Athié Wohnrath: Escritório, São Paulo

Arte de rua em ambientes de trabalho mais abertos e cooperativos

Sede da farmacêutica Sanofi fica em torre paulistana do Parque da Cidade. Athié Wohnrath idealizou projeto que expressa alteração na dinâmica de trabalho da corporação

Originária do meio urbano - sobretudo nas grandes cidades -, nos últimos anos a arte de rua migrou para outros espaços onde seu reconhecimento e prestígio alcançou novos patamares. Entre os novos suportes para os artistas do gênero, destacam-se os espaços de trabalho em escritórios mais contemporâneos. A sede paulistana do braço brasileiro do grupo Sanofi, que é de origem francesa, é um deles. Nas instalações onde predominam os ambientes de trabalho mais abertos e cooperativos, alguns pavimentos exibem obras de Paulo Ito, Crânio e Fernando Chamarelli, artistas do grafite, que contribuem para a originalidade do espaço.

Prestes a completar um século de operação no país, a corporação, que atua na área farmacêutica e está no Brasil desde 1919, transferiu, no segundo semestre do ano passado, suas operações administrativas para nove andares (do 5º ao 13º pavimento) da torre Sucupira - um dos edifícios do Parque da Cidade, complexo cuja arquitetura é de autoria de aflalo/gasperini –, que fica na avenida Nações Unidas, na zona sul da capital. A ocupação foi realizada com base no projeto de interiores do escritório Athié Wohnrath, também responsável por trazer para os ambientes de trabalho as obras dos grafiteiros.

Sérgio Athié, arquiteto sócio da empresa autora do projeto, conta que, antes de definir o endereço da nova sede – o grupo avaliava algumas alternativas apresentadas por uma consultoria –, a Sanofi convidou escritórios de arquitetura para tomar parte no processo de mudança. Dessa forma, explica o arquiteto, a empresa poderia, com o apoio da arquitetura, mensurar com maior precisão a soma de andares para abrigar os colaboradores, por exemplo. Os escritórios foram escolhidos por seus portfólios e competências, informa Athié, e a empresa da qual ele é sócio foi selecionada.

O time da Sanofi participou da avaliação dos prédios, pois havia precaução com relação à distância que as novas instalações pudessem estar da sede anterior – está ficava na pista contrária da marginal de Pinheiros, como também é conhecida a via, e fazia com que os funcionários dispendessem mais tempo para chegar ao trabalho. A Sucupira reunia características que mais se aproximavam dos objetivos da Sanofi. “Fizemos análises técnicas e de ocupação, mas não opinamos se um ou outro edifício era mais interessante. Mas, alguns pontos, levavam à definição pela Sucupira”, conta Athié.

Quanto ao projeto de interiores, o arquiteto explica que este deveria ter caráter emblemático, retratando a alteração na dinâmica de trabalho das equipes da empresa. “Participamos com a equipe definindo o briefing, porque a empresa não tinha muito claro o que pretendia”, ele relata. Nesse processo, a Sanofi envolveu 40 pessoas – embaixadores da mudança, como eles foram denominados internamente. Dessa interação, consolidou-se o conceito de que no escritório não haveria postos dedicados, ou seja, o colaborador teria liberdade de ocupar a mesa mais conveniente. “A pessoa chega e vai para a mesa que quiser”, resume o arquiteto.

Definido o conceito, no qual a participação dos empregados da Sanofi foi fundamental e que se contrapunha ao da sede anterior, mais convencional, o foco do projeto voltou para oferecer mais áreas de integração dos times, ampliar espaços colaborativos e explorar as chamadas áreas de regeneração. “Tudo foi pensado para o bem-estar dos colaboradores”, afirma Athié. Um dos ambientes mais representativos desse conceito é o refeitório (no nono andar) que pode ser reconfigurado para, por exemplo, receber um evento, ou mesmo servir de espaço para o trabalho dos colaboradores.

Alguns dos pavimentos têm um perfil de recebimento de pessoas e, por isso, possuem áreas de colaboração mais generosas, enquanto outros são mais operacionais – “há, por exemplo, um deles que possui uma alameda de serviços onde o colaborador conta com lavanderia”, detalha o arquiteto. Nos andares operacionais (6º, 7º, 10º e 12º pisos), os postos de trabalho estão mais próximos da fachada da edificação e todos os colaboradores possuem armários para alojar seus pertences, uma vez que não existem mesas fixas. O 5º e o 13º pavimentos possuem idênticos layouts.

A organização nos pavimentos operacionais previu áreas específicas para tarefas que exigem mais concentração, porém não isolando-as, mas distribuindo-as num segmento do pavimento, enquanto noutra parte, nesse mesmo piso, privilegia-se áreas de trabalho mais interativas. Outra contribuição dos funcionários da farmacêutica diz respeito à menção às várias regiões brasileiras nos pavimentos. São referências sutis, que fogem à caricatura. As calçadas de Copacabana, por exemplo, estão registradas não em fotos, mas em grafismos leves e elegantes.



Ficha Técnica

Sede administrativa Sanofi
Local São Paulo, SP
Início projeto 2016
Conclusão da obra 2017
Área de intervenção 9.900 m²
Arquitetura e construção Athié Wohnrath
Fotos Jafo Fotografias

Publicada originalmente em ARCOweb em 20 de Abril de 2018
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