Grupo propõe solução urbanística e social para cracolândia em SP

Criado por um coletivo multidisciplinar, o projeto Campos Elíseos Vivo prevê a criação de novas habitações, espaços comerciais e equipamentos públicos, preservando edifícios históricos e evitando despejos


Foto: divulgação / Fórum Aberto Mundaréu da Luz

O coletivo Fórum Aberto Mundaréu da Luz, formado por arquitetos, urbanistas, trabalhadores, comerciantes, moradores, profissionais da saúde e grupos que atuam no bairro Campos Elíseos, no centro da capital paulista, desenvolveu uma proposta urbanística e social para a região conhecida como Cracolândia.

Denominado Campos Elíseos Vivo, o projeto articula programas de atendimento habitacional e de saúde, espaços comerciais e de geração de renda, locais de convívio e equipamentos públicos para a área, levando em conta as precariedades habitacionais, as vulnerabilidades sociais e o patrimônio cultural material e imaterial presentes no bairro.

A proposta será apresentada oficialmente em evento na próxima terça-feira, dia 3 de abril, a partir das 14h30, no Cia. Pessoal do Faroeste, que fica na rua do Triunfo, 301, bairro República, centro de São Paulo. Em seguida, haverá uma série de atividades pela região.

Baseado em levantamento qualitativo e indicativo, o plano tem como foco central três quadras no epicentro da Cracolândia, que estão sob ameaça iminente de desaparecimento para dar lugar a parcerias público-privadas.

Ali, vivem pessoas com perfis muito variados, que vão desde famílias com distintas composições até pessoas sozinhas, inclusive em situação de rua. O perfil também mostra que há desde quem resida há mais de 30 anos até grupos que moram de forma temporária.

O Campos Elíseos Vivo identificou a possibilidade de construção de 3.456 unidades habitacionais, atendendo à demanda existente e atraindo novos moradores para a região. A proposta potencializa a produção habitacional a partir da manutenção do estoque construído, sem implicar em demolições, remoções e soluções habitacionais provisórias, utilizando somente imóveis vazios ou desocupados que já foram notificados pela prefeitura da cidade.

Propõe-se, ainda, a criação de espaços de convivência que tem como objetivo incluir socialmente as pessoas com transtornos mentais severos e/ou que fazem uso problemático de crack e outras drogas. São espaços intersetoriais e transversais de sociabilidade, que garantem a permanência das diversidades na comunidade.

O projeto também cria uma série de transformações nos espaços e equipamentos públicos existentes, como uma horta comunitária, um parquinho para as crianças e um restaurante-escola, além de ruas abertas para pedestres e banheiros públicos.

Nos térreos das edificações, serão disponibilizados espaços para realocar as lojas dos comerciantes que atuam na região, assim como espaços para a instalação de oficinas compartilhadas, com locais coletivos para aprendizado e realização de atividades.

"Este é um momento em que precisamos definir se queremos preservar a história dos casarões e prédios de um dos bairros mais antigos de São Paulo, ou se vamos permitir que a sanha da construção civil destrua tudo, para reconstruir com gentrificação", explica Lizete Rubano, do Mosaico (FAU/Mackenzie), que também integra o Fórum Aberto Mundaréu da Luz. "A ideia do Campos Elíseos Vivo é enfrentar de forma propositiva e sem preconceitos, os desafios complexos que estão presentes hoje neste território", afirma.

Saiba mais sobre o Fórum Aberto Mundaréu da Luz e o projeto Campos Elíseos Vivo.

Confira também a programação completa do ato de lançamento do projeto.

Publicada originalmente em ARCOweb em 27 de Março de 2018
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