10º Prêmio AsBEA

Prêmio Obras

Edifícios e Conjuntos Residenciais

Edifício Aruá, FGMF
São Paulo, SP

Foto: Rafaela Netto


Fusão de Blocos

O edifício Aruá foi projetado a partir de uma composição com quatro blocos distintos unidos por circulação vertical comum. Os autores descrevem a obra como um tipo de quebra-cabeça de quatro edifícios, com plantas e alturas diferentes fundidos entre si. Essa união forma uma espiral ascendente, uma vez que cada bloco possui um pavimento mais alto do que o anterior. Tal movimento, então, inspirou o nome do prédio, que significa caracol em tupi. Como cada volume tem gabarito diferente, foi possível criar uma série de coberturas com varandas e jardins em nível, como quintais de casa. O hall da entrada da edificação é todo aberto sob pilotis de concreto aparente e o projeto de paisagismo tem características tropicais. Há um grande painel artístico junto aos elevadores feito com ladrilhos hidráulicos, e as aberturas dos apartamentos possuem venezianas externas, de correr. O acesso ao prédio se dá por um pórtico de concreto aparente, que faz a transição entre o público e o privado e também serve de banco aos pedestres na calçada.


Ficha Técnica

Edifício Aruá
Local São Paulo (SP)
Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2018
Área do terreno 1.562 m2
Área construída 3.668,30 m2
Arquitetura FGMF Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz (autores); Ana Paula Barbosa, Sonia Gouveia, Adriana Pastore, Alessandra Musto, Carolina Matsumoto, Caroline Endo, James Smaul, Juliana Fernandes, Juliana Nohara, Luciana Bacin, Rodrigo de Moura, Vera Silva e Wanessa Simone (colaboradores)

Edifícios Comerciais

Mercado dos Peixes, Ricardo Muratori Arquitetos
Fortaleza, CE

Foto: Julio Guido Militão

Mercado à Beira Mar

Fruto de um concurso público para toda a orla da avenida Beira Mar, o novo Mercado dos Peixes ratifica um local e uma atividade já tradicionais em Fortaleza. A nova implantação orienta os boxes de venda perpendicularmente ao mar, permitindo a abertura das visuais. Criou-se também um deque com mesas voltadas para a praia. Foi projetada também uma edificação adjacente, que abriga a sede da colônia de pescadores e conta com área administrativa e terraço para realização de eventos. O projeto é coberto por um grande pergolado em estrutura metálica, que buscou garantir um espaço de alta eficiência térmica. Os autores explicam que a ideia geral foi criar um equipamento leve e fragmentado em pavilhões que não comprometessem a vista e a ventilação cruzada necessária para a manutenção do padrão higiênico e remoção de odores.


Ficha Técnica

Mercado dos Peixes
Local Fortaleza (CE)
Início do projeto 2010
Conclusão da obra 2016
Área do terreno 32 ha
Área construída 1.291,52 m2
Arquitetura Ricardo Henrique Muratori de Menezes, Esdras dos Santos Fernandes, Fausto Nilo Costa Junior (autores); Luana Ferreira Cavalcante (colaboradora)

Edifícios de Serviços e Uso Misto

Nasp - Natura, Dal Pian Arquitetos
São Paulo, SP

Foto: Nelson Kon


Vazio Integrador

Às margens da rodovia Anhanguera, o Complexo Administrativo da Natura São Paulo - Nasp se localiza junto ao centro de distribuição da empresa, em terreno com densa vegetação e de topografia variada. Para assegurar a eficiência dos diversos fluxos, há circulações específicas para pedestres, ônibus fretados, veículos de colaboradores e visitantes. Jardins, áreas verdes e espelhos d’água surgem como incisões e elementos que invadem a massa construída e equilibram a sua volumetria. Distribuído em seis pavimentos, o programa contempla espaços corporativos, de apoio, serviços e utilidades. O projeto se estabelece em torno de um “vazio integrador”. Circulações horizontais e verticais reforçam a ideia de expor o movimento e fluxo de usuários. Uma cobertura com vidros protegidos por brises perfurados metálicos filtra a luz natural incidente e coroa o edifício. As fachadas seguem princípios de ecoeficiência, com soluções que visam garantir a perfeita qualidade ambiental interna.

Ficha Técnica

Nasp - Natura São Paulo
Loca
l São Paulo (SP)
Início do projeto 2011
Conclusão da obra 2017
Área do terreno 111.736 m²
Área construída 29.700 m²
Arquitetura Renato Dal Pian e Lilian Dal Pian (autores); Carolina Freire, Lidia Martello, Amanda Higuti, Luis Taboada, Bruno Pimenta, Marina Risse, Carolina Fukumoto, Natalie Tchilian, Carolina Tobias, Paola Meneghetti, Cristiane Sbruzzi, Paulo Noguer, Filomena Piscoletta, Ricardo Rossin, Giovana Giosa, Sabrina Aron, Júlio Costa e Yuri Chamon (equipe)

Edifícios Institucionais

Avenues - The World School, aflalo / gasperini arquitetos
São Paulo, SP

Foto: Pedro Mascaro


Retrofit escolar

A unidade de São Paulo da Avenues é a segunda no mundo, depois da sua inauguração em Nova York, em 2012. No Brasil, um edifício comercial existente foi transformado em escola com programa diversificado, dinâmico e interligado. As diferentes séries dos ensinos fundamental e médio estão distribuídas verticalmente, ladeadas por átrios internos que fomentam a troca de experiências entre os alunos. Foi acrescentada uma edificação adjacente para abrigar espaços complementares - teatro, ginásio, pátio coberto, quadras e áreas externas descobertas. Nela, a sequência de volumes em diferentes alturas cria áreas externas, em diferentes níveis, acessíveis em pontos diversos da escola. As coberturas, ocupadas com quadras e terraços, possuem vista para o skyline da capital. A fachada realça o contraste do existente com o novo. Nas salas de aula, brises horizontais protegem o edifício da iluminação direta e bandejas de luz internas potencializam a iluminação natural. Nas áreas comuns, chapas de tela metálica perfurada garantem proteção solar e ventilação natural, além de uniformizar a volumetria e conferir um caráter contemporâneo à arquitetura.

Ficha Técnica

Avenues – The World School
Local
São Paulo (SP)
Início do projeto 2015
Conclusão da obra 2018
Área do terreno 11.448 m²
Área construída 41.864 m²
Arquitetura Roberto Aflalo Filho, Luiz Felipe Aflalo Herman, Grazzieli Gomes Rocha, José Luiz Lemos da Silva Neto (autores); Flavia Marcondes (coordenação); Raquel Rodorigo, Davi Lacerda, André Sumida, Mario de Bem, Renata Scheliga, Cristiane Tiemi Urakawa, Min Chul, Carlos Eduardo Garcia, Itala Bonatelli, Gabriel Braga, Daniel Brás, Bruna Florencio e Felipe Sato (colaboradores)

Edifícios Industriais

Fábrica da Perto, Santini e Rocha Arquitetos
Gravataí, RS

Foto: Marcelo Donadussi


Transparência na indústria

Uma indústria que produz equipamentos de automação bancária e comercial exigia uma arquitetura que acompanhasse a pluralidade do fluxo industrial. Nesse sentido, às exigências normais do programa os arquitetos somaram elementos como a comunicação visual por meio de cores, materiais e transparências, assim como a criação de barreiras acústicas. O edifício tem ainda revestimentos metálicos, esquadrias em alumínio, sistemas de termossifão e umidificadores para melhoria das condições climáticas no interior. O conjunto de amplas janelas com lentes prismáticas na cobertura proporciona luz natural nos interiores a maior parte do tempo. A ligação com o restante do parque industrial se faz por um módulo de áreas de apoio - uma curva de tijolo aparente, que tem a linguagem dos prédios existentes. O fluxo de produção é resolvido no segundo pavimento da edificação, por meio de pontes rolantes e elevadores de carga, facilitando o deslocamento das unidades fabricadas.


Ficha Técnica

Fábrica da Perto
Local
Gravataí (RS)
Início do projeto 2010
Conclusão da obra 2014
Área construída 7.500 m²
Arquitetura Henrique Rocha, Cícero Santini e Silva, Lucas Rocha, Vicente Brandão, Luis Felipe Duarte (autores); Patricia Remboski (colaboradora)

Prêmio obras arquitetura corporativa e de interiores

Escritório Groenlândia, Triptyque
São Paulo, SP

Foto: Nelson Kon

Rigidez e transparência

Por trás das trepadeiras dos jacarandás e dos troncos de 9 metros de altura das palmeiras, aparece um bloco de mármore branco em um jardim mineral. O uso do mármore e do concreto no projeto, materiais rígidos, faz um aparente desafio à gravidade. O edifício comercial conecta a pedra e o vidro, a rigidez e a transparência, a durabilidade e a leveza. Para o Triptyque, trata-se de um retorno à beleza essencial e natural dos materiais. O mesmo mármore é utilizado para o revestimento das paredes externas e para o paisagismo. Para o revestimento, ele foi polido e trabalhado de modo a revelar as suas delicadas nervuras. Já para o paisagismo, ele foi mantido em seu estado original. No interior, escadas flutuantes levam os visitantes à cobertura, onde podem usufruir de ampla vista. A construção não tem muro e fica em contato direto com a rua de mesmo nome localizada na região paulistana dos Jardins, que, em contraste, tem construções mais fechadas. A intenção dos arquitetos, como é usual em seus trabalhos, foi criar uma relação entre o espaço privado, a arquitetura, o espaço público, e a cidade.


Ficha Técnica

Groenlândia
Local
São Paulo (SP)
Início do projeto 2010
Conclusão da obra 2014
Área do terreno 993 m²
Arquitetura Greg Bousquet, Carolina Bueno, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli (autores); Murillo Fantinati Alfredo Luvison, Luísa Vicentini Danilo Bassani, Priscila Mansur, Thiago Bicas, Priscila Fialho, Natallia Shimora, Gabriele Falconi e Nely Silveira (colaboradores)

Prêmio obras residências

Residência CM, Reinach Mendonça Arquitetos Associados
Santo Antônio do Pinhal, SP

Foto: Nelson Kon

Integrada à paisagem

Implantado em especial cenário natural e com forte declive, o projeto dessa residência priorizou a verticalização visando minimizar a ocupação do terreno e a melhor integração com o entorno. Os espaços foram definidos em dois setores, com processos construtivos diferentes. Áreas de apoio, circulação vertical e pavimento inferior foram construídos em estrutura tradicional de concreto e alvenarias revestidas de pedra. São ambientes de contato da casa com o solo, sua base de sustentação, com as funções mais reservadas entre paredes com pequenas aberturas. Compacto, o andar inferior abriga dormitórios de hóspedes e se encaixa no lote de forma discreta, com aberturas voltadas para a paisagem. Já as áreas sociais e o pavimento superior têm estrutura leve de madeira e fechamento com painéis de vidro. Internamente, os espaços são integrados por meio de portas de vidro e vazio com pé-direito duplo. A cozinha fica no centro de tudo. Com um fogão a lenha aberto para a sala, propõe ser o principal espaço de convivência da casa.


Ficha Técnica

Residência CM
Local
Santo Antônio do Pinhal (SP)
Início do projeto 2014
Conclusão da obra 2016
Área do terreno 3.112 m²
Área construída 408,30 m²
Arquitetura Henrique Reinach e Maurício Mendonça (autores); Carolina Rasga, Nathalia Grippa, Mayara Ready, Felipe Barba, Victor Gonçalves, Tadeu Ferreira, Rodrigo Nakajima, Daniela Sopas, Rodrigo Oliveira, Claudia Bigoto, Giovanna Federico, Tony Chen e Gabriel Artuzo (colaboradores)

Prêmio obras residências

Casa Península, Bernardes Arquitetura
Guarujá, SP

Foto: Fernando Guerra

Residência triangular

A casa está situada sobre um lote de declive acentuado. Para que o entorno e a topografia sofressem o mínimo de alteração, desenvolveu‑se um amplo embasamento que serve de terreno artificial para o apoio dos demais pavimentos. O acesso principal se dá através desse térreo, que abriga a área íntima. Já o primeiro andar é o espaço de uso social e de lazer, integrado de forma fluida ao exterior devido ao envidraçamento da fachada e à continuidade dos pisos. A existência de amplo terraço, com piscina e área de convívio, faz com que este nível da construção funcione como vazio entre o embasamento e o volume triangular do segundo pavimento - forma derivada do estudo de insolação -, em que estão localizadas as suítes com vistas privilegiadas. Uma das arestas da sua fachada tem grande balanço de 9 metros em direção ao mar, que remete à sensação de um grande barco. O cobre foi escolhido como revestimento da fachada por causa da durabilidade e efeito de envelhecimento natural do material.


Ficha Técnica

Casa Península
Local
Guarujá (SP)
Início do projeto 2014
Conclusão da obra 2017
Área do terreno 989,61m²
Área construída 850m²
Arquitetura Thiago Bernardes (autor); Dante Furlan (coordenador de arquitetura); Camila Tariki (coordenadora de interiores); Marina Salles, Fausto Sombra, Mariana Cohen, João Faim, José Miguel, Marcelo Dondo, Ana Paula Endo e Antonia Bernardes (colaboradores)

Projetos Especiais

Parque Linear do Córrego Grande - Estação Fazendinha, JA8
Florianópolis, SC

Foto: Lio Simas

Espaços de encontro

O projeto trata da implantação de estruturas de baixo impacto em uma Área de Preservação Permanente (APP) ao longo do curso d’agua Córrego Grande. O principal elemento é uma ponte para ciclistas e pedestres, que funciona como uma grande praça. Suas amplas cabeceiras criam espaços para encontros, como apresentações musicais e feiras. Foram projetadas ainda conexões diretas entre edifícios privados e o parque, permitindo que a área pública ganhasse mais portas abertas em sua direção e, consequentemente, maior segurança. As arquibancadas, por exemplo, funcionam como espaços de transição com possibilidade de uso. A massa vegetal existente foi mantida e contornada pelo desenho da ponte e caminhos. Nas áreas mais abertas, foram incluídos playground, estações de ginástica e áreas contemplativas, priorizando o uso de materiais naturais e a permeabilidade do solo. Como grande parte da APP estava degradada, toda a área não ocupada por vegetação recebeu plantio de árvores nativas, visando recuperar a cobertura vegetal com o passar dos anos.


Ficha Técnica

Parque Linear do Córrego Grande - Estação Fazendinha
Local
Florianópolis (SC)
Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2016
Área do terreno 49.247 m²
Área construída 13.880 m²
Arquitetura Juliana Castro (autora); Clarice Castro Wolowski, Aline Buss, Elisa Lodetti e Cesar Floriano dos Santos (colaboradores)

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 446
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