Oscar Niemeyer: Cidade Administrativa, BH

A nova sede do governo de Minas

Com mais de 70 mil metros quadrados de vidros - entre laminados, duplos insulados e com persianas entre vidros - a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves leva o traço de Oscar Niemeyer e expressa o desenvolvimento da tecnologia aplicada à obra

Para explicar a concepção do projeto arquitetônico da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, o arquiteto Oscar Niemeyer cita uma frase de Le Corbusier: “É preciso não ter medo da monumentalidade”.

“E isso permitiu que, com apenas dois grandes prédios e um palácio, se realizasse o centro administrativo desejado, sem ocupar demasiadamente o terreno, preservando-se a boa relação que deve existir entre arquitetura e os espaços livres. Os espaços livres fazem parte da arquitetura. As grandes áreas verdes existentes demonstram como é possível mantê-las num conjunto tão complexo”, completa Niemeyer.

No terreno de quase 790 mil metros quadrados se distribuem amplas áreas verdes, dois lagos e o complexo administrativo do governo estadual de Minas Gerais, formado por cinco edifícios: dois prédios de 15 andares cada um (que abrigam 18 secretarias e 25 órgãos públicos), o palácio do governo, o Auditório Juscelino Kubitschek e o centro de convivência.

Niemeyer define o projeto como idealista e corajoso: “Em Minas Gerais, um clima de idealismo e coragem (como nos velhos tempos de JK) volta a surgir com a construção de um conjunto tão imponente, que previa uma avenida passando diante dele, a demonstrar como a arquitetura pode simplificar as questões mais complexas que um centro administrativo envolve”.

Com investimento de 948 milhões de reais, o centro administrativo é uma obra expressiva por sua importância e volume. O diretor do EuroCentro, Roberto Papaiz, destaca a grandiosidade e a tecnologia nacional aplicada em todos os itens das fachadas, desde os sistemas de esquadrias, acessórios, vidros e persianas magnéticas. Os números são representativos: mais de 70 mil metros quadrados de vidro, mais de uma tonelada de alumínio e 22 mil persianas. Devido a sua dimensão e ao curto prazo, a execução foi dividida entre consórcios de construtoras e seus contratados.

O PALÁCIO
O palácio do governo, com aproximadamente 17 mil metros quadrados de área construída, distribuída entre quatro andares, subsolo, térreo e pavimento técnico, provoca curiosidade e admiração ao ser visto. E desafia a tentar descobrir como o volume de vidro pode estar totalmente suspenso.

“A audácia de sua estrutura - quatro colunas a sustentarem o edifício. Um exemplo da arquitetura a se integrar corajosamente à técnica mais apurada que o concreto pode exibir”, resume Niemeyer. Trata-se de uma caixa suspensa por tirantes protendidos, suportada pelos dois pórticos das fachadas que, com aproximadamente 150 metros de extensão, compõem com a cobertura a estrutura de sustentação.

“O conceito do edifício consiste em liberar o térreo, erguendo-se uma estrutura de sustentação com apenas quatro pilares externos ao prédio e sem ligação estrutural com os pavimentos suspensos. Esses quatro pilares formam os pórticos das fachadas e vencem um vão longitudinal de 80 metros, estando afastados 22 metros um do outro no sentido transversal”, explica o engenheiro Mário Terra Cunha, da Avantec Engenharia, encarregada do desenvolvimento do projeto estrutural de todos os edifícios sob responsabilidade técnica do engenheiro José Carlos Sussekind, da Casuarina Consultoria.

Para suspender a caixa de vidro, foram utilizados 30 tirantes ao longo dos 150 metros de extensão do prédio. Eles têm a função de transferir as cargas dos cinco pavimentos para a estrutura de sustentação que cobre o palácio. Os tirantes estão dispostos aos pares a cada dez metros na direção longitudinal e afastados nove metros entre si. Eles possuem uma seção vazada de aço com 25 x 60 centímetros e cada um aloja três cabos de protensão em aço CP 190 RB.

Durante a construção, as estruturas metálicas dos tirantes, que interligam os cinco pavimentos, funcionaram como pilares. Nessa fase, pilares provisórios entre o térreo e o primeiro andar complementaram a sustentação e permitiram o avanço da obra como se fosse um prédio convencional.

Depois que foi concluída a concretagem da cobertura e da estrutura de sustentação, para esta foram progressivamente transferidas as cargas dos pavimentos. Essa transferência se deu através da protensão dos tirantes e das vigas longitudinais e transversais da estrutura de sustentação. Ao final do processo os pilares provisórios foram removidos, ficando os cinco pavimentos suspensos pelos tirantes na estrutura da cobertura.

A absorção e a distribuição das cargas do edifício são realizadas através dos tirantes e da estrutura da cobertura. “Esta, composta por 15 grandes vigas transversais protendidas, sustenta as cargas dos pavimentos, transmitidas pelos tirantes, transferindo-as para os dois pórticos das fachadas. Os tirantes são a única ligação entre a estrutura de sustentação e os pavimentos suspensos. As estruturas em lajes nervuradas e vigas protendidas, dispostas nas direções longitudinal e transversal, apoiam-se nos tirantes, tal como se apoiariam em pilares nos edifícios convencionais. As caixas metálicas dos tirantes estão sempre comprimidas pela ação dos cabos de protensão colocados dentro das caixas”, explica Cunha.

Os quatro pilares dos pórticos são os únicos apoios para as cargas verticais. “A estabilidade dos pavimentos sob a ação de forças horizontais, como o vento, é dada pelas passarelas que ligam cada um à caixa das escadas e elevadores e à torre que sustenta o heliponto, localizadas próximas da fachada posterior. As passarelas articuladas nas ligações com os pavimentos e as torres vizinhas foram protendidas de modo a resistir às cargas horizontais”, conclui o engenheiro.

Na face principal do edifício, o acesso é feito através de uma rampa sinuosa com 51 metros de extensão e estrutura composta por caixão de múltiplas células, com vigas protendidas. A rampa tem dois pontos de apoio: uma parede sob o cotovelo que caracteriza sua forma em planta e uma passarela de ligação com o auditório. Esta se apoia na viga da fachada do primeiro pavimento e na parede do auditório, sobre apoios de elastômero fretado. Trata‑se de aparelhos compostos por placas de borracha, reforçados internamente por chapas de aço, que permitem rotações e pequenos deslocamentos da estrutura sobre eles sustentada.

FACHADAS DO PALÁCIO
O palácio do governo possui fachada-cortina contínua. A face principal é totalmente reta e a posterior, recortada em função das duas passarelas que ligam o edifício às duas torres de elevadores (uma delas exclusiva para o governador). O sistema que melhor se adequou às características construtivas do prédio foi o unitizado da linha OffSet, da Belmetal.

Depois de muitos estudos, o projeto das fachadas foi desenvolvido pela empresa em 60 dias e sofreu alguns ajustes durante a obra. Uma das exigências da arquitetura era que as janelas ficassem sempre alinhadas com os montantes e que os arremates do piso envolvessem completamente a mureta complementar do piso elevado.

De acordo com Arimatéia Nonatto, gerente de engenharia e produtos da Belmetal, “o fato de o edifício estar suspenso foi representativo, porque as fachadas só puderam ser instaladas após a retirada das escoras e fixações auxiliares, e depois que o prédio começou a trabalhar de forma autoportante. Era muito importante saber de quanto seria sua movimentação e acomodação. Foi considerado que no momento da movimentação do prédio, o caixilho poderia absorver uma amplitude de dois centímetros a sua junta de dilatação”.

Para assegurar o nivelamento dos pisos da estrutura foi projetada uma pré-ancoragem de aço engastada nos estribos da ferragem. Concretada no nível topográfico, ela permitiu um plano ideal para o assentamento dos inserts de piso e seus dispositivos de fixação. A pré-ancoragem foi feita em cada eixo das células da fachada. Com isso foi possível regular e absorver todas as diferenças de piso decorrentes da própria construção - lajes protendidas, prédio com 150 metros de balanço e pilares distantes.

“É normal que ocorram essas deformações em grandes extensões de concreto. E é a partir do levantamento planoaltimétrico topográfico dessas situações que se pode prever quanto esses dispositivos terão que absorver para manter um único nivelamento em toda a fachada. A diferença chegava até a quatro centímetros de amplitude”, lembra Nonatto.

Os sistemas e as técnicas utilizados diferenciam esta obra das demais. A combinação dos vidros da fachada, por exemplo - duplos insulados de 45 milímetros, no vão-luz e no peitoril, e laminados de dez milímetros, na frente de laje -, exigiu a adoção de overlap para atender à proposta estética.

Essa técnica consiste na sobreposição do vidro externo para evitar que ele avance do plano da fachada, considerando vidros duplos insulados. No palácio, o avanço seria de 35 milímetros sem o overlap. Para evitar a projeção dos quadros, o vidro externo é sete milímetros maior do que o interno e toda a parte de siliconagem e ancoramento fica no overlap.

“Não fosse essa técnica, a diferença das espessuras dos vidros teria que ser compensada com perfis de alumínio. Com o overlap foi possível colocar o plano externo todo alinhado com dez milímetros de vidro. A diferença foi posta para dentro, compreendendo o espaço entre os perfis, e toda a carga derivada do peso dos insulados incide sobre o corpo do perfil. Normalmente, essa massa se projeta para fora e é sustentada pelo silicone. Com o overlap foi possível distribuir melhor o esforço dos quadros de vidro insulado com persianas”, explica Nonatto.

REFORÇO DE AÇO
Para os módulos do quarto pavimento, onde se encontra a sala do governador, foi desenvolvido um sistema que suportasse o peso dos vidros antibalísticos, cuja carga é maior em função de sua massa, que chega a 63 milímetros de espessura. Para isso foi necessário projetar um reforço de aço SAC 41 para preencher as câmaras dos perfis do sistema OffSet. Nessa área da fachada, em função do peso, os quadros são todos fixos. Nas demais existem janelas maxim-ar, e devido ao tamanho delas foi desenhada uma linha de perfis projetantes de 70 milímetros.

A modulação das fachadas é de 1.250 x 4.200 milímetros. Cada módulo é composto por três quadros de vidro. No peitoril, o vidro mede 1.100 milímetros; a janela maxim-ar tem 1.500 milímetros; e na frente de laje, o laminado de dez milímetros tem 1.600 milímetros. O peitoril e a maxim-ar receberam duplos insulados de 45 milímetros (laminado de 10 + câmara de 27 + laminado de 8).

Em função da diferença da viga de coroamento, a modulação do último pavimento é de 1.250 x 5.400 milímetros. No lado interno da fachada criou-se um arremate especial de rodapé, utilizando um sóculo com o objetivo de cobrir todas as fixações do sistema. Trata-se de uma mureta de gesso acartonado sobre a qual foi projetado um arremate periférico que marca a fachada internamente - como uma soleira de alumínio fabricada com um perfil de aproximadamente 250 milímetros de envergadura.

Localizado ao lado do palácio, o auditório com 3.623,59 metros quadrados de área construída está envolto por uma capa de concreto e dentro se revelam os panos de vidro. As esquadrias fazem parte do projeto da Belmetal. Na cabine de projeção, esquadrias especiais vencem a inclinação negativa de 49 graus. Para essa área utilizou-se o sistema stick da linha Atlanta, com módulos de 1.250 x 1.150 milímetros. Os vidros são laminados de dez milímetros. O acesso ao auditório é feito através de uma rampa e portas pivotantes de grandes dimensões.

Segundo Nonatto, como o sistema de fachada OffSet já foi aprovado em testes, não houve a necessidade de novos ensaios. Mas foram feitos dois protótipos: um na Aluservice, para aprovação do sistema com as persianas entre vidros, e outro na empresa de componentes Udinese, para análise dos braços e cremonas. Devido ao peso das folhas maxim-ar, que chegavam a cem quilos, foram desenvolvidos braços e cremonas especiais para a obra.

De acordo com o engenheiro Jorge Luiz Brazuschi, da Udinese, para os braços foram considerados a bitola, o espaço para a instalação do braço, as espessuras e a aplicação. “Tivemos que adequar o componente ao projeto da caixilharia e também atender à norma NBR 10.821 - Caixilho para Edificação, especificamente no item 4.5.1.2, que diz: ‘As janelas do tipo projetante-deslizante (maxim-ar), utilizadas nas classes melhorada, reforçada ou excepcional, cujas áreas sejam superiores a 0,64 metros quadrados devem possuir dispositivos (braços ou limitadores) que restrinjam a abertura das folhas’. Como o caixilho do palácio do governo tem 1,52 metro quadrado, houve a necessidade de desenvolver um sistema de limitação de abertura. Em função do peso, foi preciso dimensionar as barras dos braços para a carga de cem quilos”, ele afirma.

O fecho cremona tem as funções de travar a folha nos cantos - onde a área é mais vulnerável à infiltração de água - e proporcionar ao usuário o conforto de abrir e fechar a janela através de uma única maçaneta. Devido à largura das janelas, deveriam ser utilizadas duas cremonas.

No entanto, o sistema de trava e contrafecho foi desenvolvido conforme o perfil previamente dimensionado para permitir o deslizamento das barras de alumínio acopladas à cremona, que quando acionada desloca o sistema de trava dupla para as laterais da folha. As cremonas possuem câmara européia. O perfil tem uma câmara e o mecanismo de acionamento do acessório é colocado dentro dela.

O fato de os vidros serem duplos insulados exigiu um desenho de maçaneta fora do centro, para evitar que o usuário batesse a mão no vidro ao usar a janela. No total foram utilizados 300 pares de braço e limitadores e 300 kits de cremonas. Para atender à estética da arquitetura, todos os acessórios receberam pintura na cor preta.

Responsável pela execução do projeto, a Engevidros, para ganhar tempo e agilidade na instalação, durante a construção da estrutura realizou a produção da fachada e a aplicação das ancoragens. O palácio foi o último prédio a receber a fachada, cuja instalação foi concluída em dois meses.

AS SECRETARIAS
O projeto arquitetônico manteve dois lagos existentes no terreno. As secretarias se concentraram em apenas duas edificações, e a maior parte do local foi liberada para praças e jardins. Com aproximadamente 122,5 mil metros quadrados de área construída cada um, os prédios das secretarias são duas lâminas curvas - uma côncava e outra convexa - com 67,5 metros de altura e 255 metros de extensão medidos no eixo.

Cada edifício possui 13 pavimentos-tipo, subsolo com 219 vagas para veículos oficiais, pilotis, terraço e pavimento técnico na cobertura. Niemeyer definiu como um milagre da arquitetura moderna abrigar as secretarias em apenas duas construções.

“Dividida em cinco setores independentes, dimensionados para absorver as cargas de vento - pressão e sucção - nas respectivas fachadas, a estrutura dos edifícios foi modulada utilizando-se 16 eixos transversais, com três pilares em cada um. Foram adotados pilares geminados nos quatro eixos coincidentes com as juntas de dilatação, para dar o apoio necessário a cada setor separado pela junta. Como a estrutura é muito extensa, é comum dividi-la em partes menores a fim de reduzir os efeitos de variações térmicas e outros, como retração e deformação lenta do concreto”, explica o engenheiro Mário Terra Cunha.

“Estruturalmente, cada bloco das secretarias foi dividido em cinco prédios independentes e com movimentações particulares. A fachada constitui a ligação entre eles, e esta foi feita através de guarnições especiais de EPDM sanfonadas que possibilitam a trabalhabilidade dos prédios. Tal solução permitiu a integralização do conjunto, com a leitura de uma única face”, explica o consultor de fachadas dos edifícios das secretarias, Délcio Braga, da BM Consultoria.

Em ambos os edifícios, a fachada é interrompida no nono andar por um terraço com jardim. Nesse pavimento foram dispostas as salas de reuniões e, nas duas extremidades, lanchonetes. A interrupção não tirou a uniformidade dos extensos panos de vidro, nem interferiu no projeto das fachadas desenvolvido pelo engenheiro Antônio Cardoso, da AC&D, sob a consultoria de Braga e Maria Isabel Mol Nunes.

Devido às proporções da obra - 63 mil metros quadrados de área de vidro, 22 mil módulos e 530 mil quilos de alumínio -, para a execução do projeto das fachadas dos blocos das secretarias e da área de convivência formou-se o consórcio Italux, com as empresas Itefal, Algrad e Luxalum.

Segundo o diretor da Luxalum, Lucínio Dias, a obra foi dividida entre as três empresas que integram o consórcio, sendo a usinagem dos perfis realizada proporcionalmente em suas fábricas. Para a montagem (assemblagem), colagem de vidros e instalação, foram implantadas duas fábricas nos canteiros de cada um dos edifícios das secretarias. Para a produção foi feito um estudo de logística e mão de obra capacitada, com o objetivo de otimizar tempo e custo. Entre projeto, fabricação e montagem, passaram-se cerca de 20 meses.

“Uma das particularidades dessas fachadas era usar as ancoragens para escorar as colunas sem adotar uma ancoragem auxiliar que aliviasse o tamanho da coluna, num vão de 4.200 milímetros. Fabricantes e construtoras concordaram em usar mais alumínio para se ter menos administração de peças e pontos de fixação. Com isso se agilizaria a execução das fachadas, uma vez que foram 20 mil módulos fabricados em 18 meses e com custo determinado. Esse projeto foi trabalhado ponto a ponto com a simulação de cálculos estruturais”, explica Cardoso.

O sistema que melhor atendeu às características do invólucro foi o Unitized, da Alcoa, composto por perfis de 135 milímetros do tipo macho e fêmea, que permitiu absorver os diferentes ângulos na montagem. Para obter a uniformidade da curvatura da fachada, considerou-se uma variação no tamanho dos módulos - compostos por quadros fixos e maxim-ar - entre 1.100 x 4.200 milímetros e 1.400 x 4.200 milímetros.

Devido a sua função, os perfis dos caixilhos maxim-ar são diferentes dos perfis dos quadros fixos, de modo a permitir maior espaçamento para o acionamento dos braços, o que favorece o movimento. Os quadros maxim-ar têm entre 1.100 x 1.500 milímetros e 1.400 x 1.500 milímetros. Na contramão dos edifícios herméticos, a cada dois quadros fixos há uma maxim-ar.

De acordo com o arquiteto Jair Valera, do escritório de Oscar Niemeyer, “essas janelas foram previstas para que haja ventilação interna caso o sistema de ar condicionado falhe”. Para suportar o peso da folha, entre 75 e cem quilos, foram utilizados braços autoportantes de aço inox e fechos cremona de alumínio. Segundo o arquiteto Edir Miranda Júnior, gerente de desenvolvimento de mercado da Fise, para atender ao projeto das esquadrias, além do limitador de abertura, foram desenvolvidas conexões de alumínio que possibilitaram maior rapidez na montagem dos quadros.

Em função das dimensões das folhas móveis, o fechamento se dá em quatro pontos da janela. A Fise forneceu 3,6 mil pares de braço com acabamento inox natural e igual número de cremonas na cor preta.

Os perfis de alumínio receberam pintura RAL 9.005 preto fosco, com camada anódica de 60 micra. Neles foram colados, com silicone estrutural bicomponente, os vidros duplos insulados de 38 milímetros com persiana interna (laminado de 10 + câmara de 20 + laminado incolor de 8).

Na frente de laje adotaram-se laminados de dez milímetros. Para atender à estética da fachada e evitar a projeção dos vidros, nos prédios das secretarias também foi utilizado o overlap. O sistema de fachada passou pelos testes de ensaio de penetração ao ar, verificação de estanqueidade à água e comportamento sob carga uniformemente distribuída, na câmara vermelha do Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec). O protótipo com 3.600 x 7.415 milímetros representou o trecho central da fachada, por ser o ponto que mais se repetia e o mais crítico, pelas características da construção e pela largura do módulo.

Entre os dois edifícios encontra-se o centro de convivência, com 6.642,21 metros quadrados distribuídos em três pavimentos: subsolo, térreo e primeiro andar. O térreo, que concentra áreas para atendimento ao público, possui acessos através de suaves rampas, já que está elevado 40 centímetros em relação ao piso da praça, à qual tem acesso direto. No primeiro andar está o restaurante, com 1.232,92 metros quadrados.

As fachadas deste bloco também ganharam vidros de controle solar duplos insulados com persianas internas. As circulações principais se desenvolvem ao redor de um vazio central iluminado por cobertura envidraçada, que, por ser de difícil acesso, recebeu o vidro Eco Lite autolimpante Bioclean, da Cebrace, que evita o acúmulo de sujeira. No total, são 450 metros quadrados de vidro laminado prata de dez milímetros aplicados em perfis de alumínio com acabamento na cor preta. O sistema utilizado na cobertura é o Schüco FW 50 com faces de 50 milímetros.

VIDROS E PERSIANAS
A posição em que foram implantados os três edifícios principais resulta em fachadas orientadas para leste e oeste, favorecendo a incidência solar diretamente nos panos de vidro. O arquiteto Jair Valera explica que isso se deu “em função das características do terreno e para evitar empenas voltadas para a rodovia; porém, o desconforto que poderia haver devido à incidência direta foi totalmente eliminado com a adoção de vidros duplos insulados de controle solar com persianas magnéticas entre eles”.

Estas proporcionam conforto térmico nos ambientes, aproveitando a luz natural e protegendo o interior da radiação solar, atendem à estética sem criar volumes internos ou externos e têm boa relação custo/benefício. O sistema escolhido foi o de microlâminas de alumínio com 12,5 milímetros na cor cinza, quase branca, favorecendo a reflexão da luz para fora.

Segundo o gerente comercial da Glassec, Marcelo Martins, “o principal papel do vidro nesta obra é o desempenho solar e térmico. Aparentemente escura, a cor cinza escolhida pela arquitetura tem transmissão luminosa em torno de 20% e baixa reflexão luminosa externa, perto de 7,5%, que não deixa aspecto refletivo”.

De acordo com Carlos Henrique Mattar, gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace, o Eco Lite é um vidro de controle solar de baixa reflexão e oferece boa combinação entre passagem de luz e redução da entrada de calor. Os vidros duplos insulados aplicados no vão-luz das fachadas apresentam fator solar de 28%, coeficiente de sombreamento de 0,32 e transmissão luminosa de 21,5%.

Os laminados de dez milímetros instalados no peitoril e na frente de laje possuem fator solar de 40%, coeficiente de sombreamento 0,46 e fator solar 24,5%. O quarto pavimento do palácio e a passarela de uso exclusivo do governador receberam vidros antivandalismo.

No trecho de fachada, eles têm o mesmo conceito dos demais duplos insulados, mas sua espessura é de 63 milímetros, seu fator solar é de 21%, o coeficiente de sombreamento é de 0,24 e a transmissão luminosa, de 18,90%. Nas passarelas, os vidros antivandalismo têm 35 milímetros.

No total, a Cebrace produziu e a Glassec beneficiou e forneceu 70 mil metros quadrados de vidro: 48 mil de laminados e 22 mil de duplos insulados laminados com persianas entre vidros. “É a maior obra em volume de vidros transformados de que se tem registro no Brasil”, ressalta Martins.

A gerente de marketing da Glassec, Cláudia Mitne, lembra que a logística de entrega e descarga foi muito bem planejada. Para a descarga, realizada com mão de obra especializada, a movimentação horizontal dos quadros de vidro era feita através de carrinhos e a vertical, através de cremalheira em horários programados. A armazenagem do material com intercalário foi feita nos andares, em cavaletes. Para a obra a beneficiadora dispôs de duas linhas de laminação e duas de insulado.

“Para as persianas, o projeto exigiu o desenvolvimento de soluções de acionamento, que nos quadros fixos é lateral e nos móveis é frontal”, explica Roberto Papaiz. Para o fornecimento das persianas, a EuroCentro se preparou um ano antes e montou mais duas linhas de produção, passando de 50 para 250 unidades por dia. Foram fornecidas 22 mil persianas ScreenLine SL 20 CB, totalizando 32 mil metros quadrados.

Instalada no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves está estrategicamente próxima do aeroporto da Pampulha, às margens da rodovia Prefeito Américo Gianetti, saída para várias cidades mineiras. Segundo a assessoria de comunicação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), investidora do empreendimento, a obra contou com a participação de três consórcios de empreiteiras, que assumiram, respectivamente, três áreas. A previsão é que até outubro deste ano o centro administrativo receba 16 mil servidores públicos e todas as atividades do governo.



Ficha Técnica

Obra: Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves
Cliente: Governo do Estado de Minas Gerais
Local: Belo Horizonte, MG
Projeto: junho de 2009
Conclusão da obra: julho de 2010
Área do terreno: 786.110 m2
Área construída: 250.000 m2
Arquitetura: Oscar Niemeyer (autor); Ana Niemeyer e Jair Valera (colaboradores e coordenação de projeto)
Construção: Camargo Corrêa, Santa Bárbara e Mendes Júnior (lote 1); Norberto Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão (lote 2); Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello (lote 3)
Cálculo estrutural: José Carlos Sussekind; Mário Terra Cunha
Instalações: Engesolo
Interiores: Ana Niemeyer Arquitetura
Fachadas dos edifícios das secretarias e centro de convivência: AC&D e BM Consultoria (consultoria); consórcio Italux - Itefal, Algrad e Luxalum (fabricação e montagem)
Fachadas do palácio e anfiteatro: Belmetal e Engevidros (fabricação e montagem)

Fornecedores

Glassec/Cebrace (Vidros) 
Alcoa (Perfis de alumínio dos edifícios das secretarias e centro de convivência)
Fise (Acessórios das secretarias); Udinese (Acessórios do Palácio)
Belmetal (Perfis de alumínio do palácio e anfiteatro)
EuroCentro (Persianas)

Texto de Gilmara Gelinski| Publicada originalmente em Finestra na Edição 63
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora