Aflalo & Gasperini e Purarquitetura: Praça pública, Águas de São Pedro, SP

Elementos tradicionais em linguagem contemporânea

Elementos tradicionais em linguagem contemporânea

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Construído sobre o canal, o deque de madeira marca o eixo principal da praça; os bancos e a paginação do piso indicam o outro eixo
Construído sobre o canal, o deque de madeira marca o eixo principal da praça; os bancos e a paginação do piso indicam o outro eixo
Elementos tradicionais em linguagem contemporânea
Com recursos do Senac, a praça pública na frente do hotel ganhou nova feição, com caráter contemporâneo, embora utilize elementos tradicionais dos largos de cidades do interior. O projeto estrutura-se a partir de dois eixos.

A rotatória gramada, com alguns arbustos e cortada por um canal seco, ficava no final da avenida principal de Águas de São Pedro, em frente do acesso principal do Grande Hotel São Pedro, do Senac. A ideia de transformá-la em praça pública partiu da equipe de arquitetos contratada para trabalhos no interior do edifício.

“Comentei na época com os gestores do projeto que o acesso ao hotel era um espaço importante demais para ficar como estava”, conta Eduardo Ferreira Martins, sócio do escritório Purarquitetura, que acabou desenvolvendo o projeto em parceria com Aflalo & Gasperini. Quase um ano depois dessa observação, a reforma do local foi colocada em pauta pela instituição, que não só custeou a proposta e sua execução, como se encarregou da manutenção.

O projeto foi iniciado após a aprovação do poder público. Nos primeiros desenhos já é possível observar que o partido adotado modificava o caráter do local. “O canal é utilizado para caminhadas e no final do trajeto havia uma rotatória. Conectando o espaço ao percurso, criamos uma parada agradável”, diz Martins.

Com 70 metros de diâmetro, a praça propriamente dita se divide em duas partes: a primeira, seca e de desenho estático, foi criada para estar e contemplar; a segunda mistura grandes pedras e água, e tem como característica a interação e o movimento. De um lado, é possível sentar e observar, enquanto do lado oposto pode?se interagir com a água e subir nas pedras.

“A praça tornou-se uma referência na cidade. O simbolismo da água é importante, pois, apesar de estar ligada ao nome e à origem da cidade, nenhum espaço público a utilizava dessa forma”, diz o paisagista Raul Pereira, que participou do projeto. Além do espelho d’água, a fonte e as brumas dão movimento ao espaço.

“A fonte não fica ligada o tempo todo, ela obedece a uma programação. Assim, toda vez que é acionada, aproxima os usuários”, conta Martins. À noite, a iluminação - desenhada por Guinter Parschalk - é outra atração.

A vista aérea evidencia o relacionamento da praça com o hotel e a cidade
Vista aérea evidencia relacionamento da praça com o hotel e a cidade
A passarela de brumas é uma das atrações
Vista noturna da passarela das brumas
Vista noturna da passarela das brumas
Um dos destaques da iluminação são as luzes sob os bancos
Um dos destaques da iluminação são as luzes sob os bancos

Também está presente desde o início da concepção a identificação de dois eixos estruturais. Um deles dá sequência à linha da avenida principal. Deslocado para a direita em relação ao primeiro, o outro tem como foco o hotel, que fica no alto da colina, após uma extensa área gramada. O primeiro eixo é reforçado pelo deque que cobre o canal seco existente (ele enche somente nas chuvas) e pela setorização entre as porções estática e dinâmica da praça; o segundo, mais sutil, é direcionado pela paginação do piso, pela posição dos bancos e pelo ritmo dos postes de iluminação.

“A praça possui os elementos tradicionais de uma cidade do interior: a fonte e os bancos”, comenta Ferreira. “Só que o desenho é contemporâneo”, completa Martins.


Texto de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 366 Agosto de 2010

Gian Carlo Gasperini (formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual UFRJ, em 1949 e doutor pela FAU/USP em 1973), Roberto Aflalo Filho (graduado pela FAU/ USP em 1976 e mestre pela Universidade Harvard em 1980) e Luiz Felipe Aflalo Herman (formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Brás Cubas em 1978) são titulares do escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos. Eduardo Martins Ferreira (FAU/ USP, 1974), trabalhou na Itauplan de 1975 a 1995. Em 1996 abriu escritório próprio, hoje denominado Purarquitetura. É professor do Mackenzie desde 1986
A praça foi dividida em duas partes: uma é mais estática, com bancos; a outra, dinâmica, tem água e pedras
A praça foi dividida em duas partes: uma é mais estática, com bancos; a outra, dinâmica, tem água e pedras
Foram instaladas na praça duas grandes esculturas, de Elisa Bracher (foto) e de Marcelo Nitsche
Foram instaladas na praça duas grandes esculturas, de Elisa Bracher (foto) e de Marcelo Nitsche
Árvores de grande porte foram mantidas e outras, plantadas. “Utilizei vegetação silvestre”, conta o paisagista Raul Pereira
Árvores de grande porte foram mantidas e outras, plantadas. “Utilizei vegetação silvestre”, conta o paisagista Raul Pereira
O piso adotou dois tipos de miracema, enquanto as pedras maiores são de arenito
O piso adotou dois tipos de miracema, enquanto as pedras maiores são de arenito
A fonte é ligada com intervalos regulares
A fonte é ligada com intervalos regulares
Fazendo da água um elemento simbólico, a praça tornou-se referência na cidade
Fazendo da água um elemento simbólico, a praça tornou-se referência na cidade
Maquete
Maquete
Croqui
Croqui
Croqui
Croquis
Croqui
Croqui

Texto de Fernando Serapião| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 366

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