Sidonio Porto: Centro administrativo da Petrobrás, Macaé, RJ

Átrio colabora com o conforto ambiental

Sistemas compostos por brises e telas metálicas perfuradas também contribuem para o conforto ambiental das edificações

Com 26 metros de altura, o átrio cria uma praça de convivência sombreada, protege fachadas de vidro e abriga as passarelas que interligam os dois blocos do complexo administrativo da Petrobrás, na cidade de Macaé, RJ. 

O primeiro trabalho desenvolvido pelo arquiteto Sidonio Porto para a Petrobrás resultou de um concurso promovido pela estatal, em 2002, para a sede administrativa na cidade de Macaé, litoral norte do Rio de Janeiro. Situado em Imboassica, o complexo denominado Parque dos Tubos (ali se manipula a tubulação utilizada nas sondagens e no transporte de petróleo) foi concluído em 2008 e se encontra em pleno uso.

Em 2003, esse projeto serviu de modelo para outra unidade administrativa da empresa no bairro de Imbetiba, também em Macaé, configurando dois conjuntos de escritórios próximos da bacia de Campos.

Em Imboassica, os edifícios foram implantados num terreno plano e irregular com 15 mil metros quadrados, localizado no setor industrial, junto a uma rodovia. Eles atendem ao programa proposto pela Petrobrás: duas torres administrativas, para 2 mil funcionários, restaurante e centro médico, totalizando 30 mil metros quadrados de área construída.

O partido arquitetônico adotado tem como principal característica o grande átrio de 26 metros de altura, solução que funciona como elemento de ligação entre os prédios e cria uma praça de convivência sombreada, propiciando um ambiente agradável, ameno e importante, dado o clima quente da região. Esse recurso, segundo Porto, “constitui um marco identificador da imagem da empresa”.

PASSARELAS
Além das dimensões generosas, o átrio provoca impacto pela presença de duas passarelas de 20 metros de extensão, no segundo e no quarto pavimentos. A superior destaca-se pelas linhas curvas de sua estrutura de aço, revestida com painel de alumínio composto.

A inferior delimita o lobby da entrada destinado à recepção, com sete metros de pé-direito; apoia-se numa estrutura metálica espacial tubular e é acessível a partir de um conjunto de duas escadas, também metálicas, contidas por paredes semicirculares, formato que cria um dinâmico jogo de volumes. Com bancos e jardins, o lobby recebeu fechamento em spider glass, o que dá transparência ao espaço e permite a entrada de luz natural.

A cobertura do átrio é composta por uma superfície de policarbonato verde na faixa central e, nas laterais, telhas metálicas termoacústicas (telha de alumínio zipada na face externa e de alumínio trapezoidal na face interna, tendo ao centro isolamento com manta de lã de rocha).

Todo o conjunto está apoiado em estrutura composta por terças, vigas metálicas e estrutura espacial tubular de alumínio pré-pintado. Para solucionar sua movimentação e minimizar a transmissão de esforços para os pilares, utilizou-se o sistema de junta telescópica.

DISTRIBUIÇÃO
Os dois edifícios apresentam solução absolutamente simétrica em relação aos eixos e sua estrutura forma uma retícula de 10 x 10 metros, tendo o corpo maior 20 x 50 metros e o menor 10 x 30 metros. Apesar da continuidade funcional que mantêm entre si, cada um deles tem tratamento formal diferenciado, que o arquiteto justifica por “razões estéticas, para proporcionar leveza ao conjunto, com o emprego de cores diferentes, um jogo de volumes, um andar mais baixo”.

A motivação é apenas de ordem plástica; no interior, os espaços são integrados. No último piso dos dois blocos de escritórios encontram-se os salões das diretorias, voltados para terraços. Os térreos possuem auditório e os demais pavimentos são ocupados por escritórios com espaços livres, o que confere maior flexibilidade de layout.

Nos blocos maiores, as aberturas têm dimensões discretas, predominando as superfícies de painéis pré-moldados de concreto. Nas esquinas opostas, o tratamento formal é diverso: predominam empenas cegas, uma vez que abrigam sanitários, elevadores e escadas de segurança, além de áreas técnicas, como os setores de tecnologia da informação, telefonia, elétrica e shafts de ar-condicionado central. O estacionamento no térreo recebeu sombreamento a partir de árvores frondosas.

CONFORTO TÉRMICO
Preocupação constante no projeto, o conforto ambiental ganhou soluções especiais, como sistemas diversificados de quebra‑sol de alumínio e painéis de vedação com isolamento térmico e cores claras, refletoras de calor. O principal recurso são os brises. Nos blocos menores, dispostos nas laterais do corpo principal, constituem um invólucro, uma espécie de fachada dupla, capaz de propiciar sombreamento às faces com maior incidência de luz solar - no caso, norte e poente.

Com todos os elementos fixos, o sistema é composto por tela metálica perfurada, pintada de branco, estruturada com perfis de formato semelhante a uma asa de avião, medindo 430 milímetros. Avançando 1,20 metro do plano das fachadas, o conjunto dos brises tem passarela de manutenção em perfis tubulares de alumínio e piso de alumínio expandido com espessura de 1/4 de polegada.

Os painéis compreendem seis módulos por andar: dois abertos para iluminação, tendo somente o perfil em asa de avião, e quatro compostos por chapas perfuradas com 40% de área vazada, colocadas na altura das janelas. O sistema permite regulagem de nível, para que os módulos possam ficar alinhados na fachada. Os braços do brise são tubos de aço corten ASTM A588, medindo 12 x 15 centímetros, fixados na laje de concreto com chumbadores de expansão especiais.

“Foi desenvolvido um sistema de regulagem em duas dimensões; assim foi possível, na hora de instalar os braços, ajustá-los e posicioná‑los de modo correto, para depois fixá-los”, revela Crescêncio Petrucci, engenheiro consultor da obra. A cor branca da pintura eletrostática aplicada nos brises contrasta com a tonalidade de marrom escolhida para o concreto do prédio, que remete ao aço corten, muito utilizado nas instalações industriais da Petrobrás.

ESQUADRIAS
Nos edifícios principais, as fachadas receberam proteção com brises fixos do tipo seteiras horizontais, somente nas esquinas voltadas para o átrio. Sua estrutura é mais simples - uma chapa perfurada que avança 1,25 metro do plano e uma estrutura de aço fixada diretamente no painel de concreto. Os caixilhos entre vãos foram projetados no sistema stick com quadros fixos e móveis, em módulos de 1,25 x 1,25 metro. A fixação dos quadros é frontal, através de presilha, o que resulta em maior eficiência nas vedações.

As esquadrias estão instaladas em painel de concreto pré-fabricado, no qual foram previamente colocados inserts de alumínio, eliminando-se a tarefa de furação e fixação do suporte. O mapeamento dos inserts agilizou significativamente o processo de fixação das esquadrias.

As fachadas voltadas para o átrio têm apenas uma cortina de vidro, uma vez que estão livres de maior incidência de raios solares. Foram utilizados dois tipos de vidro verde laminado, de oito milímetros de espessura: um mais transparente, onde fica o brise, e outro de maior reflexão luminosa, onde não foi adotada essa proteção.

Na cabeceira sudoeste do terreno, de formato irregular, situase o bloco para serviços complementares, como posto médico - equipado com enfermaria, consultórios e atendimento de emergência - e restaurante com aproximadamente 600 lugares e apto a oferecer 2 mil refeições por dia.

A área do posto médico compreende dois pavimentos e recebeu brises de sombreamento iguais aos do prédio maior. Instalado em um só piso, o restaurante tem pé-direito de dez metros e possui espelho d’água e varanda, capazes de propiciar ao ambiente um clima agradável e arejado. Para sua fachada, de 7,50 metros de altura, foi utilizado o sistema de envidraçamento estrutural.

Na face nordeste, brises de alumínio promovem sombreamento. Além das soluções concebidas pelo projeto de arquitetura para garantir a eficiência energética da edificação, o complexo administrativo de Imboassica ganhou sistemas construtivos industrializados, como os painéis pré-moldados de concreto de 10 x 2,5 metros, utilizados para o envoltório da edificação.



Ficha Técnica

Complexo administrativo da Petrobrás
Local Macaé, RJ
Projeto 2002
Conclusão da obra 2008
Área do terreno 15.000 m2
Área construída 30.000 m2
Arquitetura Sidonio Porto Arquitetos Associados - Sidonio Porto (autor); Márcio Porto e Lúcia Porto (colaboradores)
Construção Hochtief
Fachadas Crescêncio Petrucci (consultoria); CMA (execução)
Fotos Patrícia Cardoso

Fornecedores

Alcoa (Perfis de alumínio)
Arqtec (Painéis de alumínio composto)
Aktuell (Estruturas)
Bemo do Brasil (Estrutura metálica e telhas)
Day Brasil (Policarbonato)
Hunter Douglas (Forros)
Saint Gobain (Vidros)
Stone (Painéis de fachada)
ArcelorMittal (Chapas de aço inox)

Texto de Ledy Valporto Leal| Publicada originalmente em Finestra na Edição 58
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