PERFIL: Angelo Bucci (SPBR Arquitetos), Edifício Joaquim Ferreira Lobo, São Paulo

Sem frente nem fundo

Entre 2014 (início do projeto) e 2019 (a construção terá início em dezembro) passaram-se cinco anos e dezoito versões do desenho até que estivesse definida a arquitetura do residencial da rua Joaquim Ferreira Lobo, encomenda da incorporadora e construtora SKR ao SPBR. O que poderia parecer um problema - o longo ciclo de desenvolvimento e as inúmeras modificações do projeto - foi visto como uma oportunidade por Angelo Bucci e equipe. Sem pressa para colocar à venda as unidades - por causa da crise do mercado imobiliário brasileiro no período - os autores tiveram “mais campo para o diálogo, maior receptividade para aquilo que escapa às fórmulas batidas do mercado”, escrevem eles no memorial do projeto.

Percepção que é compartilhada por Silvio Kozuchowicz, dirigente da SKR e “conhecedor de arquitetura”, nas palavras de Bucci. Para Kozuchowicz, o fato do terreno ser bastante menor do que o recorrente nos empreendimentos da região (o valorizado bairro da Vila Olímpia, em São Paulo) demandava um edifício cuja arquitetura compensasse a sua escala menor.

A conclusão foi criar três apartamentos por andar - chegou-se a considerar um conjunto de cinco -, cada qual pertencente a uma torre independente. São, assim, três as torres a comporem o Float, como foi batizado o edifício, distanciadas por vazios interceptados pelo hall comum de distribuição proveniente do core dos elevadores e escadas. Cada torre terá lajes planas e paredes estruturais de concreto aparente.

“Criamos um edifício sem frente nem fundo, com apartamentos servidos por varandas voltadas para vistas interessantes e diversas. Chega-se a cada unidade olhando para o exterior”, analisa o empreendedor.

Sobre a sinergia entre a arquitetura e os interiores, este último assinado pelo Triptyque e pelo Yoo, de Londres, Kozuchowicz destaca a particular característica “forte” da arquitetura de Bucci. “Não existiu um limite claro entre os projetos”, ele conclui.

O Float é o segundo de três trabalhos desenvolvidos pelo SPBR para a SKR. Já pronto, em Moema, há o retrofit de um edifício comercial transformado em residencial, o Nomad, cuja arquitetura de interiores foi criada pelo SuperLimão. E, no primeiro trimestre do próximo ano começará a construção do SAO, um multiuso (residencial e hotel) de grande escala: são 25 mil metros quadrados de área construída. O edifício foi adquirido por um fundo de pensão canadense e está sendo atualizado atualmente para atender a demanda de aumento da quantidade de unidades de 1 e 2 dormitórios, com a consequente diminuição daquelas de três.

Igualmente foi o SuperLimão a conceber o projeto de interiores mas, faltando ainda a consultoria de hotelaria, quem sabe se realize o desejo de Bucci de se criar “uma ação abrangente com o objetivo de abrir possibilidades para o design nacional. Com a presença de um curador que, ao lado do SuperLimão, da SKR e do SPBR, convoque designers para atenderem cada demanda”.



Publicada originalmente em ARCOweb em 12 de Novembro de 2019
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