Destaques do Congresso Brasileiro de Arquitetos

Com abertura programada para o dia 9 de outubro (quarta-feira), na capital gaúcha, o 21º Congresso Brasileiro de Arquitetura terá uma programação extensa, repleta de temas e discussões importantes. Confira alguns dos destaques selecionados pela redação do ARCOweb

Promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) desde 1945, o Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA) chega à 21ª edição contando com a co-promoção do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), além de várias entidades parceiras. 

Desta vez, o evento voltado a estudantes e profissionais de arquitetura pretende discutir o tema Espaço e Democracia – daí a decisão de distribuir o congresso por diferentes locais do centro histórico de Porto Alegre, levando os participantes a vivenciar os espaços da cidade, das praças e parques aos equipamentos culturais e educacionais existentes. A ideia é ampliar, também, a visibilidade do evento junto à população local.

As atividades incluem minicursos, oficinas e visitas guiadas (ainda com inscrições abertas), além de apresentações de planos e projetos de arquitetura e urbanismo, trabalhos e artigos científicos, palestras, debates, sessões livres e temáticas, assim como conferências. A programação começa no dia 09, marcada por inúmeras exposições e atividades artísticas, seguidas da Mesa de Abertura às 19:30 e da Conferência de Abertura – com Ermínia Maricato -, às 21:00, no Auditório Araújo Viana.

Na palestra “Apresentação de Projetos, com Arquitetura Nacional e Arquitetos Associados”, prevista para o dia 10, às 9:00, no Multipalco Eva Sopher, estarão presentes os três sócios do escritório gaúcho-paulista Arquitetura Nacional, Eduardo Maurmann, Elen Maurmann e Paula Otto, que desejam focar nos desafios de seu fazer profissional. O trio pretende explicar de que modo consegue se inserir no mercado e ampliar seu escopo de trabalho, assumindo para tanto etapas que não as projetuais, como prospecção e construção. A seleção das obras deve incluir exemplos de diferentes tipos: prédios, casas e interiores.

Já Alexandre Brasil promete descrever a maneira flexível como o Arquitetos Associados funciona. No escritório mineiro – verdadeira plataforma colaborativa -, cinco sócios de diferentes filiações arranjam-se em times distintos a fim de desenvolver cada projeto, numa solução que enriquece a prática e fomenta a investigação teórica tão apreciada pelo grupo. A apresentação deve incluir um passeio pela história do escritório, assim como reflexões sobre de que modo a cidade de Belo Horizonte – onde está localizado – informa os projetos realizados pelo Arquitetos Associados, a maioria deles situada nessa mesma cidade. A exibição dos projetos seguirá uma lógica própria: organizados conforme a ênfase na paisagem, na construção, no urbano ou na vida cotidiana. “Evitamos a ideia de ícone e também a extrema funcionalidade; buscamos sim um suporte para a vida humana”, diz Alexandre, que promete ainda destacar as galerias feitas para o Instituto Inhotim na apresentação.

Abrindo a conversa entre Estúdio 41 e Metro Arquitetos, pautada no tema “Espaços Públicos e o Desenho Urbano Democrático” (dia 10, às 14:00, no Salão de Atos da UFRGS), o escritório paranaense preparou uma apresentação abordando algumas de suas incursões nas operações urbanas - ressaltados o projeto do Setor Habitacional Pôr-do-Sol, em Ceilândia (DF), o Masterplan Para a Orla do Paranoá (Brasília) e o Plano de Urbanização da Água Branca (São Paulo). “Vamos contar como começamos a trabalhar nessa escala, em 2015, quando iniciamos com os projetos de intervenção urbana”, diz Emerson Vidigal, arquiteto do escritório que estará presente no evento. Um dos aspectos destacado por ele no Congresso será o aprendizado da equipe do Estúdio 41 ao lidar com as interferências políticas que se abatem sobre as obras públicas. “No Brasil, vemos as diversas administrações se sucederem e ameaçarem o bom andamento de muitos projetos dessa magnitude. É duro constatar que isso ocorre em oposição ao interesse público, notar que as políticas de governo ficam acima das políticas de estado”, afirma. “Além de significar enorme desperdício de dinheiro, o ato de engavetar projetos impacta terrivelmente muitas famílias e pessoas – basta lembrar que planos de urbanização costumam incluir habitação de interesse social e essa gente fica esperando sua moradia”, conclui.

Na sequência, o arquiteto Martin Corullon, um dos sócios do paulistano Metro Arquitetos Associados, deve exibir projetos desenvolvidos pelo escritório em diferentes escalas e em estreita relação com o espaço público. Sua intenção é mostrar edifícios e planos de desenho urbano, apontando o impacto que produzem na cidade - não apenas do ponto de vista urbano, mas também político. A pertinência da discussão se estende a várias cidades brasileiras, exemplificada por meio da apresentação de obras como o Refettorio Gastromotiva (Rio de Janeiro), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ITA (São José dos Campos, SP), a Ladeira da Barroquinha (Salvador) e a galeria Casa Triângulo (São Paulo).

Também está prevista para o dia 10 a sessão temática “O Lugar do Arquiteto no Mercado Imobiliário”, com Studio Prudencio e Smart (às 11:00, no Multipalco Eva Sopher), na qual o arquiteto Miguel Angel Esnaola imagina relatar algumas das percepções dos integrantes do Studio Prudencio a partir de sua experiência no mercado imobiliário. “Trata-se de uma reflexão sobre até onde a participação dos arquitetos pode chegar nesse âmbito”, diz o integrante do escritório gaúcho. A intenção é estimular a conversa com base na constatação de que vem se tornando imperativa aos novos profissionais uma atuação multidisciplinar, com maior abrangência e a atuação em diferentes papeis. “Hoje em dia, vemos arquitetos na comunicação, na fiscalização, numa série de outras áreas distintas do projeto. No Studio Prudencio, essa abertura de panorama se deu à medida que assumimos também a gestão de obras. Percebemos então que está em curso uma mudança - e ela é importante se a intenção é manter a arquitetura como protagonista no mercado”, conclui.

Marcio Carvalho, da incorporadora Smart, vem a seguir para reiterar a relevância do tema, uma vez que é o mercado imobiliário o responsável pela imensa maioria das transformações orgânicas das cidades e de sua paisagem. Ele comenta a visão recorrente nos anos 70 – de antítese entre arquitetura e mercado -, e diz perceber haver uma aproximação entre esses polos, no momento atual. Para o diretor executivo da empresa gaúcha, no novo contexto a arquitetura passa a ser um fator determinante na “experiência do produto”. “Na minha visão, não cabe mais ao arquiteto apenas desenhar a edificação e submetê-la tecnicamente aos órgãos competentes - como no boom dos anos 90 -, e sim refinar a sua arquitetura a partir da experiência do usuário, visando atratividade para o produto a ser lançado no mercado”. E sentencia: “Pródigo para a arquitetura, o momento suscita uma transformação no papel do arquiteto, que deve aproximar-se do ideal vitruviano, quase como um mestre de obras e um articulador que se responsabiliza por viabilizar a edificação em seus aspectos criativos, experienciais, comunicacionais”.

No dia 11 de outubro, haverá a palestra “Apresentação de Projetos, com MAPA e Andrade Morettin”, às 9:00, no Salão de Atos da UFRGS. O primeiro escritório, que mantém integrantes no Brasil, no Uruguai e nos Estados Unidos e estará representado na ocasião por um de seus sócios fundadores, promete repassar os 15 anos de atuação e exibir um bom número de projetos residenciais, que respondem por cerca de 70% do portfólio. A intenção é esmiuçar a importância da experimentação com soluções de pré-fabricação no escopo do Mapa, destaque para os Minimods – linha de cabines modulares componíveis, que chegam prontas ao local da implantação e dão forma a casas de lazer compactas –, além de outros projetos com a mesma lógica aplicada, porém mais abertos e em programas diferentes.

Já o arquiteto Vinícius Andrade, do paulistano Andrade Morettin Arquitetos Associados, promete explanar o processo por trás de tantos projetos consagrados: a estrutura de trabalho colaborativa, que funciona dentro do escritório e se estende à relação com parceiros externos. “Vou fazer a defesa dessa arquitetura que é pensada em conjunto, de forma coletiva, em oposição aos modelos consagrados nos cânones”, diz ele, reforçando a seguir a pertinência de tal modo de trabalho no contexto da contemporaneidade e do ambiente urbano. “Costumo contar que nosso escritório e os nossos 12 parceiros frequentes ficam situados no mesmo bairro de São Paulo, a Vila Buarque, próximos e trabalhando juntos - um indicador da crença dessa geração na ideia de que discutir e produzir coletivamente é melhor”.

A homenageada desta edição do Congresso Brasileiro de Arquitetos é a arquiteta e urbanista gaúcha Briane Panitz Bicca, falecida no dia 02 de junho de 2018, em Porto Alegre. Briane é lembrada como um dos principais nomes na luta pela preservação do Patrimônio Histórico Cultural brasileiro.

21º Congresso Brasileiro de Arquitetos
Data de 9 a 12 de outubro de 2019
Locais Centro Histórico de Porto Alegre (Auditório Araújo Viana, Praça da Alfândega e Largo Glênio Peres, Centro Cultural e Salão de Atos da UFGRS, Multipalco Eva Sopher, Centro Cultural da CEEE Erico Verissimo, Teatro Dante Barone – Assembleia Legislativa do RS, Casa de Cultura Mario Quintana, Memorial do Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Solar do IAB)

Confira a íntegra da programação no site do congresso



Publicada originalmente em ARCOweb em 04 de Outubro de 2019
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora