Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados: Terminal em Aeroporto, DF

Projeto mantém eficiência

Adequações no projeto do aeroporto internacional de Brasília, para atender a uma demanda que cresce além do previsto pelo plano diretor, mantêm transparência e aproveitamento do potencial climático, através de ventilação e iluminação naturais.

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Satélite norte
Projeto mantém eficiência
Adequações no projeto do aeroporto internacional de Brasília, para atender a uma demanda que cresce além do previsto pelo plano diretor, mantêm transparência e aproveitamento do potencial climático, através de ventilação e iluminação naturais.

Com o explosivo aumento do número de passageiros que circulam anualmente pelo Aeroporto Internacional de Brasília - Presidente Juscelino Kubitschek, o plano diretor de ampliação, aprovado em 1990, foi revisto . A projeção inicial era que os trabalhos, a serem realizados em etapas, permitissem atender à demanda de 8 milhões de usuários por ano em 2008. Porém, já em 2000, esse número chegava à casa dos 6 milhões, exigindo que se fizesse a readequação do projeto. Com as alterações aprovadas, os 85 mil metros quadrados, previstos inicialmente, passarão para cerca de 100 mil metros quadrados, após a conclusão da quinta e última etapa da obra.

O projeto de reforma, ampliação e modernização otimizou a infra-estrutura existente e viabilizou a construção em etapas, sem provocar a interrupção das operações aéreas. Assinada pelo arquiteto Sérgio Roberto Parada, a proposta arquitetônica foi concebida através do conceito misto , formado por dois satélites que se ligam por corredores elevados ao corpo central do aeroporto.

“Apesar de ser executada em etapas, a obra foi desenvolvida de forma integral, atendendo sempre às novas demandas do terminal”, afirma o engenheiro José Augusto Campedelli, da Construtora Beter, responsável pela quarta fase. Esta incluiu a finalização da construção e a reforma da área sul e do corpo central do terminal, além da expansão do terraço panorâmico, para adaptação ao novo conceito do aeroshopping . Segundo Campedelli, não houve interferências drásticas na execução. Quando surgia a necessidade de readaptação do projeto, estabeleciam-se novas definições a partir de reuniões técnicas.

Lado ar do edifício central (vista norte)
Detalhe das venezianas de vidro do edifício central
Satélite norte

Características do projeto

Segundo Parada, o partido arquitetônico resultante dessa série de condicionantes foi inovador em termos de infra-estrutura aeroportuária existente no Brasil. Consiste num sistema misto, formado pelo corpo central linear e dois satélites (norte e sul), ligados por corredores aéreos. O bloco central é dimensionado para abrigar todo o apoio operacional de embarque e desembarque. Os serviços se distribuem em quatro pavimentos, com circulação vertical privativa em dois volumes laterais e junto às áreas de check-in.

O grande terraço panorâmico , aproveitamento de toda a cobertura da área construída na quarta etapa, estendeu-se também a trechos já edificados, na faixa voltada para o pátio de aeronaves. Esse espaço, caracterizado como aeroshopping , abriga quatro salas de cinema, praça de alimentação, setor de entretenimento e galeria comercial, entre outros equipamentos. A visão panorâmica de 360 graus permite observar dali o pátio de aeronaves, as pistas de pouso e decolagem e a área frontal de recepção e desembarque de passageiros, além do skyline de Brasília.

A nova cobertura do terraço panorâmico, desenhada com grandes planos curvos e soltos, recebeu telhas metálicas zipadas e forro em chapa de aço corrugado, desenvolvido especificamente para a obra. “Composta por vigas planas e perfis I soldados com seção variada, a estrutura metálica está apoiada em perfis de aço que convergem para os pilares de concreto”, explica o engenheiro Luís Gustavo Farah, da CPC Estruturas, empresa responsável pelo projeto e execução das estruturas metálicas. Os apoios tubulares esbeltos dão a sensação de leveza estrutural e valorizam a dinâmica espacial desejada.

Nessa etapa, a estrutura do edifício foi mudada de concreto para aço - tendo em vista a agilidade no processo construtivo - sem descaracterizar o desenho inicial da arquitetura. Painéis pré-moldados de concreto aparente, até então utilizados apenas nas fachadas, foram adotados também nos vazios internos que dão continuidade aos espaços anteriormente construídos em estrutura de concreto aparente moldado in loco, como aqueles sobre o mall comercial do saguão de embarque. Esses vazios receberam passarelas de blocos de vidro em pontos específicos, projetadas para que a transposição se faça sem impedir a passagem da luz natural.

“Todas as estruturas metálicas foram tratadas conforme determinam as normas de segurança, ou seja, vigas e pilares de aço receberam jateamento com argamassa projetada, dando a proteção necessária para resistir ao fogo”, lembra Farah. Nas estruturas aparentes foi aplicada pintura intumescente na cor branca.

Administração e vazio da praça
Check-in e praça de alimentação, no nível superior
Praça de desembarque
Expansão do terraço panorâmico atendeu ao novo conceito do aeroshopping

Venezianas de vidro

As alterações de projeto realizadas na quarta etapa não modificaram os conceitos originais do terminal. A transparência e o aproveitamento do potencial climático foram mantidos como premissas. Utilizaram-se recursos de ventilação e iluminação naturais nos saguões e no terraço panorâmico e de climatização apenas nas salas de embarque e desembarque, escritórios e espaços comerciais. Dessa forma, foi possível reduzir em cerca de 60% o consumo de energia.

Para privilegiar a ventilação cruzada , na parte superior dos caixilhos e nos grandes sheds formados pela transposição das coberturas metálicas foram aplicadas venezianas imóveis de vidro laminado incolor, com 14 milímetros de espessura, 1.250 milímetros de comprimento e 400 milímetros de largura. Essas chapas estão fixadas em perfis especiais extrudados, ancorados na estrutura metálica. Para proteger a fachada da incidência solar direta, foram adotados beirais e esquadrias inclinadas.

As fachadas do primeiro pavimento do corpo central e do satélite norte possuem inclinação de 45 graus para o interior do edifício. No segundo piso do bloco central, onde se encontra o terraço panorâmico, ela se desloca 20 graus em direção ao exterior da construção. Nesse trecho, devido às grandes dimensões das esquadrias , foi adotada uma estrutura metálica para dar sustentação à caixilharia. Composta por pilares treliçados e perfis tubulares de seção circular, ela recebeu acabamento de superfície com pintura intumescente na cor branca. O projeto das estruturas metálicas foi executado com perfis de aço estrutural USI-SAC 300, de alta resistência à corrosão atmosférica.

As fachadas receberam caixilhos compostos por vidros de 14 milímetros , laminados com duas películas de PVB e colados em perfis de alumínio com silicone structural glazing. Nas salas de embarque os vidros são fumê e no terraço panorâmico a escolha recaiu sobre os incolores. Segundo Gilberto Kreiseler, diretor presidente da Pro-Alumínio, empresa responsável pela execução das fachadas, para atender às dimensões dos vãos - com 1.250 milímetros x 4.600 milímetros de altura - foram desenvolvidos perfis especiais, com dois milímetros de espessura, bitolas de 60 milímetros de largura e profundidades de 120 e 150 milímetros. Aqueles com profundidade de 150 milímetros foram aplicados nos vãos maiores, que não tinham a sustentação da estrutura metálica. Os perfis de alumínio receberam acabamento anodizado natural fosco classe A23.

A caixilharia foi fixada com ancoragens especiais e sistema composto por peças de aço inoxidável. No lado terra, os quadros eram aplicados na estrutura do edifício; no lado ar (no trecho do terraço panorâmico), a fixação foi feita na estrutura metálica. Gaxetas de EPDM nas juntas entre quadros garantem a estanqueidade.


Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 48 Março de 2007
Expansão do terraço panorâmico atendeu ao novo conceito do aeroshopping
No terraço panorâmico, o painel de Athos Bulcão
Corredor norte
Corredor de embarque e desembarque
Obras em etapas
Inaugurado em 1957, o primeiro terminal aéreo de passageiros de Brasília foi construído em madeira e substituído, em 1970, por uma nova edificação. Esta atendeu à demanda até 1990, quando o aeroporto internacional começou a ter sua forma atual, com o início das obras de ampliação. Divididos em cinco etapas, os trabalhos foram planejados para que a execução não interrompesse as operações de embarque e desembarque.
Finalizada em 1992, a primeira etapa compreendeu a construção do novo viaduto de embarque (com a grande cobertura espacial), a ampliação norte do saguão existente, a implantação de parte da praça de desembarque e do edifício para as torres de resfriamento do sistema de ar condicionado. Na segunda fase, em 1994, concluíram-se as obras do satélite norte - edifício com áreas de embarque e desembarque -, o corredor aéreo de ligação ao corpo central e a ampliação norte deste. Na terceira, finalizada em 1996, deu-se continuidade à construção e reforma do corpo central do edifício. Essas etapas foram realizadas pela construtora Camargo Corrêa.
Em 2004, foi concluída a quarta etapa, que compreendeu a finalização da construção e a reforma da área sul do corpo central do terminal, além da expansão do terraço panorâmico, para adaptação ao conceito do aeroshopping. Na quinta e última, serão construídos o satélite sul, com capacidade para mais sete pontes de embarque, e o corredor aéreo de ligação ao volume central. O satélite sul permitirá que a capacidade de atendimento suba para até 15 milhões de passageiros por ano. Hoje, com 13 pontes de embarque, o terminal recebe anualmente 10 milhões de usuários.

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 48

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