FGMF Arquitetos: Casa Cigarra, São Paulo

Para avistar a mata

Implantada em um terreno com grande declive, esta residência foi projetada pelo FGMF Arquitetos prevendo um mínimo de movimentação de solo e a máxima contemplação da paisagem. Para isso, foi preciso 'criar' superfícies artificialmente, efeito notável sobretudo na cobertura destinada ao lazer - pensada como alternativa a um quintal impraticável - e no volume que se projeta com enorme balanço em direção ao panorama natural

Diante da volumetria intrigante – marcada pelo corpo em balanço -, vale a explanação: aqui, talvez mais do que em outras situações, as peculiaridades do lote foram muito determinantes para o projeto arquitetônico. O terreno de esquina, em declive, com uma mata densa no fundo (embaixo) e belos visuais dessa vegetação a partir do trecho superior condicionou, em grande medida, o partido adotado.

Para começar, imaginou-se que o acesso à casa – para uso nos fins de semana, localizada em um condomínio fechado no interior paulista -, se daria pelo nível superior. O programa se desenvolveria a partir desse ponto elevado: descendo, implantação ajustada à topografia, de modo a praticamente dispensar movimentação de terra.

Como a inclinação era desconfortável e não havia a possibilidade de franquear acesso efetivo à mata, ganhou força a proposta de que os clientes pudessem desfrutar da paisagem natural ao menos visualmente – por meio de um amplo terraço localizado em cima. “Na verdade, nós tratamos de criar solo aproveitável artificialmente, já que não havia”, explica Lourenço Gimenes, sócio do escritório paulistano e um dos autores da Casa Cigarra.

“Inicialmente, pensamos em dois elementos com caráteres diferentes, mas complementares. Primeiro, um bloco semienterrado que fosse ‘brotando’ do chão, em contato direto com o solo”, diz. “À medida que fosse se desenvolvendo terreno abaixo, esse volume conformaria a área íntima, com quartos voltados para a mata adiante. As suítes ainda poderiam ter terraços privativos”, continua. Para a parte superior, destinada à ala social, estaria assegurada também a vista da vegetação, nesse caso, a copa das árvores.

Quanto à materialidade, os dois pavilhões nasceram distintos, numa contraposição entre o bloco semienterrado e o outro, apoiado nele. Ao elemento sólido, de alvenaria e concreto, sobrepõe-se aquele leve e em balanço, feito com metal e vazado (um terceiro ainda se fez necessário e segue esta lógica construtiva). “São como dois objetos distintos, que não pertencem um ao outro”, resume Gimenes, acerca do robusto trapézio do primeiro pavimento, carregando no topo o curioso elemento, descrito por ele mesmo como sendo “meio ponte, meio mirante”.

    

FGMF arquitetos
Fernando Forte (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, 2002), Lourenço Gimenes (FAU/USP, 2001) e Rodrigo Marcondes Ferraz (FAU/USP, 2001) são os sócios do FGMF Arquitetos, escritório que fundaram em 1999.



Ficha Técnica

Casa Cigarra
Local Porto Feliz (SP) 
Área do terreno 2.534,53 m²
Área construída 782,00 m²
Início do projeto 2017
Conclusão da obra 2019

Arquitetura FGMF Arquitetos - Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz (autores), Gabriel Mota, Luciana Bacin (coordenadores), Carol Magliari, Daniela Zavagli, Diogo Mondini, Eduardo Vale, Fabiana Kalaigian, Guilherme Prado, João Baptistella, Mariana Leme (colaboradores), Aryane Diaz, Giovanna Custódio, Guilherme Pulvirenti, Henrique Dias, José Carlos Navarro, Raquel Gregorio (estagiários)
Construtora Foz
Projeto de instalações hidráulicas e elétricas AF projetos
Paisagismo Raul Pereira
Projeto luminotécnico Studio IX
Fotos Pedro Mascaro 

 

Fornecedores

Inovar (caixilhos);
Padrão (marcenaria);
Bretton (revestimento externo);
MCC (estrutura metálica)

 

 

Publicada originalmente em ARCOweb em 22 de Janeiro de 2020
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora