Especial: Rio 2016

As obras no Rio, sob o foco da Olimpíada

Com várias frentes de obra, o Rio de Janeiro se prepara para receber a grande leva de atletas e turistas que estarão na cidade durante os Jogos Olímpicos de 2016. Além da construção dos equipamentos esportivos, estão em implantação sistemas viários, teatros e áreas de lazer e cultura, bem como a recuperação da região portuária.

Duas grandes intervenções urbanas estão mudando radicalmente o perfil da cidade do Rio de Janeiro. Ambas têm como meta concluir a implantação de seus projetos até 2016, ano em que a cidade receberá os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. De um lado estão as obras coordenadas pela Empresa Olímpica Municipal (EOM), junto com as secretarias da Casa Civil e de Obras, para atender ao megaevento esportivo. De outro, está a Operação Urbana Porto Maravilha, responsável pela revitalização da região portuária, detentora de grande riqueza histórica e cultural. Além dos equipamentos esportivos e do novo bairro Ilha Pura, que abrigará a Vila dos Atletas, a cidade vem ganhando museus, parques e já começa a ver resgatada sua relação com o mar, interrompida pelo elevado Perimetral, construído entre as décadas de 1950 e 1970 e demolido em etapas, a partir de novembro do ano passado.

Os Jogos Olímpicos de 2016 serão realizados em quatro regiões do Rio de Janeiro: Barra da Tijuca, Deodoro, Copacabana/Flamengo e Maracanã. Na Barra estão em implantação as instalações do Parque Olímpico, que abrigará o principal legado esportivo, o Centro Olímpico de Treinamento (COT) e ocupará área de 1,18 milhão de metros quadrados a ser atendida por duas das novas linhas de BRT (bus rapid transit), a Transolímpica e a Transcarioca.

Em agosto, o trabalho nas redes subterrâneas da infraestrutura geral do Parque Olímpico alcançava quase 60% de conclusão, enquanto as obras das edificações se encontravam com fundações prontas ou em fase final, segundo informações da EOM. No local serão instalados os três pavilhões do COT e os centros de mídia (MPC), de transmissão (IBC), aquático, handebol e o campo de golfe.

O Complexo Esportivo de Deodoro será sede de 11 modalidades olímpicas e quatro paraolímpicas. Como recebeu os Jogos Pan-Americanos de 2007 e os Mundiais Militares de 2011, já tem 60% das áreas de competição permanentes construídas, segundo a EOM. Mas falta erguer três equipamentos definitivos: a Arena Deodoro, a pista de BMX e o circuito de canoagem slalom, além de instalações provisórias. Após os Jogos Olímpicos, o circuito de canoagem slalom e a pista de BMX farão parte do Parque Radical, legado do evento para a região que terá uso combinado como centro olímpico de treinamento de atletas de alto rendimento e lazer da população.
 
Em Copacabana, a marina da Glória foi a primeira instalação a ser testada para os Jogos Olímpicos, durante a etapa do Campeonato Mundial de Vela, que aconteceu em agosto de 2014. Uma comissão formada por membros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e da prefeitura criou parâmetros de ocupação para o local. Na área do Maracanã, serão utilizadas as instalações do Sambódromo e o Estádio João Havelange passará por ampliação temporária de sua capacidade, de 45 mil para 60 mil lugares.
 
PORTO MARAVILHA
A exemplo de Londres, sede da Olimpíada de 2012, e de Barcelona, que recebeu os Jogos em 1992, o Rio de Janeiro aposta no evento como propulsor de profundas transformações em áreas degradadas. Na capital inglesa, uma região ao leste, pouco ocupada e com interferências que a separavam do restante da cidade, foi escolhida para receber o Parque Olímpico, que se transformou em atração turística e ponto de convergência de novos bairros. Em Barcelona, velhos galpões e fábricas da região do porto foram demolidos e as antigas docas ganharam praias e equipamentos que hoje atraem milhares de visitantes. No Rio o foco é também a região portuária, que durante décadas permaneceu em abandono.

Para promover mudanças nessa área de 5 milhões de metros quadrados - que tem como limites as avenidas Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco e Francisco Bicalho -, a prefeitura criou a Operação Urbana Porto Maravilha, coordenada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). As intervenções, iniciadas em junho de 2009, incluem uma megatransformação no sistema viário e devolverão à cidade monumentos históricos, como o antigo cais da Imperatriz e o Jardim Suspenso do Valongo. Também se criarão polos culturais, como o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã. As linhas do BRT Transoeste (Barra a Santa Cruz e Campo Grande) e Transcarioca (Barra ao Aeroporto Internacional Tom Jobim) já fazem parte do novo sistema, que vai aumentar o uso de transportes de alta capacidade de 18% para cerca de 63% da população até 2016.

Nesta edição de FINESTRA apresentamos os projetos que darão esta nova cara ao Rio de Janeiro. Infelizmente, nem todos já podem ser divulgados, pois alguns ainda passam por alterações, como é o caso das arenas do COT e do velódromo, instalação permanente com 5 mil assentos fixos. Há também obras como a do Museu da Imagem e do Som (MIS), que, mesmo sem pertencer ao conjunto de trabalhos da Olímpiada e do Porto Maravilha, agrega valor às mudanças que aos poucos vêm revelando o novo perfil cultural carioca.

Texto de Cida Paiva| Publicada originalmente em Finestra na Edição 88
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora