para haver o encaixe dos montantes bipartidos.
Como se tratava de uma estrutura com grande balanço nos vértices do prédio e, conseqüentemente, com movimentação estrutural, foi preciso desenvolver o perfil superior, que fixa a esquadria na estrutura, com mais de uma medida, a fim de absorver essas variações.
Já na parte inferior, para o apoio da esquadria, foi necessário um perfil com fixação no próprio peitoril. Com isso liberou-se a frente da viga para a colocação do ACM, não havendo interferência da esquadria com o revestimento. O caixilho tem uma junta telescópica que permite absorver movimentações diferenciais da estrutura de concreto entre um andar e outro.
Na escolha da cor dos vidros também foi considerada a identidade visual com os outros edifícios. A preocupação era adotar coloração semelhante à das três torres antigas, que possuem vidros verdes resultantes do somatório desse material e das persianas, também verdes. Na torre Eudoro Villela, os vidros duplos espelhados possibilitam o uso de qualquer tipo de persiana.


Texto resumido a partir de reportagem de
Cida Paiva e Nádia Fischer
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 34 Julho de 2003

Corte típico da fachada do 1º ao 12º andar
A fachada curva de vidro estrutural está ancorada em sistema de perfis tubulares metálicos fixados no piso e na laje do hall
Tanto nos edifícios antigos como na nova torre, a área de acesso pelo estacionamento é considerada espaço nobre
Desenho A
Planta da marquise metálica
1. Marquise metálica 2. Vidros 3. Vigas chatas
4. Viga metálica principal 5. Pilares de concreto da torre
Desenho B
Corte da marquise metálica
1. Marquise metálica 2. Vidros 3. Vigas chatas
4. Viga metálica principal 5. Pilares de concreto da torre
6. Sistema de vidro estrutural 7. Acesso
8. Escritórios
Detalhe da ligação de vigas principais na viga-mestra
Detalhe do sistema de vidro estrutural
Elevação principal e Planta da fachada de vidro estrutural do hall
1. Vidros 2. Estrutura da fachada 3. Lago 4. Área externa 5. Área interna
Escolha dos caixilhos
Quando as três primeiras torres do Centro Empresarial Itaúsa começaram a ser construídas, há cerca de 20 anos, o projeto já demonstrava certo pioneirismo ao desenvolver estudos para a escolha do tipo de caixilho mais adequado, dentro do que havia disponível, na época.
O sistema com painéis de vidros e caixilhos fixos foi a solução utililizada na fachada dos edifícios. Para chegar a essa forma foram analisadas, entre outras tipologias, janelas maxim-ar, janelas com vidros duplos e persiana entre vidros e janelas com brises externos.
Alinhados com a estrutura de concreto, os caixilhos escolhidos para as três torres ganharam vidro laminado de dez milímetros.
Para reforçar o isolamento termoacústico, os perfis receberam internamente lã de vidro. Essa opção, segundo os estudos, atenderia às exigências do projeto, otimizando o funcionamento do ar-condicionado.

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 34

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