Felipe Rodrigues: Casa da Moenda, Joanópolis, SP

No topo, a pedra fundamental

Desenhada com linhas retas e erguida com concreto aparente, a Casa da Moenda desponta em um ponto alto do bairro de mesmo nome, em Joanópolis, destino turístico na Serra da Mantiqueira, São Paulo

No caso desta residência, a implantação se provou um elemento-chave para o resultado. Afinal, o lote escolhido para a construção - de metragem generosa e sem vizinhos ao alcance dos olhos - se localizava num ponto elevado do Bairro da Moenda, em Joanópolis, SP, o que abria uma miríade de possibilidades projetuais.

Parte de uma fazenda recém-loteada, o terreno de 20 000 metros quadrados no interior de São Paulo foi o primeiro a ser utilizado no condomínio. Com cerca de 70% de reserva de mata intocada, despontava em um ponto mais alto que os demais, garantindo ampla vista para o horizonte à frente e protegido pela Serra da Mantiqueira no trecho posterior.

O programa de necessidades apresentado pelo cliente ao arquiteto Felipe Rodrigues, autor do projeto e dono do escritório que leva seu nome, sugeria uma edificação com dois blocos independentes e interligados. O primeiro deles, de uso mais frequente, seria destinado às atividades cotidianas do proprietário e o segundo, aos hóspedes.

"A casa foi concebida como sendo de lazer, embora o cliente tenha revelado ao longo do processo a idéia de morar definitivamente nela um dia", explica o arquiteto. E completa: "Bem no início do projeto, havia apenas o bloco principal, pois a intenção era ter uma casa compacta. Mas logo ficou clara a necessidade de mais estrutura para receber convidados, daí o bloco de hóspedes", prossegue.

E assim fez. Felipe concentrou em um mesmo volume os ambientes sociais, reunindo no andar inferior sala de estar, sala de TV e cozinha. No patamar intermediário, instalou duas suítes e, no pavimento superior, um pequeno estúdio com um terraço/deck de madeira. Ali também couberam partes ténicas: o abrigo de bombas e os reservatórios de água, separados por uma parede cega.

O pavilhão de hóspedes foi dimensionado para abrigar duas suítes, um espaço para refeições e as áreas de serviço. Sob o prolongamento da laje de cobertura ficou a garagem, que é o ponto de articulação e distribuição das circulações e acessos entre os dois volumes da casa. Elementos vazados instalados na circulação dos dormitórios garantem luz natural e ventilação para os interiores, dotando a fachada longilínea de uma textura gráfica e uniforme.

A solução formal surgiu bastante vinculada a uma outra aspiração: trazer a paisagem para dentro. Daí o projeto possuir grandes aberturas para o horizonte (à frente e nas laterais). Praticamente todo o pavimento dedicado aos ambientes de convivência foi dotado de amplos terraços, cobertos por generosos balanços, separados da área interna por panos de vidro e portas de correr do piso ao teto.

No topo de uma montanha, a construção se fez quase inteira com concreto aparente moldado no local, sobre base (revestida de pedra obtida na região) ajustada à topografia - evitando a movimentação de terra. "O uso do concreto, sugestão felizmente aceita pelo cliente, se deu a partir da interpretação dos elementos naturais da gleba e do estudo das possíveis implantações. Nos pareceu imperativo que a casa tivesse a paisagem muito acessível e que, do mesmo modo, a percepção de se estar dentro ou fora fosse difusa. O resultado formal advém diretamente destas duas premissas", explica o arquiteto.

Para arrematar, entrou em cena ainda uma piscina azulzinha e com borda infinita, diante do vasto panorama verde.

"Até o término da obra não havia sido iniciada nenhuma edificação nos lotes vizinhos, de qualquer forma eram lotes grandes, todos com grande área de reserva natural. Eventuais construções vizinhas ficarão muito afastadas entre si, a vantagem de ter sido a primeira ficou, a meu ver, pela possibilidade de escolha", conclui Felipe.

 

 

Felipe Rodrigues Arquiteto
Felipe Rodrigues formou-se em 1997 (FAU-MACK) e, com seu trabalho de graduação, foi premiado no 10o Concurso Opera Prima – Concurso Nacional de trabalhos finais de graduação em Arquitetura e Urbanismo de 1997. Desde então, colaborou com diversos escritórios, tais como Reinach Mendonça Arquitetos Associados e Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto, além de integrar a equipe de projeto do TPS 3 – Novo terminal de passageiros do Aeroporto internacional de Guarulhos, São Paulo. Também atuou em projetos institucionais. Constituiu escritório próprio em 2006, passando a atuar sobretudo com projeto e gerenciamento de obras residenciais.



Ficha Técnica

Casa da Moenda
Local Joanópolis, SP
Início do projeto 2015
Conclusão da obra 2017
Área do terreno 20 000 m²
Área construída 510 m²

Arquitetura Felipe Rodrigues Arquiteto
Estrutura Benedictis
Consultoria em concreto aparente GR Consultoria
Construção Marcio Freire
Paisagismo Bonsai Paisagismo
Fotos Pedro Vannucchi 

 

Fornecedores

JMar (esquadrias)
Ornatos (ladrilhos hidráulicos)
Bracatto Móveis (marcenaria)
Deca (louças e metais)
Madeiras Gasômetro (piso e deck de madeira)
Baraúna, Decameron, Phenícia e Felipe Rodrigues (mobiliário)

Publicada originalmente em ARCOweb em 07 de Novembro de 2019
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