Confira tudo sobre o Arq+ Smart Construction 2019

Em sua quarta edição, a High Design - Home & Office Expo apresentou, entre os dias 21 e 23 de agosto de 2019, no pavilhão São Paulo Expo, na capital paulista, a segunda edição do Arq+ Smart Construction - espaço de negócios, relacionamentos e conteúdo focado em arquitetura e design de interiores. Além de abrigar uma ilha acústica, onde expositores da ProAcústica exibiram produtos e soluções para os mercados residencial e corporativo, a área foi palco de talks sobre conforto, tecnologia e futuro, sob curadoria da revista Projeto


O arquiteto lighting designer Carlos Fortes e Fernando Mungioli, Publisher da revista PROJETO (Foto: Dilvulgação)

Ao longo dos três dias da última edição da High Design - Home & Office Expo, foram realizados 12 talks sobre três amplos nichos de interesse da área de arquitetura e construção: Conforto, Tecnologia e Futuro. Elaborados pela revista PROJETO, em parceria com a ProAcústica, cada dia era também finalizado pelo bloco ARQ+, quando sócios de grandes escritórios abordavam todos os temas e os relacionavam às rotinas de suas próprias equipes e aos nichos específicos de suas principais atividades. As conversas, de aproximadamente meia hora, foram discutidas por convidados renomados de cada segmento e intermediadas por Fernando Mungioli, Publisher da revista PROJETO. Todas foram abertas ao público para perguntas.

Para falar sobre Conforto, estiveram presentes os arquitetos Fernando Alcoragi, Lineu Passeri Jr., Marcos Holtz, e os engenheiros Raquel Rocha e Juan Frias. Para abordar Tecnologia, foram convidados os arquitetos Thomas Takeuchi, Carlos Fortes, e a engenheira Maria Angélica Covelo Silva. Sobre Futuro, marcaram presença os arquitetos Rodrigo Andreolli, Flavia Ranieri e Fernando Simon Westphal.

Já para a finalização de cada dia, sócios de alguns escritórios de arquitetura discutiram os temas a partir das perspectivas de seus próprios trabalhos. Rodrigo Marcondes Ferraz, do FGMF Arquitetos, abordou a temática residencial; Antônio Mantovani e Nico Salto, da Pitá Arquitetura, trouxeram exemplos de projetos de interiores corporativos; por último, Marcelo Barbosa, do Bacco Arquitetos, referiu-se a algumas das grandes obras elaboradas pelo escritório.

Ainda a ProAcústica viabilizou o lançamento do Manual ProAcústica para Qualidade Acústica de Auditórios e trouxe para um bate-papo os arquitetos José Augusto Nepomuceno, Edison Borges Lopes e Marcos Holtz.

Sobre Conforto - tema embasado nos parâmetros acústico, ergonômico, térmico e visual dos projetos - as discussões deram destaque aos atuais panoramas do setor de acústica e revelaram a importância da relação entre escritório de arquitetura e consultoria acústica, bem como os entraves enfrentados para que tal relação se dê de maneira mais proveitosa: “Não depende apenas do arquiteto, mas também da incorporadora e construtora. Sinto que os arquitetos têm consciência da importância de um projeto acústico desde o início de um projeto, porém na maioria das vezes, ele já chega consolidado, não sendo possível, por exemplo, uma mudança na orientação de fachada”, contou Fernando Alcoragi. Da mesma maneira, mas especificamente aos projetos corporativos: “Alguns clientes têm considerado o trabalho de consultores de acústica desde o início, outros não. Metade da demanda do nosso escritório é para solucionar problemas depois da obra construída e, na maioria dos casos, para resolver questões relacionadas a equipamentos mal fixados ou à diminuição de ruídos gerais nos disseminados ‘open offices’”, explicou Lineu Passeri Jr.

Já em Tecnologia - temática pautada em parametria, realidade aumentada, softwares, automação e materialidades alternativas para a construção civil - destacou-se a evolução do segmento de arquitetura a partir da incorporação do desenho paramétrico tanto na produção de projetos profissionais quanto em nível acadêmico: “Têm pessoas que estudam a parametria não pelo processo de design, ou eficiência de mercado, mas por metodologia de ensino. Educar os estudantes através de um método paramétrico de se pensar é em si um ganho acadêmico”, afirmou Thomas Takeuchi. Ainda, parte da revolução tecnológica engloba não só o modo de projetar arquitetura, mas outras funcionalidades que auxiliam os usuários mesmo depois de construída. É o caso, por exemplo, dos sistemas de automação: “Os benefícios são enormes, em vários sentidos. Primeiro porque o controle pode ser muito mais simples se temos um sistema de automação teoricamente mais complexo ou mais sofisticado de infraestrutura. Por exemplo, com um único acionamento podemos ter um conjunto de luminárias aceso, programado por horário, por variação de temperatura de cor etc. Isso para ambientes residenciais, ou não”, explicou Carlos Fortes.

Em Futuro - assunto cuja abordagem se relaciona com quatro grandes segmentos da arquitetura: sustentabilidade, longevidade, mobilidade e acessibilidade - o tema de maior destaque refere-se à arquitetura para idosos, ou até mesmo à construção que se prepara previamente para o envelhecimento de seus usuários, seja particular ou pública: “Duas coisas básicas para a arquitetura longeva seria atenção aos tamanhos de porta e banheiro. O que acontece é que o envelhecimento é um processo gradual, então em uma casa, por exemplo, as adaptações vão sendo feitas ao longo do tempo. Para que uma casa seja longeva, ela teria de estar preparada para receber tais alterações no futuro”, pontuou Flavia Ranieri.

Ainda sobre projetos residenciais, foco da conversa com o FGMF Arquitetos, a conclusão é de que hoje as principais premissas para elaborar uma casa confortável é buscar entender o cliente, seus hábitos e o que se faz necessário para proporcionar o bem-estar em seu lar. Um desses componentes envolve justamente a questão acústica inserida em todos os espaços, que isolem tanto ruídos externos quanto balizem os internos. Ainda existe o aproveitamento da tecnologia em favor da praticidade como processo de projeto e como inserção na própria obra já construída: “Usamos BIM, realidade aumentada, realidade virtual - tecnologias existentes há um tempo e que estão ficando, inclusive, mais baratas e acessíveis. Também sempre buscamos aplicá-las à construção edificada. Como exemplo, a casa que se mexe: um sistema simples formado por trilhos, motores de portão de garagem e controles de automação de vários graus. Estamos sempre muito abertos a essas inovações”, contou o sócio Rodrigo Marcondez.

Já em espaços corporativos, tema central da Pitá Arquitetura, a conversa revelou que a discussão sobre conforto nesse segmento se mostrou ampliada desde os últimos vinte anos: “Hoje não é só conforto acústico, mas visual, ergonômico, de movimentação - que envolve a própria disposição do mobiliário interno, permeabilidade pelo espaço como um todo (...). Hoje, as empresas mais jovens entendem que o trabalho deve ser uma extensão de seus funcionários para que eles se sintam confortáveis para trabalhar, criar, pensar”, contou a equipe. Outra preocupação para o ambiente corporativo é também a adaptação às diversas faixas etárias que um escritório pode abrigar, em razão das mudanças de pirâmide populacional tendenciosa ao envelhecimento social: “Não existe um escritório que dure vinte ou dez anos. A nossa média de renovação é de cinco anos. Não é que não olhamos para o futuro, mas no corporativo - assim como de um restaurante, por exemplo - é imediato pelo próprio uso que se dá”, completou.

Sobre as grandes obras, cuja escala abrange projetos bem maiores, a relação entre as diversas ambiências se dá de maneira bastante complexa: “O projeto de um aeroporto, por exemplo, demanda uma equipe multidisciplinar. Trabalhamos sempre com os melhores consultores, nacionais e internacionais, de conforto, acústica, caixilhos etc. Precisamos analisar muito bem a relação entre uma janela e a turbina de um avião, por exemplo”, contou Marcelo Barbosa, da Bacco Arquitetos. A experiência do escritório também revela a importância do uso de novas tecnologias no processo de concepção dos projetos: “A fachada [do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte] tinha 600 metros de comprimento, que equivale a seis quarteirões, e por esse comprimento é necessário criar sobre ela uma série de elementos. Por isso nos apropriamos dos brises e fizemos uma cadência musical a partir das Bachianas do Villa-Lobos, tudo elaborado no desenho paramétrico”, explicou.

Publicada originalmente em ARCOweb em 16 de Setembro de 2019
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