Linha de móveis e objetos do designer Sottsass ganha exposição

Sistema modular de escritórios de 1972 e objetos concebidos pelo designer compõem mostra em São Paulo

No ano do centenário de nascimento do arquiteto e designer Ettore Sottsass (1917-2007), uma parceria entre o Istituto Italiano di Cultura de São Paulo e o Museu da Casa Brasileira traz à capital paulista a exposição Sottsass Olivetti Synthesis. Trata-se da primeira mostra dedicada à linha de móveis e objetos para escritório, Synthesis 45, apresentada pela fábrica Olivetti em 1972, desenhada pelo designer.

A exposição - que começa hoje (28) e vai até 14 de maio - apresenta ampla ambientação gráfica a partir dos catálogos do sistema modular, trazendo em torno de 50 peças, entre mesas de trabalho, cadeiras, arquivos, máquinas de escrever, mesas de apoio, além de acessórios como cabideiros, porta-guarda-chuvas, lixeiras, cinzeiros e porta-canetas, todos originais da época produzidos na sede Olivetti Synthesis de Massa Carrara, na Toscana, Itália.

O nome para a série de móveis Synthesis 45 decorre de um sistema modular padronizado a partir da unidade de 45 centímetros. O desenvolvimento desse padrão e outros detalhes da linha são explorados no filme “Olivetti Syntheses serie 45/80”, apresentado pelo próprio Sottsass e exibido na mostra. A exposição traz também uma série de imagens de escritórios feitas pelo fotógrafo Gabriele Basilico (1944-2013).

Na realização de Synthesis 45, Sottsass e seus colaboradores – nomes como Perry King, Albert Leclerc, Bruno Scagliola, Tiger Umeda e Jane Young – redesenham a “paisagem do trabalho”, criando um modelo em que a um sistema modular se associa uma maior flexibilidade de arranjos e o respeito pela liberdade do indivíduo.

Sottsass Olivetti Synthesis tem curadoria de Marco Meneguzzo, crítico de arte e professor de História da Arte Contemporânea na Accademia di Belle Arti de Brera, Alberto Saibene, historiador da cultura, cineasta e documentarista, e Enrico Morteo, arquiteto, historiador e crítico de design e arquitetura. Confira abaixo o depoimento de Enrico Morteo para o portal ARCOweb:

A linha Synthesis 45 foi criada há 45 anos. Qual a sua importância na história do design industrial e, em particular, na cultura da arquitetura corporativa de sua época?
Quando, em 1972, Olivetti lançou o Sistema Synthesis 45, surgia uma verdadeira novidade na indústria do mobiliário corporativo. Modular, flexível e extremamente articulado, o Sistema 45 respondia às mais avançadas teorias internacionais da arquitetura corporativa, tanto à alemã burolandschaft, quanto à americana office landscape. Mas o Sistema 45 avançou os limites da pesquisa, imaginando espaços de trabalho humanos e vibrantes, bem distantes do cinza dominante nos escritórios.
Sottsass trabalha em diversos níveis: tanto usa sistematicamente a cor para conotar a identidade do espaço de trabalho, resolvendo com a máxima simplicidade componentes maiores (mesas, divisórias, armários, prateleiras) quanto de modo a minimizar custos, e introduz elementos plásticos coloridos e lúdicos quando o projeto se aproxima da espontaneidade dos gestos do corpo humano. Cadeiras, alças, cabides, pequenos objetos de mesa são desenhados com formas arredondadas e coloridas, bem diferentes dos equipamentos tradicionais dos escritórios.
Em última análise, o Sistema 45 oferece uma paisagem de dupla vista: moderna, geométrica e funcional por um lado, ao mesmo tempo o projeto revela a habilidade de Sottsass de prenunciar o horizonte emergente da era pós-moderna, irreverente e figurativa, irônica e transgressiva.
 
E qual o seu desdobramento na atualidade?
Se atualmente podemos imaginar escritórios brilhantes e coloridos é porque Ettore Sottsass, há 45 anos, foi capaz de pensar em technicolor e Olivetti teve a coragem de quebrar as regras modernistas corporativas.

Qual o enfoque das fotografias de escritórios, feitas por Gabriele Basilico, e que integram a mostra?
A novidade do projeto sempre fez com que a Olivetti tivesse um grande compromisso com pesquisa e comunicação. As fotografias encomendadas para o jovem Gabriele Basilico foram uma das ferramentas em que a Olivetti se baseou para analisar as possibilidades formais e funcionais do design. Uma vez criado um escritório de teste na cidade de Florença, Olivetti pediu a Basilico para fotografar os espaços a fim de avaliar plenamente o seu potencial.
 
De onde provêm os objetos expostos? Fazem parte de um acervo dedicado à obra de Ettore Sottsass?
Eles provêm de colecionadores privados, entusiastas do trabalho de Sottsass. Na Itália não existe nem um Museu Nacional de Design nem um museu dedicado ao trabalho de Sottsass. Mas há muitos colecionadores que reuniram com amor e habilidade as memórias e o legado do melhor designer italiano.


SOTTSASS OLIVETTI SYNTHESIS
Abertura 28 de março, terça-feira às 19h (entrada gratuita)
Visitação até dia 14 de maio; de terça a domingo, das 10h às 18h
Local Museu da Casa Brasileira
Endereço av. Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano – São Pauloa
Ingressos R$ 8 e R$ 4 (meia-entrada), gratuito aos finais de semana e feriados
Informações (11) 3032-3727; www.mcb.org.br

Publicada originalmente em ARCOweb em 28 de Março de 2017
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora