Gesto Arquitetura: Exposição Brasil
50 mil anos

Túnel do tempo em Brasília

Exposição pode ir para outras cidades

Percurso expositivo também levou em conta a configuração do salão de recepções do STJ
Túnel do tempo em Brasília

A história da Terra Brasilis pré-descobrimento foi sintetizada pela exposição Brasil 50 Mil Anos:
uma Viagem ao Passado Pré-Colonial
, realizada pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo - MAE/USP. O projeto da mostra foi desenvolvido pelo escritório Gesto Arquitetura.
Inagurada em setembro de 2001, a mostra está em cartaz no salão de recepções do edifício do Superior Tribunal de Justiça (projeto de Oscar Niemeyer), em Brasília - onde deve permanecer até o início de dezembro deste ano. Objetos e utensílios do acervo do MAE/USP contam parte desse passado, revelando aspectos da organização social de povos e comunidades que habitavam o Brasil milhares de anos antes da chegada dos europeus.
O suporte para tornar compreensível diferentes etapas evolutivas de sociedades complexas que se estruturaram ao longo desse período foi desenvolvido pelo escritório Gesto Arquitetura.
O design das peças empregadas para a exposição de objetos complementa esse projeto. O trabalho da equipe do Gesto torna-se nítido ao dar unidade à trama exposta. Com isso, o trajeto expositivo, distribuído por 2 mil m2 de área, é percorrido de forma lúdica, sem perda de sua face didática.
A idéia de Newton Massafumi e Tânia Regina Parma foi proporcionar uma viagem num túnel do tempo cenográfico. Depois de atravessar a recepção/apresentação - onde se informam sobre o mergulho que vão empreender -, os visitantes ingressam numa régua cronológica, como a designam os autores, onde estão demarcadas etapas diferentes desse período histórico.
Com o auxílio da iluminação, as paisagens urbanas contemporâneas exibidas no início vão se modificando, até que o “viajante” chegue ao paredão rochoso/caverna, ambientação produzida com paredes laterais inclinadas em tom ocre e luzes reduzidas. No piso, vitrines formadas por placas de vidro enxertam no trajeto objetos, cacos cerâmicos e pedras fornecem informações complementares a mapas, gráficos e textos sobre o período.
O desembarque do túnel se dá no módulo "Os Primeiros Caçadores Coletores", onde planos inclinados oblíquos buscam transmitir aos visitantes
a sensação de seus pequenos limites físicos.
As peças expostas em cavidades recebem iluminação de dentro das próprias vitrines. Os painéis desalinhados e sobrepostos remetem à irregularidade das paredes de pedras das cavernas.
O "Túnel do tempo" e "Os Primeiros Caçadores Coletores" foram distribuídos em duas faces periféricas do salão. No centro do pavilhão, foram organizados módulos representativos de algumas das mais importantes civilizações primitivas que habitaram terras brasileiras.
Objetos de caça, desenhos, cestos e armadilhas, entre outros, dão pistas sobre a forma de vida e organização das comunidades umbu e sambaqui, da nação tupi-guarani, do território bororo, terminando num espaço denominado "Esplendor Amazônico".

Para costurar a relação entre diferentes eras
,
os arquitetos desenharam peças metálicas de configuração parecida e dimensões diferentes, que admitem leituras múltiplas. Essas peças formam o eixo condutor da mostra e dão unidade a seu trajeto.
Ao mesmo tempo que conduzem o visitante, delimitam os espaços de cada grupo, quando têm alteradas altura e curvatura. “Esse elemento de unidade mantém, ainda, diálogo com as aberturas da arquitetura do edifício, que também tem ritmo próprio. É um emoldurar sem, no entanto, fechar”, afirma Massafumi.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 261 Novembro 2001

Túnel do tempo: régua cronológica marca
viagem ao Brasil pré-descobrimento
Um arco tupi? Um dente de anta? Cobertura das malocas indígenas? Curvatura e dimensões variadas na peça
metálica configuram civilizações diferentes
A montagem da exposição foi confiada ao escritório GTM,
que trabalha na fronteira entre a arquitetura e a cenografia
Arquitetura de interiores e cenografia se juntam para
criar um percurso lúdico e simultaneamente, didático
Suportes para expor as peças também
desenhados pelo escritório Gesto Arquitetura
Exposição pode ir para outras cidades

A exemplo do que ocorreu com a Brasil + 500 - Mostra do Redescobrimento no ano passado, a exposição Brasil 50 Mil Anos: uma Viagem ao
Passado Pré-Colonial poderá percorrer outras cidades.
Marília Xavier Cury, coordenadora da exposição, informa que o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo investiu 1,5 milhão de reais no projeto e está buscando parceiros para viabilizar novas montagens.
Em Brasília, estão expostas mais de 500 peças, a maior parte delas pertencente ao MAE/USP (outras são da UnB/Iphan). O museu arqueológico, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo, conta em seu acervo com cerca de 120 mil itens, a maior parte deles reserva técnica.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 261

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