Novo trecho da Praça das Artes, em São Paulo

No último dia 23 de março (sábado), passou a funcionar a nova ala desse importante complexo cultural na capital paulista - e agora o conjunto interliga o Vale do Anhagabaú com a Avenida São João e a Rua Conselheiro Crispiniano

O trecho recém-inaugurado, voltado para o Anhagabaú (Foto: Divulgação)

Uma característica importante da Praça das Artes – erguida no centro 
de São Paulo visando promover a requalificação da região – é sua 
capacidade de surpreender. A começar pela dimensão (28 500 metros 
quadrados), mas também pela qualidade do projeto arquitetônico 
e urbanístico, assim como pelo impacto estético do robusto maciço de concreto pigmentado que conecta edificações e vias da cidade.

Surpresa também foi a inauguração relativamente pouco divulgada de mais uma etapa da obra, detalhe comentado pelos autores do projeto. "Nem fomos avisados formalmente sobre a abertura, mas soubemos que isso ocorreria e nos apresentamos à Secretaria Municipal de Cultura e ao Hugo Possolo, diretor artístico do Thetro Municipal. Um pouco porque queríamos participar do evento e também para explicar a relevância do projeto", conta Marcelo Ferraz, que assina a obra com Francisco Fanucci (seu sócio no escritório Brasil Arquitetura) e com o arquiteto Marcos Cartum.

Embora intervenções urbanas sejam planejadas para promover melhorias e perdurar, Marcelo achou pertinente adiantar-se e reforçar a importância da Praça - pensada como um pólo capaz de atrair pessoas e irradiar cultura e educação para seu entorno. "Me espantei ao constatar como, em três gestões, a memória do que está em curso e beneficia o público vai se perdendo", comenta a respeito do projeto iniciado 2006, com trechos edificados entre 2012/2013 e agora mais esta etapa pronta.

Concebida em 2006 para abrigar as escolas e corpos artísticos do Theatro Municipal - além de requalificar os arredores do vale do Anhagabaú -, a Praça das Artes viu o bloco destinado às escolas de Música e Dança subirem em 2012. O local destinado às salas de ensaio dos corpos fixos do Theatro tinha previsão para 2013 e até hoje segue operando parcialmente. Além disso, desde o início, o projeto previa ampliação com um terceiro volume, cuja implantação ficou em suspenso.

"Apenas metade dos espaços estava funcionando, começando pela Escola de Música e Dança. Na outra parte, a dos profissionais, há sete pavimentos prontos, faltam quatro - inclusive aquele voltado à orquestra. Vi que o refeitório ainda não foi finalizado, mas fiquei contentente de saber do restaurante já inaugurado e da previsão de ocorrerem eventos e happy-hours ali", conta o arquiteto, sem deixar de reiterar um importante trunfo do conjunto: os 4 800 metros quadrados de área livre no térreo, concebidos como um convidativo espaço de circulação aberto à população, que une os diferentes volumes e vias próximas e se assemelha às ruas e galerias da região central.

"É por isso que a inauguração, agora, desse trecho aberto junto ao Anhagabaú, nos deixou tão felizes", diz Marcelo, referindo-se à nova ala, que viabiliza a ligação plena com a Avenida São João e a Rua Conselheiro Crispiniano. "Dá uma imensa alegria ver aquilo tudo unido - é um espaço novo para a cidade, nosso 'Lincoln Center'", celebra, fazendo analogia com o complexo de edifícios em Nova York, nos Estados Unidos, que agrega as sedes de companhias artísticas.

Veja a seguir imagens da Praça das Artes



Publicada originalmente em ARCOweb em 05 de Abril de 2019
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