28° Concurso Opera Prima

A seguir um resumo da 28ª edição do Opera Prima, concurso de trabalhos finais de graduação em arquitetura e urbanismo, realizado pela revista PROJETO com o patrocínio da Cebrace. Na abertura da matéria, refletimos sobre o momento atual do ensino dessas disciplinas no Brasil e fazemos um resumo do concurso: quantidade e distribuição geográfica dos participantes e aspectos destacados pelo júri nas etapas regionais e nacional de julgamento. Em seguida, mostramos em detalhes os cinco premiados no certame, assim como o vencedor da categoria especial #ImagineComVidro, e, por fim, revelamos os finalistas regionais

Exemplar das disparidades do ensino em um país grande como o Brasil, as duas instituições com quantidades extremas de alunos a se inscreverem no Opera Prima tinham em 2016 – ano de referência para as inscrições na 28ª edição do concurso - 393 e 7 formandos, estando localizadas, respectivamente, na capital paulista e no Amazonas.

Cada uma delas participou com a quantidade máxima de projetos permitida pelo regulamento, ou seja, um para cada grupo de 20 alunos. Assim, grande mérito teve a Universidade Federal do Amazonas, representada pela agora arquiteta Marilia Gomes de Sá Ribeiro, ao figurar entre os 25 finalistas regionais do Opera Prima, cujos resultados, incluindo os cinco premiados e demais finalistas regionais, apresentamos nas próximas páginas.

Não que a constatação acima deva ser tomada como regra - há escolas grandes, médias e pequenas em todas as regiões do país -, mas é prudente usá-la como estímulo para refletirmos sobre a evolução histórica da qualidade do ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil. No final do ano passado, as demissões de professores em grande escala por causa da flexibilização da lei trabalhista brasileira atingiram também o corpo docente de cursos privados de arquitetura e urbanismo.

Uma das preocupações resultantes é que se coloque em segundo plano a particularidade do ensino desta profissão, que requer maior acompanhamento individual dos alunos nos ateliês de projeto e nas aulas de laboratório, e na qual conta muito a experiência do professor, tanto a acadêmica quanto a prática. Um alerta a esse respeito está registrado no manifesto que a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA) publicou na internet recentemente (leia na íntegra).

Também o ensino público atravessa dificuldades financeiras, com os cortes de verbas a impactarem negativamente a manutenção das instalações físicas das instituições - a Universidade Federal do Rio de Janeiro é um exemplo -, a regularidade do pagamento de salários e o congelamento de investimentos em pesquisa. No entanto, embora os cursos enfrentem adversidades - ainda não visíveis, é verdade, nos trabalhos finais de graduação dos cursos -, o júri desta 28ª edição do Opera Prima considerou elevada a qualidade dos trabalhos e pertinente a discussão que eles suscitam.

Do universo de mais de 12.300 formandos em arquitetura e urbanismo em 2016, foram inscritos 551 trabalhos pelas 176 escolas participantes, assim distribuídas nas zonas geográficas do concurso: 141 projetos, de 50 escolas, na Região 1 (PR, SC e RS), analisados por Maria Claudia Candeia, Ana Lúcia Abrahim e Eder Alencar; 197 projetos, de 51 escolas, no Estado de São Paulo, analisados por Fernando Diniz Moreira, Nivaldo Andrade e Pedro Rossi; 96 projetos, de 33 escolas, na Região 3 (RJ, ES e MG), analisados por Héctor Vigliecca, Lilian Dal Pian e Valerio Pietraroia; 51 projetos, de 18 escolas, na Região 4 (AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SE), analisados por Gustavo Utrabo, Alexandre Ruiz Rosa e Marcos Jobim; e 66 projetos, de 24 escolas, na Região 5 (AC, AP, AM, DF, GO, MS, MT, PA, RO, RR, TO), analisados por Miguel Pinto Guimarães, Carlos Teixeira e Fernando Lara - os jurados são originários de regiões distintas das quais julgam.

Os primeiros nomes listados em cada comissão regional compuseram o júri nacional do Opera Prima que, do total de 25 finalistas - três trabalhos (os de número 0240, 0297 e 0601) foram posteriormente desclassificados, por descumprirem o item 1.5.1 do regulamento, relativo à proibição da publicação dos projetos antes do final do concurso -, elegeram os cinco premiados da edição.

Juntaram-se ao júri os arquitetos Kennedy Vianna e Isabel Jacomo, jurados da categoria especial #ImagineComVidro. A primeira etapa de julgamento ocorreu entre os meses de agosto e setembro de 2017 e, dentre as questões levantadas nas sessões regionais, destacam-se: a valorização, pelo júri, de projetos que apresentaram boa relação com o contexto; a pertinência de trabalhos que “levantam hipóteses novas de projeto” (Héctor Vigliecca), incluindo os de natureza teórica; em contrapartida, a relação desproporcional, verificada em todas as regiões, entre a conceituação do projeto e o seu efetivo desenvolvimento, com prejuízo do segundo; a pertinência do tema como um dos critérios de desempate na eleição dos finalistas, assim como a valorização da ousadia frente à qualidade do trabalho correto.

Em termos gerais, então, os jurados viram-se frente ao embate entre trabalhos de naturezas distintas (teóricos x pragmáticos) e entre projetos ora de edificação, ora urbanos, ou de desenho urbano, observando também a existência de “espécies de ilhas de qualidade no concurso que, por sua vez, são representativas da irregularidade regional do ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil”, diz Nivaldo Andrade.

Também na etapa nacional de julgamento, ocorrida em outubro de 2017, destacaram-se qualidades já apontadas anteriormente nos júris regionais. Maria Claudia Candeia, assim, foi uma das primeiras a se pronunciar no encontro ocorrido em São Paulo, elogiando a “maturidade de alunos que pesquisam temas diferentes e se aventuram em trabalhos que não sabemos se é de reflexão ou de projeto”.

Fernando Diniz Moreira voltou a assinalar a “interessante pesquisa das áreas de intervenção” presente em muitos dos finalistas, e Gustavo Utrabo e Héctor Vigliecca indagaram os colegas sobre que aspectos da arquitetura e do urbanismo estariam presentes no recorte dos cinco projetos premiados.

A resposta, unânime, foi a favor da diversidade da atuação profissional, costurada através da sucessão de pronunciamentos individuais dos jurados ao longo do processo, como os listados a seguir: “o que indica uma sabedoria diferente?” (Vigliecca); “falta na nossa sociedade a crença de que a arquitetura pode mudar o mundo” (Maria Claudia); “problemas urbanos que, embora extravasem a questão arquitetônica, possam ser discutidos no nosso âmbito” (Utrabo); “precisamos premiar essa mente” (Miguel Pinto Guimarães).

O julgamento, então, terminou com a eleição do trabalho vencedor da categoria especial #ImagineComVidro, que teve, ainda, os seguintes finalistas: Cine Mídia Lab (Fernanda Bernava Martinez; Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP), Centro de Visitantes da Gruta do Bacaetava (Mariana Steiner Gusmão; Universidade Federal do Paraná, Curitiba/PR); Tecnopolo Aeroespacial Jassiro (Pedro Guilherme Alves Chaves; Universidade Católica de Brasília, Brasília/DF) e Teatro Marcos Edom (Marcelo Costa Rosa; Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro).

Por fim, até 15 de janeiro de 2018 o público pôde votar, pela internet, no seu projeto favorito, totalizando 18.982 votos.

Confira os projetos premiados e finalistas da 28° edição do Opera Prima.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
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