10º Prêmio AsBEA: Especial do Júri

Andrade Morettin Arquitetos: IMS premiado mais uma vez

Andrade Morettin Arquitetos, com a sede do Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo, é o vencedor do Prêmio Especial do Júri. O projeto aplicou diversas estratégias para ampliar sua relação com a cidade. Algumas mais evidentes, como o térreo aberto, o uso de um invólucro translúcido que permite a leitura da estrutura de metal e concreto do edifício a partir da avenida Paulista, onde está implantado, e de um mirante, que surge do rasgo na fachada frontal na altura do quinto andar

Inaugurado em 2017, próximo ao cruzamento da avenida Paulista com a rua da Consolação, a sede do IMS Paulista é resultado de um concurso fechado, realizado em 2011, que tinha como premissas a criação de um equipamento aberto e democrático, dotado da maior área expositiva possível, de espaços multimídia e de setor educativo.

O escritório Andrade Morettin Arquitetos, comandado pelos fundadores Vinícius Andrade e Marcelo Morettin, e pelos associados Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis, saiu vencedor da competição com um projeto que, influenciado pela materialidade da Maison de Verre (Paris, 1932), de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet, destaca-se por suas fachadas envidraçadas que estabelecem relação de translucidez entre os espaços interno e externo.

O partido arquitetônico foi definido por dois aspectos essenciais: a existência de dois térreos (um na cota do passeio público e o outro elevado 15 metros da rua) e a compartimentação do núcleo do projeto (três salas de exposição e midiateca) em volumes autônomos nos interiores.

O acesso do público acontece por uma escada rolante que começa no primeiro térreo, aberto e junto à calçada, atravessando quatro pavimentos, até chegar à entrada do museu propriamente dita, no quinto andar (térreo elevado), que possui um rasgo na fachada para ser usado como mirante.

“Nessa transferência, que remete aos deslocamentos tão familiares das estações de metrô logo ao lado, ocorre uma primeira transição da escala da cidade para a escala do museu. Durante o percurso, os sons e a agitação vindos da rua vão se atenuando, a intensidade e a natureza da luz se alteram, até que se chega ao térreo elevado, de frente para a cidade, que se abre numa perspectiva totalmente renovada”, explica o escritório em memorial.

Ainda segundo os autores, a espacialidade do IMS Paulista é dada e percebida, sobretudo, a partir de seus vazios - espaços de circulação e encontro que se espalham entre os volumes de programa e a fachada. O programa central está organizado em dois volumes fechados: abaixo do térreo elevado ficam biblioteca, sala de leitura, um pequeno escritório e auditório, e, acima dele, os espaços expositivos (caixa vermelha).



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 446
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