Alexandre Wollner ganha mostra no Museu da Casa Brasileira

Um dos mais importantes designers gráficos da América Latina, ele terá sua produção exibida - por meio de entrevistas, cartazes, vídeos e logos -, em mostra no museu paulistano, com abertura prevista para o dia 8 de junho

Alexandre Wollner, designer gráfico, em 2016 (Foto: German Lorca)

O Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo gerida pela Sociedade Civil por meio da A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros, apresenta a exposição 'Alex Wollner Brasil: Design Visual', na capital paulista.

O conteúdo da mostra idealizada por Alexandre Wollner junto ao Museu Angewandte Kunst, de Frankfurt (Alemanha), entre 2013 e 2014, com curadoria de Klaus Klemp e co-curadoria de Julia Kartesalo, vem pela primeira vez ao Brasil. Além de manuais de identidade originais, cartazes, gravuras, projetos gráficos de livros, vídeos e um resumo de sua trajetória profissional, o evento inclui algumas das marcas criadas por ele no trabalho com identidades corporativas - estas, expostas no jardim do MCB.

Wollner nasceu em São Paulo, em 1928, e, após estudar no Instituto de Arte Contemporânea (IAC, São Paulo) e na HfG-Ulm (Hochschule für Gestaltung, em Ulm, na Alemanha), fundou a Forminform - primeira agência brasileira de design industrial e gráfico, tendo sido seus sócios Geraldo de Barros, Ruben Martins e Walter Macedo. Com o colega e professor Karl Heins Bergmiller, desenvolveu um conceito para o ensino do design no Brasil seguindo o modelo da HfG-Ulm, e, assim, ajudou a fundar a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), no Rio de Janeiro, em 1963, onde lecionou por anos.

Tal metodologia acompanhou Wollner em toda sua trajetória, sobretudo no desenvolvimento de identidades corporativas abrangendo a comunicação visual completa da empresa, desde o design de interiores dos escritórios às fontes tipográficas e sistemas de sinalização, além dos meios de propaganda, a embalagem e o vestuário dos funcionários. Para ele, o design corporativo significava mais que o logo correto e sim uma importante revisão da cultura interna da empresa. Sua abordagem teve impacto duradouro na imagem dessas companhias, que acabaram por se tornar referências internacionais em design visual.

Estarão expostos no MCB alguns dos manuais originais completos que o designer preparava a cada projeto de identidade, indicando o uso correto da marca e suas aplicações. Por meio de vídeos, como o documentário "Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil", de André Stolarski (1970 - 2013), será possível conhecer mais sobre seu processo de trabalho, além do posicionamento crítico de Wollner em relação ao design brasileiro.

Constam ainda cerca de 50 cartazes, entre originais e reimpressões. Afinal, baseado na experiência com arte concreta, em seu robusto conhecimento da 'Nova Tipografia' e em sua consistente abordagem funcional para a comunicação, Alexandre Wollner produziu um extenso conjunto de cartazes ao longo de seis décadas - como os emblemáticos da IV Bienal Internacional de São Paulo e do Festival Internacional de Cinema de 1954 (uma reedição comemorativa deste, com tiragem limitada, será distribuída na bilheteria e acessível pelo site do Museu da Casa Brasileira como contrapartida a uma doação à instituição).

A exposição trará também o trabalho, pouco conhecido, em fotografia, e um conjunto de 25 gravuras produzidas no início dos anos 2010, quando Wollner retomou as atividades como artista plástico, após várias décadas atuando exclusivamente como designer gráfico.

Confira alguns exemplares da produção de Wollner ao fim da reportagem.

Alex Wollner Brasil: Design Visual
Evento de abertura 8 de junho, sábado, às 14h - entrada gratuita
Local Museu da Casa Brasileira (MCB)
Endereço Av. Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, São Paulo
Visitação até 25 de agosto, de terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada); crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos; gratuito aos finais de semana e feriados; pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada
Acessibilidade no local; bicicletário com 40 vagas; estacionamento pago no local
Tel.: (11) 3032-3727



Publicada originalmente em ARCOweb em 31 de Maio de 2019
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