Mostra em São Paulo aborda legado de Rino Levi

Primeira da série em 2020, a Ocupação realizada pelo Itaú Cultural apresenta a vida e a obra do arquiteto e urbanista, revelando sua contribuição para mudar paradigmas, modernizar e verticalizar a cidade. Um seminário, o lançamento de um livro, filmes online e ações educativas integram a iniciativa


(Foto: Acervo digital Rino Levi FAU-PUC)

Em 1926, quando Rino Levi (1901-1965) voltou a São Paulo depois de estudar na Escola Superior de Arquitetura de Roma (ele era brasileiro, filho de italianos), a cidade crescia atabalhoadamente. Coube ao arquiteto e urbanista harmonizar e integrar arquitetura, artes e natureza e atuar diretamente na metropolização paulistana. A verticalização do centro com atividades de serviço, comércio, lazer e cultura e a expansão horizontal formatada em bairros residenciais têm a sua marca. Devem-se a ele, ainda, a diversificação e a especialização das atividades econômicas e profissionais em torno da arquitetura. Sua trajetória, em suma, se confunde com a história e a cultura da cidade que ajudou a construir - e pode ser conferida na Ocupação Rino Levi, no Itaú Cultural, entre 29 de fevereiro e 12 de abril.

A 49ª exposição da série Ocupação tem concepção e realização do próprio instituto, que divide a curadoria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP). As equipes do Observatório Itaú Cultural e da Enciclopédia Itaú Cultural formam a equipe de curadores, tendo na cocuradoria os arquitetos e professores Hugo Segawa, Joana Mello, Mônica Junqueira, Renato Anelli e Tatiana Sakurai. O projeto expográfico é assinado pelo escritório de Stella Tedesco.

Por meio de croquis, maquetes, recortes de jornais, fotografias, vídeos inéditos e projetos desenhados por ele, mas nunca construídos, a exposição traça um panorama do trajeto de Rino Levi. Entre as propostas que nunca saíram do papel destaca-se um Viaduto do Chá completamente diferente do que existe hoje na região central.

Também integra a mostra uma maquete do que seria Brasília caso o arquiteto não tivesse perdido para Oscar Niemeyer no concurso de 1957 que elegeu o plano urbano da então futura capital do país. Esta obra será apresentada em versão tátil para o público cego, ao lado de cartas redigidas pelo arquiteto e transpostas para o braile para a exposição. Todos os vídeos também contarão com tradução em Libras, a língua brasileira de sinais.


(Acervo FAU-USP)

Situada no piso térreo, a Ocupação se desdobra em cinco eixos. No primeiro, Rino Levi é apresentado com todas as suas credenciais: um arquiteto e urbanista que se destacou pela variedade e qualidade de projetos que marcam a paisagem urbana de São Paulo. Entre eles, o Teatro Cultura Artística, os antigos cinemas UFA Palácio, Universo – este, recriado por meio da realidade virtual – e Ipiranga. Ainda, os hospitais Antônio Cândido de Camargo do Instituto Central do Câncer e Albert Einstein, além do banco Sul-Americano do Brasil.
No eixo Morar Moderno encontram-se os projetos de Levi em diferentes escalas, privilegiando a flexibilidade dos espaços e a integração entre arte, design e paisagismo. Compõem esse núcleo temático o Edifício Prudência e a própria residência do arquiteto na Avenida 9 de Julho, onde funciona atualmente a galeria de arte Luciana Brito - endereço que prima pela integração do interior com a área externa.

(
Foto: Nelson Kon)

Metrópole Vertical, mais um eixo da mostra, aborda as experimentações de Rino Levi na distribuição interna de apartamentos residenciais e escritórios, assim como a maneira pela qual repensou a abertura das janelas e dos balcões para a paisagem urbana.

Na sequência, Cidade Nova apresenta sua contribuição para o espaço urbano ao incorporar vegetação exuberante e muita cor em seus projetos. Por fim, em Metrópole Cultural encontram-se seus projetos – realizados ou não – voltados para novos modos de lazer. Entre eles, o Teatro Cultura Artística, onde desponta o painel de Di Cavalcanti na fachada (atingido por um incêndio, está em reconstrução desde 2018).

Rino Levi foi também professor e representante de classe, construindo uma ampla rede de relações no Brasil e no exterior. Na FAU/USP, onde ensinou de 1957 a 1960, participou da reestruturação do curso. No Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB/SP), como sócio e presidente (1954-1955), estabeleceu contatos com os principais profissionais do ramo em todo o mundo e participou ativamente de órgãos internacionais comprometidos com o fomento e a difusão da profissão, como a União internacional de Arquitetos (UIA). Esta rede de relações que ele teceu ao longo da vida – interrompida aos 63 anos, quando acompanhava Burle Marx, amigo e colaborador nos projetos paisagísticos, a uma expedição botânica ao interior da Bahia –, também se encontra na exposição.


(Foto: Nelson Kon)

Consta da programação também uma publicação e um hotsite, além de uma mostra online de filmes clássicos que retratam a cidade naquele tempo, disponíveis no site de 2 a 12 de abril. O Núcleo de Educação e Relacionamento ainda preparou atividades em sinergia com a exposição. Das 14h às 15h30, nos domingos de março (dias 7, 14, 21 e 28), ocorrerá a oficina "Minha casa de papel: construindo cômodos em miniatura". Realizada no piso 1S, tem 1h30 de duração e as inscrições para as 20 vagas devem ser feitas 30 minutos antes do início, no balcão de informações do instituto.

Seminário em parceria com a FAU-USP e livro

Nos dias 2 e 3 de março (segunda-feira e terça-feira), o Itaú Cultural realiza o seminário Móvel, Casa e Cidade: Arquitetura e Modernização, em parceria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), com a presença de professores, arquitetos e especialistas. São 10 palestrantes distribuídos em seis mesas de debates abertas ao público. Os ingressos devem ser reservados online antecipadamente no link ao final desta reportagem.

Para iniciar, no dia 02 de março (segunda-feira), das 19h às 22h, está previsto o lançamento de "Rino Levi, Arquitetura e Cidade", pela Romano Guerra Editora. Trata-se da segunda edição do livro monográfico lançado originalmente em 2001 e esgotado há mais de 10 anos. Agora, a obra retorna com nova publicação realizada via patrocínio coletivo.

Na ocasião, haverá uma mesa redonda com os professores e arquitetos Renato Anelli, Abilio Guerra, Nelson Kon, Barbara Levi, Antonio Carlos Sant’Anna e Paulo Bruna.

Resultado do doutorado de Anelli, da pesquisa iconográfica da equipe liderada por Guerra e de ensaios fotográficos originais de Kon, a publicação em português-inglês aborda histórica e criticamente a vasta produção de Rino Levi. A segunda edição, revisada e ampliada, traz novo projeto gráfico assinado por Dárkon Vieira Roque, imagens tratadas a partir dos arquivos digitais brutos, textos revisados segundo a reforma ortográfica de 2009, além de imagens inéditas de Nelson Kon, do Acervo Digital Rino Levi, e do acervo pessoal de Barbara Levi, sua filha.

Programação

2 de março (segunda-feira)

14h às 14h30
Abertura institucional
Com Tânia Rodrigues, gerente da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte Brasileira, Ana Lucia Duarte Lanna, diretora da FAU-USP e Renato Anelli, arquiteto urbanista, professor titular da Universidade de São Paulo e um dos cocuradores da Ocupação Rino Levi.

14h30 às 16h
Rino Levi: referências italianas
Rino Levi formou-se arquiteto em Roma, em 1926, trazendo ao Brasil novos parâmetros dessa prática profissional. Sua formação o distingue de outros arquitetos modernos de sua geração, formados na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, e dos engenheiros arquitetos formados na Escola Politécnica e no Mackenzie.

Mediação: Renato Anelli, arquiteto urbanista, professor titular da Universidade de São Paulo e um dos cocuradores da Ocupação Rino Levi.

Palestrante: Guido Zucconi, professor de história da arquitetura na Universidade de Veneza (IUAV).
Tema: A formação do arquiteto em Milão e Roma. 
A formação de Rino Levi está inserida em um período crucial para a Itália: na linha política, com a ascensão e consolidação do fascismo, e no nascimento de um procedimento didático e profissional destinado à nova figura do arquiteto. Iniciado em Milão, na escola de engenharia, o seu percurso de estudo se completou em Roma, na primeira escola para arquitetos. Nas duas maiores cidades italianas, Levi trabalhou ao lado de jovens arquitetos que, depois de 1927, deram vida ao filão razionalista, como Giuseppe Terragni e Gino Pollini, em Milão, e Adalberto Libera e Sebastiano Larco, em Roma. Nasceria então o Grupo 7, o MIAR com surpreendente sincronicidade com o que estava sendo realizado no Brasil. Ao final de seu itinerário de formação, Levi tornou-se um produto amadurecido na nova escola superior de arquitetura, curso que iniciou em 1919-20. Se, é devedor de Gustavo Giovannoni por incorporar a noção e capacidade de ser um arquiteto integral – aquele que opera em todas as escalas e sobre qualquer frente, seja analítica ou operativa –, também persegue o modelo de arquitetura moderna temperada pela tradição, conforme a teoria e prática de Marcelo Piacentini, que caracterizou os primeiros 10 a 15 anos de sua obra.

16h30 às 18h
Da cidade vertical às megaestruturas: o legado moderno para a contemporaneidade
Rino Levi foi um agente da verticalização das cidades em busca de densidades compatíveis com a condição metropolitana. A mesa trata de dois momentos de sua ação: a relação entre projeto de arquitetura e gabaritos dos planos urbanos existentes e a introdução da escala mega estrutural em Brasília. 

Mediação: Abílio Guerra, arquiteto e editor da Romano Guerra Editora e do Portal Vitruvius.

Palestrante 1: Nadia Somekh, professora Emérita da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Tema: O edifício como construção de cidade e a verticalização de São Paulo. 
O crescimento vertical da cidade de São Paulo é baseado fundamentalmente no princípio de que o zoneamento não constrói uma cidade. Por se ater ao espaço privado, esta regulação urbana não gera espaço público. Contudo, até a promulgação do zoneamento, como o conhecemos hoje, e a perda do protagonismo do projeto de arquitetura, muitos arquitetos pensavam o edifício na sua condição pública. Rino Levi é um dos principais exemplos dessa possibilidade.

Palestrante 2: Cláudia Costa Cabral, professora titular do departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Tema: Rino Levi e a megaestrutura.
A intervenção posiciona a obra de Rino Levi com relação ao debate disciplinar sobre a megaestrutura. Assim, a palestrante examina o seu projeto para o Setor Residencial do Estudante, na Cidade Universitária da USP, de 1953, e os Superblocos de 1957, peças fundamentais de sua proposta para o concurso do Plano Piloto de Brasília. Ela destaca a contribuição precoce e vigorosa de Levi ao tema da megaestrutura, cujo reconhecimento permite reconsiderar o papel latino-americano nesse debate.

3 de março (terça-feira)

9h30 às 11h
Arte e Técnica na arquitetura e no design moderno
Na incorporação das novas técnicas construtivas à arquitetura moderna, arquitetos como Rino Levi tiveram a colaboração de engenheiros, artistas e designers que desenvolveram do mobiliário às estruturas de concreto armado de modo coordenado. 

Mediação: Mônica Junqueira de Camargo, arquiteta, professora associada de História da Arquitetura Moderna e Contemporânea na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (FAUUSP), e uma das cocuradoras da Ocupação Rino Levi.
Palestrante 1: Fernando Atique, professor associado do departamento de História da Unifesp, onde coordena o grupo de pesquisa Cidade, Arquitetura e Preservação em Perspectiva Histórica (CAPPH).
Tema: São Paulo em Escalas - publicações, edifícios e personagens de uma metrópole em gestação
São Paulo se estabeleceu como confluência internacional de pessoas e saberes espaciais, que foram se sobrepondo durante os anos 1930-1940. Nesses anos, a metrópole moderna já podia ser verificada na sua infraestrutura – com o Plano de Avenidas em implantação – e arquitetura, como o Edifício Esther e os prédios de Rino Levi. Visitantes e publicações estrangeiras contribuíram para a formação de engenheiros e arquitetos, que atuaram na construção dessa nova metrópole.  

Palestrante 2: Ethel Leon, doutora pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo.
Tema: Da obra de arte total à autonomia do design nos anos 1940-1960.
Para a construção dos interiores da obra de arquitetura moderna, os arquitetos escolhiam e desenhavam o mobiliário de modo a constituir um projeto integral de obra de arte total. Gradualmente, se estabeleceu uma autonomia relativa da prática do design e fabricação de móveis, que se desvincula da prática da arquitetura moderna, mantendo com ela laços programáticos.

11h30 às 13h
Morar moderno: experiências e proposições a partir da América Latina
A mesa trata dos projetos de habitação realizados por Rino Levi e seus contemporâneos na América Latina, a partir dos problemas colocados pelos processos de modernização em curso na região, do surgimento de novas tipologias e de novas formas de morar.

Moderação: Joana Mello, docente do departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, grupo de disciplinas Histórias e Teorias da Arquitetura e umas das cocuradores da Ocupação Rino Levi.

Palestrante 1: Anahi Ballent, professora da Universidade Nacional de Quilmes (UNQ) e pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet).
Tema: Tempos da modernização no habitar doméstico do século XIX ao XX. 
A palestra investiga o tempo de modernização dos tipos de habitação em massa e os modos de habitar moderno, tal como foram encarados por médicos, reformadores sociais e políticos no final do século XIX, e a modernização estética promovida pelos arquitetos a partir dos anos de 1920. Anahi trata de pensar a continuidade e as tensões entre as perspectivas, ações e propostas desses dois grupos de profissionais sobre a modernização social e estético-cultural da casa e da habitação na América Latina, com foco especial na Argentina. 

Palestrante 2: Maria Beatriz Camargo Cappello, professora associada (aposentada) do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia.
Tema: Rino Levi: o jardim, a paisagem e o lugar onde se habita – a casa.
A relação entre natureza, arquitetura e cidade, ligada à poética do Movimento Moderno, na obra selecionada do arquiteto Rino Levi. Ao explorar o pensamento de um dos arquitetos que introduziu a arquitetura moderna no Brasil e ao destacar uma de suas características específicas, – a relação com a paisagem brasileira, a partir da interferência do jardim nas casas que projetou –, Maria Beatriz revela as inovações nas soluções desenvolvidas em função da busca de uma estética da cidade com alma brasileira.

14h às 15h30
Arte, arquitetura e paisagem: integração e síntese das artes  
A arquitetura moderna brasileira foi pioneira na integração com as artes plásticas e o paisagismo, proposta que teve em Rino Levi um importante adepto. A mesa aborda dois projetos referenciais para o arquiteto: o Ministério da Educação, de Lúcio Costa e equipe, no Rio de Janeiro, e a Universidade de Caracas de Carlos Raúl Villanueva, na Venezuela.  

Mediação: Fernanda Fernandes, professora associada da FAUUSP onde atua na graduação e na pós-graduação de História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo.

Palestra 1: Carlos Eduardo Comas, professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Tema: Palácio e jardim: Ministério da Educação e Saúde Pública, Rio de Janeiro, 1936-45. 
O palestrante examina as estratégias de projeto utilizadas para caracterizar o MESP-Medicina Empresarial São Paulo, como monumento cívico, destacando o papel das artes plásticas e do paisagismo na ênfase da condição de edifício especial operando como máquina de rememorar e comemorar. 

Palestra 2: Alberto Sato, arquiteto e doutor em arquitetura, coordenador de pesquisa e pós-graduação na Faculdade de Arquitetura, Arte e Design da Universidade Diego Portales em Santiago.
Tema: A arte integrada: o caso da Cidade Universitária de Caracas. 
Os enunciados das “novas questões sobre a monumentalidade-necessidade humana”, formuladas por Sigfried Giedion, Josep Lluís Sert e Fernand Léger, em 1943, foram um importante ponto de partida no debate internacional e Carlos Raúl Villanueva desenvolveu na Cidade Universitária. Há razões para explicar aquele isolamento, mas também há outras que dão conta do interesse que suscitou na década de 1950, especialmente no continente.

16h às 17h
Urbanismo no pós-guerra: o coração das cidades e a nova monumentalidade
Durante sua trajetória profissional no Brasil, Rino Levi se alinhou com as proposições dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM).

Moderação: Renato Anelli, arquiteto urbanista, professor titular da Universidade de São Paulo e um dos cocuradores da Ocupação Rino Levi.

Palestrante: Eric Mumford, arquiteto licenciado e autor de livros como The CIAM Discourse on Urbanism, 1928-1960 (MIT Press, 2000), a história do Congresso Internacional de Arquitetura Moderna.
A obra de Levi se assenta na influência da arquitetura moderna brasileira do pré-guerra, integrando jardins e obras de arte moderna, alcançando o ideal dos CIAM, na combinação da arquitetura, paisagismo e planejamento orientado socialmente pelas obras de arte modernas.  Embora a particular situação econômica e geográfica da América do Sul impedisse Levi de ter contato direto com o CIAM, suas obras construídas e muitos projetos não construídos demonstram um profundo conhecimento das suas orientações no pós-guerra. 

Ocupação Rino Levi
Local Itaú Cultural - piso térreo
Endereço Avenida Paulista, 149, estação Brigadeiro do Metrô, Bela Vista, São Paulo
Abertura sábado, 29 de fevereiro, às 11h, e visitação até 12 de abril
Funcionamento de terças-feiras a sextas-feiras das 9h às 20h (permanência até as 20h30); sábados, domingos e feriados das 11h às 20h
Entrada gratuita
Acesso para pessoas com deficiência física
Tel. 11 2168-1776/1777

Ingressos para o seminário devem ser reservados online antecipadamente neste link



Publicada originalmente em ARCOweb em 27 de Fevereiro de 2020
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