Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci: Estrutura tensionada no clube A Hebraica

Cobertura tensionada revitaliza área

Antes apenas um local de passagem, o trecho em frente da sede social do clube A Hebraica ganha cobertura tensionada de 460 metros quadrados e transforma-se em ponto de encontro dos freqüentadores. O projeto exigiu cálculos rigorosos de ancoragem e de reforços estruturais, uma vez que há um teatro no nível abaixo desta área.

Iluminação notura na estrutura tensionada na Hebraica - Fotos: Nelson Kon
Cobertura tensionada revitaliza área
Antes apenas um local de passagem, o trecho em frente da sede social do clube A Hebraica ganha cobertura tensionada de 460 metros quadrados e transforma-se em ponto de encontro dos freqüentadores. O projeto exigiu cálculos rigorosos de ancoragem e de reforços estruturais, uma vez que há um teatro no nível abaixo desta área.

A primeira sede social do clube A Hebraica foi projetada, na década de 1950, por Gregori Warchavchik. Depois vieram outros prédios e conjuntos desportivos, hoje distribuídos em lote de 54 mil metros quadrados no Jardim Paulistano, um dos bairros mais nobres de São Paulo. Uma dessas edificações é a atual sede social, desenhada pelo arquiteto Jorge Wilheim, em 1958. Ela se volta para uma esplanada que durante anos foi apenas um local de passagem, sem uso específico. Com a elaboração de um plano diretor, que traçou as diretrizes para reforma das edificações e instalações esportivas, bem como para ocupação de áreas subutilizadas, a esplanada ganhou vida nova.

Plantas
A cobertura também protege o acesso ao térreo do edifício

Incluída nas mudanças propostas pelo escritório Barbosa & Corbucci, a esplanada em frente das piscinas tornou-se um espaço aconchegante, que abriga café, sushi bar, área de estar e leitura. E se antes o sol impedia a permanência de pessoas no local, agora o conforto ambiental é garantido pela cobertura tensionada. A idéia dos arquitetos Marcelo Barbosa e Jupira Corbucci era que a cobertura, com 460 metros quadrados, fosse leve e não interferisse na visão do setor aquático. Em função das possibilidades de ancoragem existentes, chegaram à geometria em forma de parabolóide. A partir de uma maquete eletrônica, levaram o projeto à empresa Tensobras, que fez os detalhamentos e os cálculos estruturais.

Como há um teatro no nível abaixo da esplanada, foi necessário calcular reforços estruturais das vigas do piso, onde seriam descarregados os esforços da tensoestrutura. O trabalho foi desenvolvido pelo engenheiro Fernando Mihalik, da Gepro. Os estudos para a implantação da estrutura da cobertura tensionada foram acompanhados pelos engenheiros Mário Franco e Júlio Kassoy, projetistas estruturais do prédio da sede social, e por Jorge Wilheim.

Vista Lateral
Vista frontal

A proposta de implantar a cobertura foi apresentada por Barbosa, que há cerca de dez anos, em viagem à Alemanha, visitou o Instituto de Estruturas Leves, no campus da universidade de Stuttgart , idealizado por Frei Otto, um dos pioneiros mundiais em tensoestruturas. Barbosa voltou da Alemanha com vários livros e planos de projetar algo semelhante no Brasil, oportunidade que surgiu com A Hebraica.

A membrana tem dupla curvatura inversa na superfície. “Nesse tipo de cobertura, a rigidez da estrutura não é dada apenas pelo material, mas também pela forma”, explica o engenheiro Voldemir Fakri, da Tensobras, que, em parceria com a Tensotech, calculou e construiu a tensoestrutura. A membrana branca deixa passar 16% da luz natural, de forma difusa, sem alternar a luminância. Sua capacidade de reflexão é de até 92%. O tecido antichama foi testado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT).

A membrana branca tem capacidade de reflexão de carga térmica de até 92%
Corte

As ancoragens eram um ponto de destaque no projeto, pois o sistema tensionado gera fortes trações nos sentidos perpendicular e horizontal. Tirantes de aço inoxidável (estais) de meia polegada suportam cargas de três a seis toneladas, enquanto a membrana, com fios de poliéster de alta resistência, recebe tração de cinco toneladas por metro linear. Cada metro quadrado da membrana, importada da empresa francesa Ferrari, pesa 750 gramas.

Os cálculos também consideraram ventos de até 144 km/h, além de fatores como tensões, reações das ancoragens e deformações da lona. A cobertura tem 16 metros de vão livre e 28 de comprimento, com pés-direitos variando entre 3,20 e 6,5 metros. Para que ela suportasse grandes cargas de tração, os engenheiros recomendaram que as ancoragens fossem feitas nas vigas de sustentação da cobertura do teatro.

A esplanada antes da obra (embaixo dessa área fica o teatro)
Corte

Na ancoragem linear da membrana, os estais foram presos à viga de concreto da parede da sede social, com o uso de chumbadores químicos de meia polegada, fixados a cada 25 centímetros. Em apenas um ponto do piso (extremidade esquerda), onde não havia viga, foi feita uma estrutura metálica auxiliar para transmitir as cargas às vigas mais distantes, de modo a não sobrecarregar as lajes. As ancoragens de solo contaram com bases de concreto com 60 x 60 centímetros de área e 20 centímetros de altura, solidarizadas com as vigas que sustentam a laje do teatro. Essas bases permitiram a ancoragem tanto de três mastros, cada um com dois tirantes, como das partes das membranas onde havia esforços vertical e horizontal.

Os mastros são de eucalipto autoclavado, com 30 centímetros de diâmetro. Eles têm alturas variando entre 6,20 e oito metros e foram pintados com tinta para proteção de madeira. Os furos para a colocação de chumbadores de 3/4 de polegada para cada canto da base tiveram de ser cuidadosamente localizados, para não alterar o comportamento das vigas do auditório.

Na parte superior, os tirantes foram presos nas placas de ancoragem da membrana, feitas com sanduíche de chapas parafusadas. As bordas da membrana possuem bainhas com cabos de aço inoxidável de 1/2 polegada de diâmetro, que servem para dar tensionamento à lona. Nas regiões intermediárias da membrana, cabos de 5/8 de polegada funcionam como estabilizadores e contribuem para dar resistência contra o vento de subpressão.

Fundada em 1953, às margens do rio Pinheiros, com o objetivo de reunir membros da comunidade judaica para atividades culturais e desportivas, A Hebraica vem realizando uma série de mudanças em seus espaços, como a reforma do prédio social e do ginásio de ginástica olímpica e a construção de um berçário.


Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 54 Setembro de 2008
A cobertura foi instalada na área em frente do prédio da sede social, projetado por Jorge Wilheim

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 54

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