Marko Brajovic: Mostras David Bowie e Stanley Kubrick, São Paulo

Expografia multissensorial

Realizadas pelo Museu da Imagem e do Som (MIS), exposições têm projeto que explora elementos de áudio e cenografia para sensibilizar o visitante sobre a obra de ambos artistas

Desde outubro de 2013, o Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, tornou-se palco de algumas das exposições mais visitadas e celebradas da cidade nos últimos anos: "Stanley Kubrick" e "David Bowie". O projeto arquitetônico das mostras foi desenvolvido pelo escritório paulistano Atelier Marko Brajovic, que busca apresentar os trabalhos, tanto do diretor de cinema norte-americano quanto do músico inglês, por meio de experiências multissensoriais.

Em cartaz até o dia 20 de abril, a exposição sobre David Bowie foi organizada pelo Victoria and Albert Museum de Londres, e tem cenografia criada a partir da ideia de “geometrizar” o cantor. “Desenhar Bowie com linhas etéreas é convidar o visitante a imergir em uma realidade abstrata, imaterial. A idéia é desconstruir a percepção do existente real, tranferindo o visitante para um ambiente onírico”, afirmam os arquitetos responsáveis.

A sala “Caleidoscópio” conta com paredes, piso e teto revestidos por espelhos, que refletem vídeos e fotografias, camuflando a origem da imagem principal. O espaço é organizado tematicamente em uma galeria circular, de acordo com as fases do “camaleão do rock”, enfatizando suas influências artísticas e experiências com o surrealismo, o expressionismo alemão, a mímica e o teatro Kabuki.

Além de set lists, letras de músicas, manuscritos, instrumentos e desenhos, a mostra brasileira reúne 47 figurinos, trechos de filmes e shows ao vivo, videoclipes e fotografias, sempre permeados por elementos multissensoriais.

Inédita na América Latina, a exposição sobre Stanley Kubrick ficou em cartaz de outubro de 2013 a janeiro de 2014. Dividida em 16 ambientes, ela explorou as características estéticas mais marcantes dos filmes do norte-americano, de modo a enfatizar a tensão constante existente nos filmes.

Inspirada na metáfora do trem-fantasma, a expografia contou com um percurso fechado, onde a transição de um filme ao outro acontece por meio de espaços escuros de transição a fim de proporcionar uma espécie de imersão, tornando o visitante “um ator ativo de cada cena/sala”.

Para criar os ambientes específicos, os arquitetos se basearam na captação de emoções e sensações predominantes, como o constrangimento experienciado ao assistir “De Olhos Bem Fechados”, coordenada com a reprodução da materialidade a partir da paleta de cores, texturas, luz e composição cênica, a exemplo da multi-informação e cores vibrantes presentes na sala de “Laranja Mecânica”.

Por fim, a exploração da fotografia e dos movimentos de câmera originais podem ser exemplificados pelo ambiente do clássico “2001: Uma odisseia no Espaço”, onde luzes intermitentes e giratórias conferem movimento, colocando os visitantes, de acordo com os arquitetos, "em órbita".



Ficha Técnica

Exposição "Stanley Kubrick"
Local Museu da Imagem e do Som, São Paulo
Arquitetura Atelier Marko Brajovic
Sonoplastia Rodrigo Berg
Curator chefe Hans-Peter Reichmann
Curador e diretor de temporada Tim Heptner
Adaptação André Sturm (MIS)
Adaptação e produção Gabrielle Araújo, Nathalie Schreckenberg (MIS)
Instalação do espaço Liz Eventos e Cenografia
Instalação da mostra Manuseio Montagem e Produção Cultural
Design gráfico Vicente Gil Design
Direção de artes gráficas Nasha Gil
Fotografias Vicente Gil

Exposição "David Bowie"
Local Museu da Imagem e do Som, São Paulo
Arquitetura Atelier Marko Brajovic
Curadores Victoria Broackes, Geoffrey Marsh
Diretor geral do projeto André Sturm 
Produção Larissa Peron, Talita Campos
Montagem de cenografia Caselúdico e Art40 Montagem
Montagem das Obras Manuseio Montagem e Produção Cultural
Design gráfico Vicente Gil Design
Direção de artes gráficas Nasha Gil
Fotografias Vicente Gil

 

Publicada originalmente em ARCOweb em 01 de Abril de 2014
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